Início Sociedade ÁFRICA TORNOU-SE UM “CORPO INERTE ONDE CADA ABUTRE DEBICA O SEU BOCADO”

ÁFRICA TORNOU-SE UM “CORPO INERTE ONDE CADA ABUTRE DEBICA O SEU BOCADO”

por Editor

África comemora a 25 de Maio o seu Dia, num momento em que as suas populações sofrem, morrem, estão a ser escravizadas nos seus próprios países, fogem para outras latitudes para, em muitos casos, viver em condições sub-humanas, o continente transformou-se num “corpo inerte onde cada abutre debica o seu bocado”, como dizia Agostinho Neto, as suas riquezas são sugadas diariamente, enriquecendo outros povos e sociedades, em detrimento dos africanos, o que constitui a dramática realidade em que os africanos estão mergulhados!

Passados 63 anos, desde a data da criação da Organização de Unidade Africana (OUA), em 1963, na Etiópia, uma instituição continental caracterizada pelo apoio às lutas de libertação do colonialismo, pela independência total, liberdade e emancipação dos africanos, o grande sonho panafricanista ter-se-á esfumado, diante da realidade em que a maioria dos países africanos estão mergulhados, num cenário de múltiplos conflitos, de miséria, de morte, de fugas constantes para outros locais, porque os cidadãos africanos deixaram de confiar nos seus próprios governantes.


África enfrenta diversos conflitos de origem étnica, religiosa e territorial que são reflexos da colonização, mas que actualmente são sustentados por governantes incompetentes, apátridas, corruptos e ao serviço de interesses obscuros e alheios aos dos africanos em geral.


Os conflitos em África são basicamente motivados por disputas territoriais, golpes de estado, que geram crises políticas e não melhoram em nada a vida das populações, pelo contrário, torna-as piores como se tem visto, rivalidades tribais motivadas por questões étnicas ou religiosas, disputas por água e recursos minerais e a imersão do povo na miséria, motivados em grande parte por uma ganância cega, ambição e apetência pelo poder, transformando as populações dos respectivos países em escravos dos interesses dos governantes.


Neste sentido, é necessário que a unidade dos países do continente não esteja apenas confinada nas conferências da União Africana (substituta da OUA). Essa união tem de se traduzir em esforços efectivos e contínuos para resolver definitivamente os diferentes conflitos existentes em África.


O dia 25 de Maio recorda a luta pela independência do continente africano, contra a colonização e contra o regime do Apartheid, assim como simboliza o desejo de um continente mais unido, organizado, desenvolvido e livre.


Quando se criou a OUA havia a esperança de que os países africanos, com as independências, haveriam de enveredar por processos de desenvolvimento para assegurar aos povos do continente uma vida digna.
Os “pais” fundadores de muitas Nações, nos anos 60 do século passado, estavam, depois de derrotado o colonialismo, animados pela vontade de retirar os povos da miséria e do subdesenvolvimento.


Muitos políticos e estadistas africanos pretendiam, não só a independência política, mas também a económica, e tiveram de enfrentar muitos problemas causados pelas ex-colónias, tendo prestigiados líderes africanos pago com a morte, a coragem de combater os antigos colonialistas, que queriam continuar a oprimir os povos dos seus países. Esses líderes opunham -se ao neocolonialismo.


Hoje, 63 anos depois da criação da Organização de Unidade Africana, é inevitável e necessário que se faça uma avaliação da evolução do continente-berço da humanidade, ao longo deste longo período, ao nível económico e social.


Sempre que os africanos comemorarm o Dia de África, vale a pena fazer-se um balanço do que se fez e do que faltou fazer, para se corrigir os erros e promover-se a construção de sociedades cada vez melhores no continente.


Hoje por hoje, a tendência em voga é abafar os regimes democráticos, suprimir os Estados em que os cidadãos podem participar livremente na vida política, por via de partidos ou de outras organizações, contribuído para a estabilidade e para o crescimento económico, que permite avançar para o desenvolvimento, com vista a assegurar uma boa qualidade de vida às populações. Os que chegam ao poder tornam-se “donos” e “senhores absolutos” de tudo, incluindo da própria vida humana! Até quando África?!! (KA)

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