Funcionários do Banco de Poupança e Crédito (BPC) denunciaram o Conselho de Administração, liderado pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) Cláudio Pinheiro Pinto Macedo, por aplicar uma política de disparidade salarial que beneficia o topo da hierarquia em detrimento dos restantes trabalhadores.
Aumenta de forma alarmante o clima de insatisfação no seio dos funcionários do Banco de Poupança e Crédito (BPC) que acusam o Conselho de Administração de transformarem o banco numa “galinha dos ovos de ouro” que só beneficia os próprios administradores, directores e alguns chefes, em prejuízo do Estado e da maioria dos trabalhadores, cujos salários mantêm-se congelados há mais de três anos.
Segundo as denúncias, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do banco, Cláudio Pinheiro Pinto Macedo, aufere um rendimento mensal superior a 30 milhões de kwanzas, constituindo um forte contraste nos salários da instituição.
Os trabalhadores, insatisfeitos, referem que a remuneração do PCA junta salários base, subsídios e rendimentos de empresas associadas. Na mesma esteira, os salários dos directores também aumentaram, ultrapassando os 5 milhões de kwanzas mensais.
Enquanto isso, o gerente de um balcão (ou sub-gerente) aufere cerca de 300 mil kwanzas e os técnicos administrativos auferem actualmente cerca de 160 mil kwanzas mensais, valores considerados insuficientes face à responsabilidade de manusear milhões de kwanzas diariamente, bem como ao aumento do custo de vida, da inflação e da contínua perda do poder de compra no país.
Os trabalhadores acusam também os sindicatos de nada fazerem, mesmo estando por dentro das falcatruas. De acordo com uma fonte, os ditos sindicalistas, ligados ao sector bancário, não passam de “marionetes” manipulados pelas chefiase nada fazem em defesa dos funcionários.
As denúncias apontam ainda que o banco tem promovido contratações externas com regalias elevadas, muitas vezes sem o aval interno de auditoria e compliance. Num período em que a rentabilidade da instituição tem enfrentado quedas abruptas e os dividendos do Estado recuaram cerca de 84,96%, as remunerações e regalias dos órgãos de gestão do banco público dispararam em mais de 115%.
Devido à situação social difícil, aliada à erosão do poder de compra perante a actual taxa de inflação, os trabalhadores apelam à urgente intervenção de entidades de supervisão e fiscalização como o Banco Nacional de Angola (BNA), a Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE) e o Tribunal de Contas, para que a política salarial do banco público seja averiguada.
Ao longo dos tempos, a gestão do Banco de Poupança e Crédito (BPC), instituição pública, tem-se caracterizado pelo uso dos recursos do banco em benefício de interesses vários, sobretudo de índole política, entre diversos esquemas obscuros, desvio de fundos e branqueamento de capitais, que têm lesado o Estado em centenas de milhões de kwanzas. Voltaremos ao histórico desta saga! (J24 Horas)

