Caculo-Cabaça, na provı́ncia do Cuanza – Norte, é a maior Central Hidroeléctrica em construção no rio Kwanza, entre as províncias de Cuanza – Norte e Cuanza – Sul. A barragem principal, com previsão de gerar 2.172 megawatts, terá 103 metros de altura, com largura de crista de 553 metros, criando um lago reservatório que mede 16,3 quilômetros de comprimento, com uma área de superfície de 16,6 quilômetros quadrados.
A Central Hidroeléctrica de Caculo Cabaça começou a ser construída em Agosto de 2017 com previsão inicial prevsita pata 2024. Contudo, constrangimentos de vária ordem, incluindo o período da pandemia de Covid-19, impediram o cumprimento do prazo.
Terminda a Covid-19 e ultrapassadas alguns dos principais constrangimentos, entre os quais financeiros, as obras retomaram o seu curso normal prevendo-se agora a sua conclusão em 2026.
Caculo Cabaça é um empreendimento estratégico do Governo para cobrir o défice no fornecimento de energia ao país em 66 por cento, com a geração de uma potência de 5.700 megawatts.
Depois de tudo concluído, a Central vai gerar um total de 7.000 megawatts, a partir do Médio Kwanza, onde já existem três barragens construídas, uma em obras, para além da projecção de mais duas, que vão ser denominadas Túmulo do Caçador e Zenzo, a nível da província do Cuanza-Norte.
O projecto Caculo Cabaça, que vai gerar energia com um baixo teor de carbono, visando a contribuição de um mundo menos poluente e conservador do ambiente, já gerou 1.400 empregos, dos 6.000 previstos, até ao pico da empreitada.
O Executivo angolano prevê construir uma linha de transporte de energia eléctrica de 1.300 quilómetros, para a sustentabilidade das províncias situadas no Sul e Leste de Angola.
Pela magnitude da obra, para além da geração de empregos, promoverá a economia local e não só, constituindo-se numa referência para a atracção de investimentos e de outros serviços correlacionados.
Nos últimos dias, tem-se realçado a importância da melhoria da coordenação dos vários intervenientes do projecto para melhor direccionamento do trabalho. A melhoria da criação das condições de trabalho para os técnicos e demais trabalhadores, também tem sido acautelado por forma a se criar um clima de sã convivência, entre empregadores e empregados.
Depois de alguns atritos anteriores, actualmente melhorou substancialmente as condições dos trabalhadores em vários aspectos, como no que toca ao uniforme (fatos de trabalho, botas, luvas, capacetes e outros meios), assim como à Farmácia, Dormitórios, Refeitório e outras áreas de trabalho.
No terreno é visível o empenho de homens e máquinas para dar corpo ao imponente projecto Caculo Cabaça, pelo que a primeira fase, que resultou no desvio provisório do leito do rio Kwanza, foi concluido com a construção de dois túneis com 357,415 metros cada um.

Para recuperar o tempo perdido, a segunda fase, que corresponde à construção da entrada onde ficarão alojados os órgãos hidráulicos (comportas), também já decorre, representando, actualmente, a maior frente de trabalho, com um avanço de mais de 30 por cento.
O projecto é co-financiado pela China, através do consórcio CGGC (China Gezhouba Group Corporation), na componente de construção civil e do sistema de transporte associado, no valor de 4,5 mil milhões de dólares, e da Alemanha, na parte do fornecimento e montagem do equipamento electromecânico, orçado em 1,02 mil milhões.
Compreende também a construção da ponte sobre o rio Kwanza, que regista um avanço de 26 por cento, das estradas de acesso e a construção do estaleiro principal.
Há ainda a construção do Circuito Hidráulico da Central, um trabalho iniciado há já algum tempo, mas que registou uma suspensão devido ao facto de depender da integração entre a obra civil e a componente de montagem electromecânica, pois há elementos do projecto que precisam ser validados pela entidade responsável pelos equipamentos, a empresa alemã Voith Hidro.
O Projecto Hidroeléctrico de Caculo Cabaça será o maior já construído em Angola, pois terá a capacidade de gerar 2.172 megawatts de electricidade, superando Laúca, cuja capacidade é de 2070.
Com 103 metros de altura, a barragem comportará 440 milhões m³ (metros cúbicos) de água e terá quatro usinas em circuito hidráulico com capacidade para 1100 m3 de água por segundo.
Depois de concluído, o imponente aproveitamento fará parte de um leque de barragens construídas ao longo do Médio Kwanza, onde já despontam a de Cambambe (Cuanza Norte), Capanda e Laúca (Malanje).
Angola é um país rico em recursos hídricos, com um total de 47 bacias hidrográficas principais. (J24 Horas)

