O SINPES promete que a greve vai continuar, enquanto que, em Malanje, a universidade avança para a eleição dos seus dirigentes
O Sindicato dos Professores do Ensino Superior (SINPES) denunciou “acções de intimidação” contra professores em greve e admitiu convocar manifestações na próxima semana, devido à falta de sinais concretos do Governo sobre as suas reivindicações.
Segundo António Augusto, porta-voz do SINPES, alguns professores do ensino superior público, em greve por tempo indeterminado desde 03 de Janeiro passado, estão a ser “coagidos para leccionar sob pena de verem os seus salários suspensos e até mesmo expulsos”.
O sindicalista e docente universitário, que se diz “preocupado” com a situação, elucida que os actos de coação foram registados em algumas regiões académicas de Angola, “mas providências têm sido tomadas e situações do género vão sendo ultrapassadas”.
O sindicalista diz que não vão suspender a greve até que tenham alguma informação das autoridades para a classe docente.
“A greve foi convocada em assembleia e para a suspensão ou levantamento é necessário uma informação, é isso que estamos a exigir e o estado não dá”, disse.
Enquanto isso, a eleição dos reitores das universidades e dos outros órgãos directivos das instituições do ensino superior públicos é uma das exigências do caderno reivindicativo do Sindicato Nacional dos Professores (SINPES) daquele subsistema de ensino em Angola.
Depois da universidade da Huíla ter anunciado que vai eleger os seus dirigentes, agora em Malanje o processo eleitoral na Universidade Rainha Njinga A Mbande foi aberto terça-feira (15).
O reitor interino da universidade de Malanje, Eduardo Ekundi Valentim, apresentou a comissão eleitoral que integra seis membros, presidida pelo professor Guilherme Pereira.
O órgão que conduzirá o sufrágio para a escolha do reitor da universidade e do seu adjunto, do conselho geral, do senado, dos decanos, vice-decanos, directores gerais e respectivos adjuntos e dos membros das assembleias das unidades orgânicas, foi apresentado na terça-feira (15).
Eduardo Ekundi Valentim apresentou as condições para os concorrentes à reitoria da Universidade Rainha Njinga A Mbande, à luz do novo regime jurídico do subsistema do ensino superior e do regulamento geral para as eleições nas instituições públicas.
“São elegíveis para o cargo de reitor qualquer docente (…) que esteja nas duas categorias de topo, do professor catedrático e o professor associado, que pode estar em qualquer instituição de ensino superior”, explicou.
O círculo eleitoral para escolha dos membros do conselho geral é composto por 45 eleitores, enquanto para o senado 9 votantes.
A Universidade Rainha Njinga A Mbande não foi afectada pela greve convocada pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior por congregar no seu quadro docente 69 professores, dos quais 50 expatriados e 18 nacionais, maioritariamente colaboradores.
A universidade reúne as unidades orgânicas: Faculdade de Medicina, os institutos de Tecnologia Agro-alimentar e o Politécnico, com os pólos I e II com 3. 500 estudantes. (In VOA)