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Especialista defende redefinição das estratégias de África

por Editor

O especialista em relações internacionais Paulo Quaresma defendeu, sexta-feira, em Luanda, a necessidade de o continente africano assumir um papel mais activo e influente na definição do seu próprio destino, face à actual reconfiguração geopolítica e económica mundial.

A propósito do Dia de África, que se assinala a 25 de Maio, o especialista sublinhou que a efeméride constitui uma oportunidade crucial para reflectir sobre o posicionamento do continente perante as grandes transformações internacionais, marcadas pelo surgimento de novos actores globais e pela redefinição de alianças estratégicas.

Segundo Paulo Quaresma, temas como a energia, segurança alimentar, tecnologia, alterações climáticas e autonomia económica exigem que a União Africana (UA) se consolide como um instrumento essencial para fortalecer a “voz colectiva” dos Estados-membros na defesa dos seus interesses comuns.

“A União Africana representa a ambição legítima de construir uma África mais integrada, estável e preparada para responder aos desafios do presente, por isso deve ir além de um espaço institucional de concertação política”, afirmou.

Desafios e cooperação estratégica

Neste prisma, o analista apontou o terrorismo, a instabilidade regional, a dependência económica externa, a migração irregular e as fragilidades estruturais como os principais problemas que exigem respostas coordenadas e uma visão estratégica comum.

E para esse alcance, o especialista reconhece que nenhum país africano conseguirá enfrentar isoladamente desafios com dimensão continental e impacto global.

Paulo Quaresma entende que o aprofundamento da cooperação, fortalecimento da integração económica, dinamização do comércio intra-africano, criação de infra-estruturas regionais e a aposta na industrialização como as principais alavancas para transformar o potencial do continente em desenvolvimento sustentável e melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes.

Destacou, por outro lado, as vantagens estratégicas de África, sustentando que a força da juventude, a abundância de recursos naturais e o crescimento gradual dos mercados internos oferecem condições para que o continente desempenhe um papel relevante na economia e na política internacional ao longo deste século.

Angola no contexto continental

No que toca ao contexto nacional, o especialista referiu que uma África mais forte e integrada representa um caminho de oportunidades para Angola.

O país, sublinhou, possui as condições necessárias para continuar a contribuir activamente para a promoção da estabilidade regional, do diálogo político e da cooperação continental, reforçando, em simultâneo, a sua afirmação estratégica no espaço africano.

Paulo Quaresma concluiu que, num momento de profundas mudanças no sistema internacional, a unidade africana deve ser encarada como uma “prioridade estratégica indispensável” para assegurar maior soberania, desenvolvimento e prosperidade para os povos do continente.

O Dia da África foi instituído a 25 de Maio de 1963.

A data celebra a criação da Organização da Unidade Africana (OUA), que ocorreu em Adis Abeba, na Etiópia.

Mais tarde, em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o reconhecimento internacional deste dia, inicialmente sob o nome de Dia da Libertação de África.

A OUA centrou a sua acção na promoção da descolonização do resto do continente e no apoio à resolução de conflitos regionais subsequentes. Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, mas a celebração da data manteve-se.

A data é celebrada em todo o mundo e em especial nos países de África e nas comunidades africanas e de afro-descendentes espalhadas por outros continentes.OPF/CS

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