A administração do Banco Sol deu continuidade, a partir desta sexta-feira, 16 de Janeiro, à implementação do Plano de Recapitalização e Reestruturação (PRR), aprovado pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que prevê o encerramento de mais de 20 agências em várias províncias do país e consequente despedimento de mais de uma centena de funcionários.
Esta segunda fase do processo de reestruturação abrange mais de uma centena de funcionários de diferentes departamentos da instituição bancária, com maior incidência para a área comercial, conhecida como “front office”.
De acordo com informações a que se teve acesso, a medida insere-se no esforço do Banco Sol em adequar a sua estrutura operacional às exigências do regulador, visando o reforço da solidez financeira, a redução de custos e a melhoria da eficiência interna, num contexto de ajustamentos profundos no sector bancário nacional.
Entretanto, especialistas do sector são de opinião que o dito “Plano de Recapitalização e Reestruturação (PRR)”, não passa de uma medida paliativa com vista a empalhar as inúmeras acusações de que o Banco Sol tem sido alvo ao longo dos tempos, de má gestão, roubo, desvio de fundos, branqueamento de capitais, entre muitos outros crimes.
No intuito de salvaguardar interesses que ultrapassam as normas, a ética, a responsabilidade e a decência bancárias, a administração do banco não está preocupada com o impacto social associado ao encerramento das agências, ao desemprego do pessoal, dando a entender que “o PRR é fundamental para garantir a sustentabilidade da instituição a médio e longo prazos”.
O que espanta em todo esse processo, referem os especialistas, é que o Banco Nacional de Angola (BNA) tem tido uma atitude complacente, ou mesmo de convivência, em relação às acusações dos crimes que têm sido praticados na instituição bancária.
Recorde-se que, em Junho passado, o Banco Sol encerrou 39 balcões, a que se junta agora mais 20 agências e o despendimento de mais de 100 funcionários, sendo que o referido Plano de Reestruturação visa a redução de 30% dos seus colaboradores até 2027.
Segundo as demonstrações financeiras da instituição, relativas a 2024, o Banco Sol tinha 1701 trabalhadores, o que dá um corte de 510 funcionários até 2027.
Em meio aos roubos e todas as “engenharias” efectuadas no banco, actualmente liderado por Osvaldo Macaia (CEO), alega-se a redução máxima de custos operacionais, para melhorar significativamente o seu rácio de eficiência.
Sem qualquer referência aos avultados fundos desviados recentemente, fala-se num aumento de capital a realizar pelos accionistas, para que sejam cumpridos os rácios prudenciais exigidos pelo Banco Nacional de Angola (BNA), em particular o indicador que diz respeito aos fundos próprios.
São accionistas do Banco Sol, além de conhecidos “marimbondos”, diversas entidades políticas ligadas ao partido no poder e integrantes do Executivo angolano ao mais alto nível.
Até ao momento, o Banco Sol não avançou com detalhes adicionais sobre o processo de indemnização ou de reintegração dos funcionários que agora vão aumentar a vasta lista de cidadãos desempregados.
Assunto em actualização, voltaremos com mais pormenores em próxima edição! (J24 Horas)
