Após a sua audição na Procuradoria-Geral da República (PGR), num contexto de crescente tensão política em torno da disputa pela liderança do MPLA, Higino Carneiro deverá realizar uma conferência de imprensa nesta quarta-feira, 13 de maio.
Higino Carneiro, candidato à sucessão de João Lourenço na presidência do MPLA, foi formalmente notificado para comparecer na PGR às 09h00 desta quarta-feira (13), para “tratar de assuntos do seu interesse”, sem que o motivo específico tenha sido detalhado, de acordo com informação a que se teve acesso.
Segundo assessores do general, que interpretam a convocatória como uma tentativa de condicionar a sua candidatura, a conferência de imprensa poderá ser decisiva para esclarecer a posição de Higino Carneiro sobre a notificação; os próximos passos da sua candidatura e a eventual leitura política deste processo.
Tudo indica que as próximas horas serão determinantes no xadrez político angolano.
A decisão de João Lourenço (re)candidatar-se à presidente do MPLA no IX Congresso do partido, agendado para dezembro de 2026, anunciada pelo próprio, no sábado, 9 de maio de 2026, durante a reunião extraordinária do Bureau Político do partido, realizada em Luanda, está a ser motivo de diversas conjeturas sobre a alegada democracia no MPLA, assim como a (in)dependência dos órgãos de justiça em relação ao poder politico.
Os processos contra Higino Carneiro não passam de manobras que visam retirar do jogo um adversário que se posicionou contra o atual modelo que rege o partido e a forma como tem sido governado o país.
Apesar de se dizer o contrário, os órgãos de justiça em Angola, PGR, tribunais e outros, são dependentes de “ordens superiores” do poder político, atuando com dois pesos e duas medidas.
A dita democracia interna no MPLA não passa de mera fachada, tal como as múltiplas candidaturas.
Fala-se em múltiplas candidaturas, dá-se a entender à opinião pública que o partido está aberto para o jogo democrático, mas antes mesmo que o jogo comece surge a ameaça: “Quem ousar candidatar-se é contra, é traidor e sofrerá as consequência da sua ousadia”!
De imediato, os “laboratórios da mentira” começam a “fabricar” factos para desestabilizar, queimar, conspurcar e afastar quem se atreva a considerar-se pretendente a liderar o partido. É o velho “modus operandis” do MPLA.
Muitos dos seus membros, a nível das esferas superiores e de decisão, podem até não concordar com os procedimentos, mas ninguém tuge nem muge. Para não perderem as benesses que o poder lhes confere. Também porque quem discordar abertamente, ou afastar-se, será tido como traidor, inimigo, e passa logo a ser “tratado” pelos “laboratórios” que, num instante, lhes imputarão todo tipo de sujeira, com direito a destaque nos principais noticiários dos órgãos públicos, redes sociais e outros.
Os militantes que pretendem ser candidatos à sucessão do atual presidente, face ao anúncio de João Lourenço em candidatar-se ele próprio à sua sucessão, passam agora a ver as suas candidaturas como meras “animadoras da festa”, porque, logo à partida, toda a máquina já está a ser montada para favorecer o próprio.
As marchas de suposto apoio a serem realizadas no sábado, 16 de maio, manobradas pelo Bureau Político para parecerem manifestações de “livre e espontânea vontade” dos militantes, são bem uma demonstração disso.
Assim sendo, as eleições para presidente do MPLA, será apenas uma manobra para parecer o que não será, pois o vencedor já tem nome!
O assunto não se esgota por aqui! Continuaremos a acompanhar ao detalhe e voltaremos! (J24 Horas)
