Ouvi dizer que os Craques da Combal serão homenageados no próximo domingo, dia 29 de Agosto, na Rua 3, no Bar do Kito, irmão do Patrício. Fiquei muito feliz com a notícia e decidi antecipar-me à homenagem, trazendo à memória alguns dos homens e jogadores que fizeram história naquela equipa.
Quando comecei a saber das coisas, logo na primeira metade da década de 80, dei de encontro com um clube que treinava praticamente “à porta de casa”. O campo ficava a cerca de 200 metros. Eram os Craques da Combal, uma formação patrocinada pela fábrica de Bolachas e Massa Alimentar, situada na zona do Grafanil-Bar.
As bases estavam criadas. E, muitos anos depois, começaram a aparecer os resultados.Foi assim que vimos André Venceslau Manganga “Celau” jogar ao mais alto nível em Portugal e representar Angola no Mundial de 2006, na Alemanha, onde estive em serviço. E permitam-me aqui uma confidência.Na véspera do jogo da primeira-mão, Chade- Angola, da pré-eliminatória de acesso à fase de grupos, fui intimado pelo meu editor, Pedro da Ressurreição, a entrevistar Ismael Kurtz, que orientava os Palancas Negras.
Cheguei cedo, bem antes das 6 h já que o grupo que estava lojado no hotel Palanca devia sair antes das 7h.Na conversa curta, Kurtz disse-me:”Essa geração vai qualificar-se para o Mundial. Posso já não estar aqui, mas vai dar resultados.”E assim foi.No meio daquela geração estavam alguns dos antigos Craques da Combal, entre eles Stopirra – Edgar Gerónimo “Dadão”, que acabou por sair do grupo por opção técnica.Mesmo que nem todos tenham chegado ao Mundial, muitos deles tiveram carreiras de grande destaque.
Adolfo “Scura” brilhou no Progresso do Sambizanga.Cacharamba representou o Progresso e o Petro de Luanda.Júlio jogou no Interclube de Luanda.E tantos outros seguiram caminhos que, de uma forma ou de outra, levaram consigo a marca daquela velha escola de futebol do Rangel.
Hoje, quando se fala dos Craques da Combal, não estamos apenas a falar de uma equipa de futebol.Estamos a falar de uma escola de vida.Estamos a falar de uma época em que as empresas apoiavam o desporto, os bairros produziam talentos e os campos de terra eram verdadeiras academias.Estamos a falar de treinadores que trabalhavam por paixão, de miúdos que jogavam por amor à camisola e de famílias inteiras que se mobilizavam aos domingos para apoiar os seus.Estamos a falar de memória.Estamos a falar do Rangel.
Craques da Combal, vocês valorizaram o nome do nosso bairro.Levaram para outros campos aquilo que aprenderam nas ruas e nos campos do Rangel.Alguns chegaram a Portugal, outros aos grandes clubes nacionais e alguns chegaram mesmo ao palco maior do futebol mundial.Por isso, antes da homenagem oficial, deixo aqui a minha singeladeixo aqui a minha singela homenagem.
Que surjam muitos Mister Bento pelo Rangel, por Luanda e por Angola inteira.Que voltemos a acreditar na formação.Que voltemos a investir nos nossos campos, nos nossos treinadores e, sobretudo, nos nossos miúdos.Porque, às vezes, aquilo que parece apenas um pequeno clube de bairro é, na verdade, a primeira página da história de um grande jogador.
