Apesar do que o Grupo diz ser a benignidade da reestruturação concluída com resultados robustos reconhecidos até pelo auditor externo, sucessivas alegações procuram, nos últimos meses, retratar a companhia como uma empresa em dificuldades ou refém de um pretenso declínio, o que, instado pelo Jornal de Angola, o director de Comunicação, Marca e Responsabilidade Social (DCMRS) da Sonangol, Dionísio Rocha Júnior, desvalorizou, considerando ser apenas uma “narrativa de crise que não resiste aos factos”.
Em entrevista a este jornal, a fonte declarou que “o que alguns insistem em chamar declínio das operações petrolíferas é, na realidade, uma transformação estratégica sustentável e alinhada com as melhores práticas globais do sector energético”, disse, advertindo que “confundir evolução com declínio também é uma forma de desinformação”.
As declarações de Dionísio Rocha Júnior, uma fonte autorizada da Sonangol, procuram resumir o momento vivido pela petrolífera angolana que, em Fevereiro último, assinalou o seu quinquagésimo aniversário, entre outras actividades, com uma conferência de imprensa em que o presidente do Conselho de Administração, Gaspar Martins, anunciou números da evolução virtuosa do negócio, depois confirmados pelo Relatório e Contas de 2025 apresentado a 17 de Março.
“Não é um colapso, ao contrário do que sugerem análises desactualizadas ou parcialmente informadas: o Grupo tem demonstrado resiliência, transparência crescente e capacidade de gerar valor mesmo em contextos adversos”, sublinhou.
Dionísio Rocha Júnior apontou que a evolução da Sonangol reflecte uma tendência global das grandes petrolíferas, que é a de diversificar fontes de receita para garantir maior estabilidade financeira e sustentabilidade a longo prazo e o facto de parte significativa dos lucros vir, hoje, de dividendos e participações estratégicas “não representa fragilidade, constituindo, ao contrário, visão empresarial assertiva num mercado energético mundial cada vez mais volátil”.
Lembrou que resultados consolidados de 2025, apresentados em Março de 2026 (o fecho de contas mais rápido da empresa na última década), apontam para que a Sonangol registou um lucro líquido de 946 milhões de dólares e um EBITDA de cerca de 2,6 mil milhões de dólares, números alcançados num cenário internacional adverso, com uma redução de cerca de 14 por cento no preço médio do petróleo bruto.
“As receitas provenientes de investimentos internacionais, serviços de gestão e activos financeiros demonstram que a Sonangol continua a expandir a sua influência económica além da exploração petrolífera tradicional. Este posicionamento permite reduzir riscos associados às oscilações do preço do petróleo e fortalecer a nossa capacidade de investir em sectores fundamentais para o desenvolvimento de Angola”, sublinhou o director.
A fonte assinalou que o Conselho Fiscal da empresa, no seu parecer relativo às contas de 2025, reconheceu que o desempenho económico “revelou resiliência”, com o resultado líquido do exercício a crescer 17,2 por cento face ao período anterior, apesar da redução do volume de negócios e da pressão sobre receitas petrolíferas, além de destacar a manutenção de resultados operacionais positivos, com contributo relevante do segmento Corporate , dividendos, ganhos financeiros e resultados de empresas participadas.
Auditoria ao invés dos achismos
Num plano mais estrutural, a Sonangol tem acelerado a melhoria do seu relato financeiro, disse o director, realçando que os processos de fecho de contas dos últimos exercícios foram acompanhados por uma redução consistente da exposição do Grupo a matérias susceptíveis de reserva, incluindo a resolução de temas históricos identificados em exercícios anteriores, uma evolução que permitiu eliminar integralmente as reservas nas unidades core e reduzir em cerca de 90 por cento as matérias susceptíveis de reserva nas unidades non-core .
Segundo Dionísio Rocha Júnior, a Sonangol mantém-se como um dos maiores motores do crescimento económico nacional, contribuindo para a estabilidade financeira, geração de emprego, captação de investimento e projecção internacional do país, com um desempenho que, em 2025, garantiu 65,2 milhões de barris de direitos líquidos de produção nacional, exportou 124,7 milhões de barris de crude e registou avanços significativos na autossuficiência de combustíveis, com a Refinaria de Cabinda a inaugurar a sua primeira fase (30 mil barris por dia) e a Refinaria de Luanda a processar um recorde de 17,2 milhões de barris, além de que a capacidade de armazenamento em terra cresceu 91 por cento face a 2024, atingindo 1.218.411 metros cúbicos, impulsionada pelo Terminal Oceânico da Barra do Dande.
Na área das energias limpas, a Planta Fotovoltaica de Caraculo (25 MW) injectou 39.363 MWh na rede, evitando a emissão de mais de 31 mil toneladas de gás carbono (CO₂), e a empresa expandiu-se à mobilidade eléctrica com a primeira estação de carregamento no Kilamba Kiaxi.
“É curioso como alguns preferem interpretar resultados positivos como ameaça, em vez de os reconhecerem como uma evolução positiva, porque num sector global volátil, gerar valor através de investimentos, parcerias e gestão estratégica não é fraqueza, é inteligência corporativa. A Sonangol continua a provar, com números auditados e não pelos achismos, que permanece um dos maiores pilares económicos do país e uma empresa cada vez mais preparada para o futuro”, afirmou.
