Início Sociedade Cuanza Sul em festa – População rejubila pela exoneração de Job “Capapoeira”

Cuanza Sul em festa – População rejubila pela exoneração de Job “Capapoeira”

por Walter Continente

A população do Cuanza Sul recebeu a notícia da exoneração do governador provincial, Job Capapinha, com satisfacção e euforia, a pontos de se realizarem passeatas para festejar a saída do “Capapoeira”. Há muito que a sociedade local esperava a exoneração do referido governador.

Quando Job Castelo Capapinha foi nomeado para o Cuanza Sul, o espanto foi enorme em meios da sociedade, bem como da opinião pública em geral. Não fazia sentido, em meio ao combate contra a corrupção, peculato, nepotismo, impunidade, entre outros, nomear para governar o Cuanza Sul, alguém com uma folha de serviços tão conspurcada.


Não foi preciso esperar muito tempo e logo começaram a ouvir-se diversas queixas de cidadãos que se diziam injustiçados por razões várias, alegando prepotência do governador Job Capapinha, que mal chegou ao terreno, sem avaliar ou conhecer situações locais, sem apelo nem agravo, impôs mudanças, fez e desfez, em prejuízo dos habitantes.
De fricção em fricção, logo veio ao de cima o caso do aluguer milionário das viaturas e casas para os vice-governadores.


A acusação da sobrefaturação das rendas de edifícios alugados pelo governo do Cuanza Sul para residências protocolares dos vice-governadores e uma em Luanda para a representação do governo foi confirmada, na altura, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).
Houve também a denúncia sobre o aluguer de viaturas, igualmente protocolares, que orçaram um valor superior ao da compra das mesmas, numa clara demonstração de prepotência, uso e abuso dos dinheiros públicos.


A Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), avaliou então as várias denúncias ligadas à irregularidades na gestão de Capapinha e concluiu que havia realmente crime de peculato, com gestão danosa do erário.


Outra informação dava conta que o SIC, no Cuanza Sul, emitira um mandado de revista, busca e apreensão de cartões da rede de supermercados Maxi em posse de responsáveis do governo provincial local, em que o governo gastava vários milhões de Kwanzas por mês só em compras para Job Capapinha e sua staff.


De acordo com o mandado, os cartões estavam em nome do Palácio do governo provincial, da casa protocolar do vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas, da vice-governadora para o sector Político, Económico e Social, do gabinete do governador, do secretário-geral e em nome do protocolo do gabinete do governador.


Job Capapinha foi ainda acusado de estar por trás da falsificação de uma dívida pública do governo provincial ao Grupo Chicoil Lda, no valor de mais de 16 mil milhões de kwanzas.


Entretanto, na sequência de vários acontecimentos, uma notícia abalou a sociedade. O jovem inspector provincial das Finanças, Rodrigues Eduardo, fora assassinado quando se deslocou a Luanda para resolver questões de trabalho e visitar a família.


Diversas opiniões alegaram que o inspector fora assassinado porque sabia demais, em relação às “engenharias” corruptas que eram praticadas no governo do Cuanza Sul.


Na sequência de tal acontecimento, um grupo de funcionários do governo provincial, que afirmaram ser “militantes do MPLA de coração”, entre responsáveis, trabalhadores de base, seguranças, pessoal da limpeza e fornecedores de serviços, num documento tornado público, descreveram que conheciam, profundamente e em detalhes, a realidade e as acções da “má governação” de Job Capapinha, baseada no amiguismo, na má gestão, desvio de dinheiros do erário e apropriação indevida de bens do Estado, “tudo dentro de uma promiscuidade que até envergonha(va) quem trabalha(va) na instituição”.


Os referidos funcionários acrescentaram que Job Capapinha transformara o governo do Cuanza Sul numa instituição vergonhosa que em nada ajudava o desenvolvimento de Angola.


Que Capapinha fazia do palácio provincial um “bordel” e estava envolvido num “triângulo amoroso” com uma vice-governadora e uma outra senhora (cujos nomes se salvaguardou por razões óbvias), tudo à revelia de sua esposa.


Contudo, o documento frisava que o envolvimento do governador com a vice, tinha episódios públicos que raiavam o descaramento e a pouca-vergonha.
Os denunciantes afirmaram ter em sua posse provas de todas as denúncias que faziam, alegando que tinham documentos dos desvios, entre outros.


Na altura, os mesmos acusaram também o sub-procurador provincial, Joaquim Macedo da Fonseca, de ser cúmplice do governador, recebendo bens como meios de transporte, fazendas, dinheiro desviado que chegava à sua casa pela “porta dos fundos” e até fora alistado para receber cabeças de gado bovino, cuja divisão terá sido feita “nos bastidores em Luanda”.
Salente-se que, sobre este assunto do gado bovino, mais um caso que acabou por ser abafado, mas que deu que falar, por alegada sobrefacturação aos custos reais, Angola recebeu na época milhares de cabeças de gado provenientes do Tchad em alegado pagamento de uma dívida daquele país.


Porém, diversos criadores do Cuanza Sul, província abrangida na distribuição do referido gado, queixaram-se de terem sido “esquecidos na distribuição”, afirmando que o gado foi partilhado entre governantes e seus compinchas.


Os funcionários afirmaram ainda que todas as queixas contra Job Capapinha iam dar em nada, porque o sub-procurador Macedo, entre outros dirigentes das estruturas judiciais, de defesa e segurança, incluindo a Polícia e o SIC, estavam mancomunados com o governador para usufruírem de benesses.


Os funcionários apelaram então ao Presidente da República, à PGR, ao SIC, Polícia Nacional e às demais autoridades, para que interferissem e pusessem cobro imediatamente aos desmandos que aconteciam no governo do Cuanza Sul, mas sem qualquer resultado satisfatório.


A população sempre clamou por melhorias, até os funcionários do próprio governo provincial lamentavam a “imundície” em que estava mergulhado o governo provincial do Cuanza Sul, cujo director do gabinete do governador, Quintas Manjane, acusado-o por prática de crimes de corrupção activa, tráfico de influência, desvio de fundos públicos, assédio sexual, calúnia, intimidação, abuso de poder, entre muito mais .
Mas, apesar do descontentamento da população, Job Capapinha, mesmo diante de tantas evidências de uso e abuso de poder, de roubo, de desmandos, de crueldade por parte do seu “protegido” director de gabinete, nada fez.


Segundo fontes locais contactadas na altura, Capapinha não estava nem aí para a sua própria imagem. “actualmente, no Cuanza Sul, quem governa realmente é o director do gabinete, que se intromete em tudo, impõe directrizes aos administradores municipais que têm que lhe obedecer à letra, controla as obras do PIIM e manda suspender algumas como quer, desvia os dinheiros públicos, ameaça tudo e todos, não respeita ninguém, nem mesmo quem lhe é próximo e é um autêntico predador sexual que se atira a todas mulheres que dele se aproximam”.


Os cidadãos descreviam que “Capapinha está dominado por Quintas Manjane, é manipulado e come nas suas mãos, talvez seja por um acordo tácito, porque desde que chegou ao cargo aqui no Cuanza Sul, Capapinha cometeu muitos desmandos e não é bem visto; agora, talvez seja uma nova táctica, enquanto o seu director de gabinete vai dando a cara, fazendo e desfazendo, ele apenas vai beneficiando das ‘engenharias’ praticadas pelo seu comparsa”.


Ao Presidente da República, João Lourenço, que o nomeou ainda no quadro do seu primeiro mandato, nunca faltaram avisos. Mesmo depois da sua reeleição nas eleições gerais de Agosto de 2022, vários foram os alertas à má governação de Job Capapinha no Cuanza Sul. Aliás, como se tem dito, “Capapinha não deixa saudades por onde passa”.


Ao longo dos tempos, muito se tem falado e criticado o comportamento negativo e o mau trabalho de muitos governadores provinciais. São poucos os que têm trabalhado de facto em prol do desenvolvimento geral das suas circunscrições, para o bem-estar das comunidades e das famílias, bem como pelo progresso e engrandecimento do país no seu todo.


Segundo analistas, alguns governadores “quando assumem o cargo, tomam atitudes despóticas, de tiranos cruéis, comportam-se como líderes de “gangues mafiosas e assassinas”, não se importam com nada, não querem saber se o povo come, se está doente, se tem água ou energia eléctrica, se as estradas estão conservadas ou precisam de manutenção, não sabem à quantas anda a produção e o que se faz ou não no sentido de se contribuir para o crescimento económico nacional”, entre muitas outras negligências.


No caso concreto do Cuanza Sul, província com enormes potencialidades para agregar mais valia à diversificação da economia, esperava-se que em prol do clamor da população local, se removesse Job Capapinha pela má governação a todos níveis, atitudes contraproducentes e mesquinhas.


“Capapoeira”, apelido com que as populações do Cuanza Sul “rebaptizaram” o governador provincial Job Castelo Capapinha, ou seja: “Capa” de Capapinha e “poeira” alusivo ao facto de ser considerado como um ludibriador, que promete muito e não cumpre nada, deixando os cidadãos a ver “poeira”, assim como pelo mau estado em que se encontram as vias rodoviárias da província, incluindo as da capital, cidade do Sumbe, que só pioraram desde que chegou à província, em vez de trabalho que resultasse em melhorias, só criou desmandos, enganou o povo, ludibriou o titular do Poder Executivo e apoderou-se dos recursos do Estado, como foi acusado até por funcionários do próprio executivo provincial.


Em vez de progresso, de contentamento dos cidadãos, do Cuanza Sul só chegavam lamentos, queixas e muita sujeira.


Recorde-se que Job Castelo Capapinha, quando passou pelo governo provincial de Luanda, foi acusado de várias falcatruas, entre elas “engenharias” ligadas à apropriação e venda de terrenos em várias localidades e de casas nos Zangos, havendo mesmo um quarteirão no Zango 2 que a população denominou “casas do Capapinha”.


Contudo, apesar de o homem ter saído pela “porta pequena” do palácio da Mutamba, ainda lhe foram dadas mais oportunidades para continuar os seus desmandos.


Como mais vale tarde do que nunca, o povo do Cuanza Sul sente-se aliviado e almeja que a nova governadora, Mara Quiosa, faça a diferença e resgate a mística da província que já foi das mais ricas e produtoras de Angola! (J24 Horas)

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