Início Sociedade Faustina Alves acusada de fazer “jogo sujo” para vencer eleições na Cruz Vermelha de Angola

Faustina Alves acusada de fazer “jogo sujo” para vencer eleições na Cruz Vermelha de Angola

por Redação

Depois de ter sido divulgado, em primeira mão, pelo Club K que o MPLA impôs um membro do seu Comité Central como candidata as eleições na Cruz Vermelha de Angola, funcionários deste órgão confirmaram este facto e denunciaram ao Ecos do Henda outras situações que, em condições normais, deveriam levar a suspensão da candidatura de Faustina Inglês Alves de Sousa ao cadeirão máximo da Cruz Vermelha de Angola.

Segundo os funcionários, que preferiram falar sob anonimato, por temer represálias e retaliações, Faustina Inglês Alves de Sousa está a corromper os funcionários da Cruz Vermelha de Angola (CVA), uma dependência orçamental do Ministério da Saúde, há 43 meses sem salários, com propostas de empregos para os seus familiares e até salários altos para aqueles funcionários que votarem na sua candidatura.

Há muitos anos abandonados à sua sorte, muitos destes funcionários, estão a ver nestas eleições, a oportunidade de uma viragem na vida desta organização que, noutras latitudes, tem uma actuação de grande importância.

“Mas, infelizmente, com a entrada em cena da senhora Faustina Inglês Alves de Sousa, membro do Comité Central do MPLA (com o número 257), que concorre à presidência da CVA, usando os velhos métodos estalinistas de intimidação aos eleitores, com recurso ao SIC, SINSE, governadores provinciais e outras estruturas locais do Estado sob seu comando, deitam por terra a possibilidade de Delfina Cumandala, a candidata número dois e Carlos Gourgel de poderem tirar este órgão da letargia em que se encontra”, denunciaram, para mais adiante acrescentar que, a membro do CC do MPLA tem ainda, na sua estrutura de apoio, a assessora para os Assuntos Sociais do Presidente da República, Fátima Viegas que, em condições normais, só pode fazer esse papel com a autorização do presidente João Lourenço.

Este portal sabe que as eleições da sua presidência e órgãos dirigentes, terão lugar no período da tarde desta quarta-feira, 10 de Maio, no memorial Agostinho Neto, e parece ser algo que não escapa à garra totalitarista do MPLA, sendo que, no período da manhã terão lugar os trabalhos da Assembleia Geral da Cruz Vermelha.

Governadores provinciais entram no “jogo sujo”…

Como ilustração da coação de que estão a ser alvos os funcionários da Cruz Vermelha, os governadores de Benguela, Cuanza-Sul e Cuando-Cubango convocaram pessoalmente os secretários provinciais da CVA para coagi-los a votarem em catadupa na lista de Faustina de Sousa, tendo proferido ameaças de retaliação até aos familiares dos convocados.

A CVA faz parte do Comité Internacional da Cruz Vermelha, desde 1986, e é filiada da Federação das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Como tal, a instituição vocacionada à prestação de assistência social e médica a carentes deve pautar-se pela sua neutralidade política.

Este princípio, está a ser grosseiramente violado quando o MPLA e a presidência da República, de forma aberta, criam uma equipa para tomar de assalto a instituição sobre a qual nunca prestaram qualquer atenção.

Durante muitos anos, a CVA teve como presidente a então toda-poderosa Isabel dos Santos, que apenas usou a instituição para realizar galas multimilionárias com alguns dos cantores mais caros dos Estados Unidos da América e para beneficiar de isenção de impostos na importação de meios para os seus negócios privados.

Assim, se coloca a seguinte questão. O que fará o MPLA, com altos níveis de impopularidade e incapacidade de aconselhar, por exemplo, a melhor gestão dos activos recuperados pelo Estado, com uma instituição que nem sequer consegue pagar salários? O que ganha com isso?

Até 2022, Faustina Alves de Sousa foi ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher. Não se lhe conhecem grandes nem pequenas realizações que inspirem o futuro da Cruz Vermelha de Angola.

Cabe ao MPLA, de uma vez por todas, retirar as suas equipas de órgãos da sociedade civil e focar-se na sua refundação ou requalificação, uma vez que caminha para o abismo político por não saber o que anda a fazer no mandato de JLO.

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