Um dos rostos com poderes, de facto e de jure, na corte do regime de Luanda. O homem que vigia todos os poderes, incluindo o próprio Presidente, vê a continuidade do seu poderio na corda bamba. Com o mandato expirado há mais de um mês, o general verá o seu futuro discutido na próxima reunião do Conselho de Segurança Nacional. O Presidente Lourenço poderá mexer nas peças do tabuleiro, dispensando Fernando Miala da chefia das secretas para dar lugar ao general Sequeira Lourenço, seu irmão.
Fernando Garcia Miala regressou à chefia dos serviços de inteligência a 12 de Março de 2018, doze anos após ter sido afastado pelo antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, do cargo de director-geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE).
Ao substituir no cargo o comissário Eduardo Filomeno Barber Leiro Octávio, coube a Miala a tarefa de reativar o papel central das secretas. E foi por esta razão que, sobre o seu gabinete, recaíram as responsabilidades de seguir os rastos das operações fraudulentas que culminaram com o saque dos recursos do País nos últimos 20 anos.
Apesar de ter sido o ponta de lança do Presidente João Lourenço na identificação e rastreio dos bens e dinheiros públicos desviados na vigência de Eduardo dos Santos, o general Fernando Garcia Miala poderá, sabe O Telegrama, deixar o cargo, para dar lugar ao general Sequeiro João Lourenço, actual chefe adjunto da Casa de Segurança do Presidente da República. De todos os quadros da presidência de José Eduardo dos Santos, o irmão mais velho do Presidente Lourenço é, até agora, o único inamovível da Casa de Segurança da Presidência.
