O Banco Sol tem sido useiro e vezeiro em crimes que lesam o Estado em milionárias somas monetárias, de forma sistemática, sem que seja sancionado pelas autoridades. O banco central, BNA, é descrito como protector do infractor, situação que deixa estupefactos especialistas do sector económico-financeiro e lança suspeições ao ‘modus operandis’ do Banco Nacional de Angola, na qualidade de organismo de supervisão e garante da estabilidade do sistema financeiro.
De acordo com um Relatório Anual da Unidade de Informação Financeira (UIF) publicado no final de 2023, sobre Angola, descreve bancos e instituições financeiras não bancárias ligadas à moeda e crédito, a actividade seguradora, casinos, negociadores de metais e advogados como envolvidos em esquemas de branqueamento de capitais no país.
As referidas instituições contêm indicadores de “suspeição, modelos de actuação ou comportamentos, esquemas passíveis de estar em curso ou poder ocorrer crimes de branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo ou outro crime subjacente”, diz o relatório, sublinhando que tais indicadores “resultam da observação de diversos movimentos bem como de comportamentos suspeitos em distintas situações concretas”.
Uma das instituições bancárias que nos últimos tempos tem sido mais citada por roubos descarados de dinheiro, financiamento à “empresas fantasmas” e projectos fictícios que absorvem milhões dos fundos, bem como processamento de salários de funcionários públicos e também de professores, todos “fantasmas”, subsídios milionários de Natal aos membros do Conselho de Administração, desvio de bens da instituição, entre muitos outros crimes, é o Banco Sol.
O Banco Sol, tem sido consecutivamente apontado por crimes de “abuso de confiança”, entre outros ilícitos, praticamente desde o seu surgimento no mercado bancário angolano, inclusive por “conflitos de interesses”.
De crime em crime, que infelizmente têm sido encobertos pelas autoridades, apesar das diversas denúncias públicas, e também no âmbito do combate à corrupção e conexos.
No passado mês de Dezembro, de acordo com notícias postas a circular, o Banco Sol terá sido vítima de um “roubo sem precedentes”, próprio de um filme de acção, cujo protagonista é o Tesoureiro da Tesouraria Central, que “encheu um carro forte com todos os valores que se encontravam na caixa-forte da sede do Banco, tendo desviado mais de 7 milhões de dólares, 8 milhões de euros e mais de 85 mil milhões de kwanzas”.
Ao que tudo indica, ante um roubo espetacular de tal calibre, nem “o seu Conselho de Administração e/ou a Comissão Executiva se dignaram reunir para debater o assunto e muito menos para accionar o Serviço de Investigação Criminal (SIC) e a Procuradoria Geral da República (PGR) para investigar o caso, reaver os valores e deter o funcionário criminoso que misteriosamente sumira”.
Contudo, porque o assunto vazou para as redes sociais, depois de duas semanas foram obrigados a chamar o SIC que localizou e deteve o tesoureiro que, nas suas declarações, afirmou que somente fez o que via sistematicamente os chefes fazerem todos os dias.
Inclusive houve um acontecimento vergonhoso quando várias caixas de dinheiro caíram de uma viatura e o dinheiro espalhou-se pelo chão, acusando o triunvirato, PCE Paixão Franco, administradores Gil Benchimol e Ana Kazumbula de serem os que sistemáticamente levam caixas de dinheiro da casa-forte para parte incerta.
A roubalheira naquele banco é constante a pontos de, numa acção concertada entre o Administrador Gil Benchimol, o que tem a seu cargo os mais importantes sectores por onde passam os dinheiros no Banco Sol (Direcção de Contabilidade, Direcção de Serviços Gerais, Direcção de Tecnologia e Sistemas de Informação, Gabinete de Segurança Cibernética e Gabinete de Compras), bem como a Admistradora Ana Kazumbula (Direcção de Mercados Financeiros, Direcção de Operações, Direcção de Banca Electrónica e Direcção de Tesouraria), com a conivência da Directora da Contabilidade, Eva de Carvalho Morais, ambos foram protagonistas da mais escandalosa queima de arquivos contabilísticos e de tesouraria, que apagaram toda a informação relacionada a pagamentos e fornecimento de produtos e serviços hiperfacturados, a maior parte deles nem sequer prestados ou recebidos, mas que já tinham sido todos pagos.
Não se compreende como é que estas acções não são punidas, mesmo sabendo que continua a haver fraudes promovidas e ocultadas todos os dias, através dos sistemas informáticos em que o “arquitecto” é o director Paulo Paim, sob orientação do administrador Gil Benchimol, com o apoio dos consultores estrangeiros e prestadoras de serviços, porque neste momento todo o sistema informático do Banco Sol está a ser gerido a partir de fora e por empresas estrangeiras que foram contratadas por Gil Benchimol, para branqueamento de capitais.
Infelizmente mesmo com estes casos e denúncias, também não se vê qualquer reação da parte dos accionistas em que o maioritário, com 51%, é representado pelo general Mário António que, alegadamente, é a fatia que pertence ao MPLA.
Igualmente, os outros accionistas não pedem contas, até parece que não estão preocupados com o dinheiro deles, que está a ser descaradamente roubado todos os dias.
Esta situação, em suma, prejudica também a maior parte dos trabalhadores, porque o Conselho de Administração arranja sempre desculpas para a não actualização e aumento dos salários, tornando assim o Banco Sol, a instituição bancária que tem os piores salários em Angola.
Recorde-se ainda o roubo de mais de 5 mil milhões de Kwanzas da Direcção de Microcrédito, de que nada foi apurado e não houve qualquer investigação e ninguém foi responsabilizado ou sancionado.
A única medida tomada foi a extinção da mesma Direcção, acabando assim com aquilo que sempre foi a matriz do Banco Sol desde o início e foi um eixo social que, para além de gerar lucros, permitia também ajudar muitos empreendedores, pequenos negócios, cooperativas, famílias desfavorecidas, entre muitos outros.
Enquanto isso, este jornal sabe que o Banco Sol, anteriormente, já foi alvo de um processo de investigação pelo Banco Nacional de Angola (BNA) por alegados “conflito de interesses” na concessão de crédito aos accionistas e a membros da administração, tendo sido detectado factos descritos como “crimes de abuso de confiança” que terão sido remetidos à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Emboar a PGR tenha, na altura, garantido pronunciar-se sobre o caso, nada transpirou para o público, mas o tema “abuso de confiança” na gestão do Banco Sol, continua a ser motivo de especulações em diversos meios sociais.
A revelação das irregularidades ganharam maior destaque em 2019, ano em que o banco ainda estava a cargo de Coutinho Nobre Miguel, que era o presidente do Conselho de Administração (PCA). Além de ter sido PCA, Coutinho Miguel era também accionista, detendo uma participação de 3,91%, de acordo com o relatório e contas de 2018.
Desde a sua criação, o Banco Sol tem estado envolvido em diversas polémicas e tem sido referenciado como “propriedade de dirigentes do partido no poder”, servindo assim “interesses obscuros” de membros das elites no poder, bem como tem facilitado o processo de “branqueamento de capitais” que os mesmos obtêm de forma ilícita roubando o erário.
Os funcionários do Banco Sol, desde a anterior gestão de Nobre Miguel que se dizem agastados com o presidente do Conselho Executivo, Teodoro Lima da Paixão Franco Júnior, a quem acusam de utilizar o banco em seu benefício e dos membros do Conselho de Administração, bem como para favorecer indivíduos e entidades que lhe são próximos em detrimento dos funcionários e da sociedade em si.
Por outro lado, uma fonte da direcção dos Recursos Humanos do banco disse que a problemática dos salários naquela instituição tem a ver com os gestores principais que só querem ver o seu próprio bem, enquanto os funcionários mendigam e sobrevivem de créditos dados pelo banco.
O Banco Nacional de Angola (BNA), nomeadamente, o seu Departamento de Conduta Financeira, tem recebido inúmeras queixas contra o Banco Sol, assim como de outros bancos, e não pode nem deve pactuar com as situações que são apontadas ao Banco Sol, devendo agir em conformidade com os seus estatutos e a lei.
Sobre “engenharias” do Banco Sol ou que são efectuadas através do referido banco, ainda há muito por dizer. Voltaremos co mais revelações em próximas edições!
Arrogância e falta de respeito
Enquanto isso, o Jornal 24 Horas, endereçou recentemente uma carta ao Presidente do Conselho de Administração do Banco Sol, considerando que de um tempo a esta parte a instituição bancária tem sido alvo de diversas acusações desabonatórias ao que deve ser o perfil de um banco, cuja responsabilidade social tem sido beliscada, com destaque para notícias que circulam nos últimos dias.
Para melhor esclarecimento da opinião pública e da sociedade angolana, evitando especulações, o Jornal 24 Horas, com base na sua linha de informar os factos com verdade e em respeito ao contraditório, apresentou o pedido para um encontro para que se pudesse esclarecer algumas questões que pedem resposta.
Contudo, até ao momento, a direcção do Banco Sol não se dignou em responder e simplesmente fomos ignorados, o que pressupõe arrogância e descarada falta de respeito!

(J24 Horas)
