Num contexto em que foi anunciada a entrega da candidatura do General na reforma Higino Lopes Carneiro, à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), na próxima quinta-feira, 25 de Junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) voltou a notificar Higino Carneiro, na terça-feira, 23 de Junho corrente, para responder a uma acusação por peculato e branqueamento de capitais na sexta-feira, 26 de Junho. Segundo Paulo Guimarães, assessor do pré-candidato à presidência do MPLA, a candidatura ao IX Congresso do MPLA será entregue na quinta-feira.
“Não altera nada. Entregaremos a candidatura no dia 25 e no dia 26 iremos responder à PGR”.A notificação judicial surgiu um dia após ter sida anunciada a conclusão da recolha de assinaturas. O assessor disse ainda que a acusação não compromete a candidatura.A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que Francisco Higino Lopes Carneiro foi formalmente notificado no âmbito do processo-crime n.º 46/19, conduzido pelos Serviços do Ministério Público junto da Câmara dos Crimes Comuns do Tribunal Supremo.
Na mesma esteira, no passado dia 13 de Maio, Higino Carneiro, candidato à sucessão de João Lourenço na presidência do MPLA, foi ouvido na PGR sobre “assuntos do seu interesse”, sem que o motivo específico tenha sido detalhado, de acordo com informação a que se teve acesso. Na altura, os assessores do general, que interpretaram a convocatória como uma tentativa de condicionar a sua candidatura.Entretanto, especula-se que, desta feita, face ao que está a ser considerado como maior “atrevimento” de Higino Carneiro em insistir na sua candidatura e pela grande aderência popular que está a conquistar, alguma manobra já terá sido preparada pelos “laboratórios da mentira” para que Higino Carneiro fique retido na PGR e não volte para casa.
“Os processos contra Higino Carneiro não passam de manobras que visam retirar do jogo um adversário que se posicionou contra o atual modelo que rege o partido e a forma como tem sido governado o país”, afirmam especialistas do cenário político angolano.De acordo com as suas análises, “os órgãos de justiça em Angola, PGR, tribunais e outros, são dependentes de ‘ordens superiores’ do poder político, atuando com dois pesos e duas medidas”.”A dita democracia interna no MPLA não passa de mera fachada, tal como as múltiplas candidaturas”, consideram, acrescentando que “fala-se em múltiplas candidaturas, dá-se a entender à opinião pública que o partido está aberto para o jogo democrático, mas antes mesmo que o jogo comece surge a ameaça: ‘Quem ousar candidatar-se é contra, é traidor e sofrerá as consequência da sua ousadia’!” Nesse sentido, “os ‘laboratórios da mentira’ começam logo a ‘fabricar’ factos para desestabilizar, queimar, conspurcar e afastar quem se atreva a considerar-se pretendente a liderar o partido. É o velho ‘modus operandis’ do MPLA”, sublinham.
Os analistas referem ainda que muitos dos membros do MPLA, a nível das esferas superiores e de decisão, “podem até não concordar com os procedimentos, mas ninguém tuge nem muge, para não perderem as benesses que o poder lhes confere. Também porque quem discordar abertamente, ou afastar-se, será tido como traidor, inimigo, e passa logo a ser alvo de ‘tratamento’ dos referidos ‘laboratórios’ que, num instante, lhes imputam todo tipo de sujeira, com direito a destaque nos principais noticiários dos órgãos públicos, redes sociais e outros”.
Assim sendo, os militantes que pretendem ser candidatos à sucessão do atual presidente, face à decisão de João Lourenço candidatar-se à sua própria sucessão, passam a ver as suas candidaturas como meras “animadoras da festa”, porque, logo à partida, toda máquina já está a ser montada para favorecer o próprio. (J24 Horas)
