A nova Inspetora-geral da Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE), Felisberta Maria da Costa, ao momento contrário dos elogios proferidos pelo Presidente da República, João Lourenço, na sua tomada de posse, começa o seu consulado atormentada por acusações de roubo.
O assunto levanta muitaa dúvidas em meios da sociedade que questionam como poderá fiscalizar, com rigor e isenção, a gestão dos recursos do Estado, uma pessoa que, enquanto PCA do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), é acusada de manipular o crédito, garantido a 88 produtores de tomate, que deveriam fornecer o produto à fábrica de concentrado de tomate, inaugurada em Fevereiro último, no município do Dombe Grande, província de Benguela, que contra todas as expectativas, está paralisada por falta de matéria-prima.
Na altura, a então PCA da FADA garantiu empréstimos avaliados em 25 milhões de kwanzas, para cada um dos 88 agricultores, para a compra de sementes, fertilizantes e instalação de sistemas de irrigação.
Entretanto, apenas 30 dos 88 agricultores selecionados beneficiaram dos referidos empréstimos, concedidos em “condições pouco habituais” e sem títulos de concessão de terras.
Felisberta da Costa referiu que “os documentos seriam passados pela Administração Municipal e substituíriam o título do concessão, avançando que o FADA acautelara imprevistos como calamidades naturais e pragas que atacam o tomate.
Quanto à renegociação do financiamento e a implementação do seguro agrícola, Felisberta da Costa afirmou que seriam as medidas para contrapor efeitos das calamidades numa região com histórico de culturas arrasadas pelas cheias no rio Coporolo.
Pouco tempo depois, a situação não evoluiu como se anunciou, as pragas tomaram conta da situação e a fábrica não recebeu o tomate necessário para produzir a propalada massa de tomate “Ombelela”. Estando sem operar por algum tempo, o equipamento fabril pode ter problemas que vão implicar mais despesas para a sua recuperação.
Sublinhe-se que, além do concentrado de tomate, será produzido sumos e vizinhos de ananás.
A fábrica custou ao Estado angolano cinco milhões de dólares e foi adquirida pelo Grupo Adérito Areias (GAA) no quadro das privatizações efectuadas pelo IGAPE.
A situação do anunciado “crédito ao tomate”, além dos muitos constrangimentos que criou, porque grande parte do dinheiro que devia chegar aos agricultores esfumou-se sem explicação, derivou também em grande descontentamento entre quantos estavam expectantes em dar o seu contributo para o desenvolvimento agrícola e fabril da região e do país.
Não havendo “fumo sem fogo”, alega-se que muitos outros casos idênticos precisam de esclarecimento.
Diante deste imbróglio, a questão que se levanta é: Será a nova Inspetora-geral um “lobo em pele de cordeiro? Que IGAE teremos agora?!” (J24 Horas)
