Luís John, atual Presidente da Federação Angolana de Ju-Jitsu, tem sido acusado de cometer diversas irregularidades institucionais, causando preocupação nas associações filiadas e no corpo diretivo da federação. O presidente tem convocado associações sem legitimidade legal para participarem de assembleias, onde deveriam ser discutidos os direitos das associações devidamente legalizadas e filiadas à federação. Esse ato ocorreu na cidade de Benguela, no município sede, nos dias 24 e 25 de agosto, às 10 horas, no Residencial Weza.
Durante a assembleia, Luís John impediu que jornalistas acompanhassem as atividades públicas, que estavam programadas para ocorrer no domingo, às 10 horas. A polícia estava presente no local para garantir a ordem e tranquilidade, mas foi erroneamente informada de que sua presença não era necessária, sob a alegação de que tudo estava sob controle. No entanto, surgiram conflitos, incluindo agressões físicas, contrariando a versão apresentada à polícia.
Banda Fernandes, Presidente da Associação Provincial de Ju-Jitsu de Luanda, declarou à imprensa que os jornalistas foram barrados durante o evento: “Viemos para Benguela a convite da mesa da assembleia da Federação Angolana de Ju-Jitsu, para participar da assembleia de encerramento do quadriênio 2020-2022 e da abertura do quadriênio 2024-2028. Infelizmente, o que presenciamos foi desolador. A mesa da assembleia estava totalmente subordinada ao presidente e a alguns membros da direção da federação, ignorando sistematicamente os estatutos e as leis, para atender aos interesses da direção atual.”
Segundo Banda, houve pressão constante sobre a mesa, levando à alteração de pautas importantes, com o objetivo de favorecer a atual direção da FAJUS (Federação Angolana de Ju-Jitsu). “Chegamos ao ponto de ignorar pontos cruciais da agenda, como a constituição da comissão eleitoral, o que gerou confusão e até agressões físicas entre representantes das províncias de Benguela e Huíla. A situação saiu de controle e a assembleia foi interrompida sem solução. Viemos de longe para resolver um problema que acreditávamos poder ser tratado com calma, mas nos deparamos com desrespeito às leis e aos estatutos.”
Fernandes também mencionou que episódios semelhantes já haviam ocorrido em outras assembleias, como no Cuando Cubango, onde delegados e até o vice-presidente da federação foram impedidos de participar. “Hoje, vimos algo ainda pior: a polícia foi impedida de entrar quando lá dentro havia desordem, e a imprensa foi barrada, o que levanta suspeitas de que algo está sendo ocultado.”
Ele ressaltou a necessidade de intervenção do Ministério de Tutela para mediar as próximas assembleias e evitar mais conflitos. Fernandes criticou a postura do presidente da mesa, João Norton, por se subordinar ao presidente da federação, mesmo durante eventos públicos. “Começamos a assembleia com cinco horas de atraso, às 15 horas, porque o presidente da federação não estava presente. A reunião, que deveria ser objetiva, estendeu-se até a meia-noite sem qualquer conclusão. Apenas discutimos um ponto da pauta, e o presidente, que não tem direito a voto, influenciou diretamente as decisões da mesa.”
Fernandes ainda denunciou a inclusão de associações não legalizadas na assembleia, utilizadas para manipular decisões, como a aprovação de relatórios financeiros. “Entregaram um relatório de prestação de contas sem os devidos comprovativos, violando a lei, que exige que os documentos sejam apresentados com antecedência de 15 dias antes da reunião. O uso de recursos públicos deve ser transparente e respeitar os princípios legais, mas não tivemos acesso aos comprovantes, o que levanta sérias suspeitas.”
O Presidente da Associação Provincial de Ju-Jitsu de Luanda finalizou pedindo ações da polícia contra membros da federação envolvidos nas agressões e ressaltou a importância da imprensa em fiscalizar a gestão da FAJUS, que parece estar tentando esconder irregularidades.

