Lili dos Santos refutou as acusações feitas contra si pelo pai, o Comissário-chefe José de Oliveira Santos, antigo director da Logística da Polícia Nacional, actualmente na reforma, de tentativa de homicídio, no passado dia 27 de Maio, na sequência da disputa de um armazém localizado no Largo da LAC, no Distrito Urbano do Maculusso.
O acusado, visivelmente surpreendido e estarrecido, disse que o pai procura, por todos os meios e círculos de influência, construir uma narrativa para denegri-lo a imagem e a honra junto da família e da sociedade, numa pretensão clara de se fazer passar de vítima, em virtude da sua idade avançada, 83 anos.

Lili dos Santos, de 60, um dos 27 filhos do Comissário-chefe reformado, disse que as informações publicadas no portal “Na Mira do Crime” faz parte desse estratagema, como meio de se forjar um hábil para o conseguir incriminá-lo, negando, categoricamente, que jamais empunhou uma arma de fogo do tipo AKM contra o progenitor.
No acto da acusação, acrescentou, que foi revistado, incluindo a viatura e o escritório, por efectivos da Polícia Nacional, tendo se verificado que a denúncia era falsa. Alegou que o ex-comissário terá coagido os efectivos da polícia no sentido de ir até a sua residência e receber a arma de fogo do tipo AKM, a fim desta ser utilizada como meio de prova da acusação, explicou.
No âmbito da abordagem, em virtude de no local possuir câmaras de vigilância, foram obrigadas a soltá-lo, porque não o havia qualquer crime cometido, “mas sob pena de ser acusado com a arma retirada de um segurança da empresa privada “SEGUIND”, localizada em Viana.

“Toda a acção foi gravada por câmaras de vigilância, tudo para ser a favor do comissário”.
“Se for feita uma investigação minuciosa, sem que o meu pai faça o jogo de bastidores, por influência junto à Polícia Nacional, é facilmente desmontada essas acusações, que passam de uma clara intenção de colocar-me mal-visto junto da sociedade. Sempre fui um homem trabalhador, desde muito novo. Fui efectivo da Polícia e nunca foi acusado de roubar isto ou àquilo”.
Armazém no centro da discórdia
O pomo da discórdia, no seio da família Oliveira Santos, é o armazém localizado no Largo da Luanda Antena Comercial, em que o acusado, da tentativa de homicídio, garante ter efectuado obras consideráveis, avaliado em quase 35 milhões de kwanzas. “Ele está depenado (financeiramente), não tem nada, está desgraçado. As contas estão praticamente zeradas e tenta a todo o custo tirar proveito do que foi seu ou tem algum negócio”.

Lili Oliveira cantou que em face a isto, “podemos verificar os processos que ele tem junto do Tribunal no Kwanza-Norte e Benguela, são todos similares a este, com pessoas do bem, e o número de cidadão tem processos, em Luanda, por venda de viaturas, inclusive da Polícia sem que o mesmo tenha a titularidade. Um dos carros é a viatura da esposa, que se deslocou para Lisboa, e o mesmo vendeu a viatura e as pessoas até hoje não conseguiram a titularidade, após o pagamento”, acentuou.
“Quanto menos tem, mais egoísta se torna”, relatou Lili dos Santos, proprietário da empresa de segurança “SEGUIND, LDA” acrescentando ser esta a razão “obsessiva”, de dificuldades financeiras, que fazem o pai a quer prejudicá-lo, sem, no entanto, honrar os passivos.
“O armazém esteve 12 anos abandonado. A quantidade de dejectos provenientes do prédio era considerável. Foram feitas obras de benfeitorias, de quase 35 milhões de kwanzas, na qual após ser entregue a posse tive que lhe ceder algumas acções da minha empresa, pormenorizou “Lili”, mostrando-se arrependido de se ter juntado ao pai nos negócios.
Não se opõe à venda…
O filho de José Oliveira Santos diz que não se opõe a decisão do pai em querer dar outro destino ao armazém, venda, mas desde que este honre com o que lhe é devido, como a devolução dos 15% que lhe cedeu, o valor gasto nas obras de benfeitorias e os 60 milhões de Kwanzas transferidos para si.
O empresário no ramo de autossegurança, que já passou por três tromboses, tendo ficado internado numa unidade hospitalar em Lisboa, durante um ano e meio, disse que sempre manteve uma “boa relação” o pai, mas “o egoísmo” que cultivou, nos últimos anos, desde que foi a reforma e deixou de usufruir de benesses da PNA e para sustentar determinados “vícios feios”, o tornaram num “homem intratável”, que não tem sabido honrar o auxílio que lhe foi dado pelos familiares e amigos.
“Se as pessoas, de boa-fé, avaliarem o histórico do Comissário-chefe, enquanto ex-director da Logística, e, actualmente, cidadão-comum, vão poder concluir que ele não está bem. Lamento muito. Por isso, não tenho necessidade de lhe fazer qualquer mal, mas não permitirei ser burlado como os outros. Pelo contrário, ele quer, a todo o custo, denegrir a minha honra, usando todos os meios possíveis ao seu alcance”.

Apelo à observância da ética
O desmentido de Lili Oliveira foi feito a 31 de Maio, no mesmo dia em que o ministro do Interior Eugénio Laborinho apelou à observância da ética e da deontologia profissional do efectivo da Polícia Nacional no desempenho das funções.
Mas, infelizmente, o comportamento dos agentes da Polícia, por intermédio do ex-comissário, “não têm esta conduta, inclusive querem me incriminar”, salientou, um facto que pode ser provado, uma vez que “toda a acção foi monitorada pelas câmaras de vigilância do escritório e da minha residência.”
Mas Lili de Oliveira Santos diz que ter-se-á sido lesado quando foi conduzido à cadeia da 3ª Esquadra, na Vila Alice, em que alguns agentes destacados na missão de abordagem se mostram “truculentos e arrogantes”, através de dois superiores afectos as Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional.
Após ter deslocado à Inspecção da PNA, foi informado que os mesmos são administrativos e não tinham autorização ou ordem a nível do CPL para a missão (um chefe de departamento do GB Jurídico e o de Formação, ambos afecto ao CPL), “um comportamento que não se alinha ao discurso do ministro do Interior”, reforçou.
A situação de condução à cadeia não descambou para actos mais agressivos em virtude da “nova real no Ministério Público”, onde os procuradores nas unidades policiais têm compaginado a sua actuação no macro da lei.
“A nossa Justiça não é ainda a melhor. Mas, na verdade, há uma grande mudança de actuação na Procuradoria-Geral da República. Tenho de reconhecer essa evolução”, disse e foi graças a mesma que “não conseguiram me deter por insuficiência de provas” e a presente do Juiz de Garantias.
Lili de Oliveira Santos alega serem infundados os relatos de que o seu filho, de 18 anos, “corpo franzino”, tenha esbofeteado o motorista do avô, agente da Polícia Nacional, assim como os outros elementos narrados na matéria do jornal “Na Mira do Crime”, que para sustentar os factos, recorrem a fontes anónimas.
“Por que razão o lesado não apresentou queixa? Por que razão a pessoa que contou o se passou não se identifica? O porquê não fiquei detido? No acto da ameaça e da abordagem fui revistado, aonde esta a arma? No carro? Escritório? Tudo foi registado pelas câmaras”, questionou.
O mesmo garante que tudo “é uma encenação para ser desacreditado na sociedade ou cair no jogo que estão a fazer à procura de matéria suficiente para ser acusado”, tendo, por isso, lamentado o envolvimento de oficiais da Polícia Nacional no caso, que a posterior, do sucedido, foram receber a arma de um segurança, em Viana, para ser junto ao processo.
“A situação também foi registada pelas câmaras de vigilância e os efectivos estão identificados, e além do Comissário-chefe Oliveira Santos, o também coordenador da operação, que orientava as forças, que porventura ex-oficial comissário da PNA e seu amigo”.
O acusado apontou, também, ter em sua posse todas as transferências feitas para o pai e imagens do armazém abandonado, antes de reabilitar, e inclusive comprovativos que lhe foi cedida pelo progenitor para ter a posse do imóvel.
Contraditório
O Jornal 24 Horas vai procurar, em sede do contraditório, contactar os oficiais citados por Lili de Oliveira Santos, de estarem a tentar “forjar provas contra mim” ou auxiliar o Comissário-chefe José de Oliveira Santos, “com estas inverdades”, cujo “actuação mais parecida de negociata do que o cumprimento da lei”.
