Início Política DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO, PRESIDENTE DA REPÚBLICADE ANGOLA E PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DA UNIÃO AFRICANA, NA PRIMEIRA SESSÃO DA CIMEIRA DO G20

DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO, PRESIDENTE DA REPÚBLICADE ANGOLA E PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DA UNIÃO AFRICANA, NA PRIMEIRA SESSÃO DA CIMEIRA DO G20

por Editor

SESSÃO UM – TEMA:


“Crescimento económico inclusivo e sustentável que não deixa ninguém para trás: Construindo as nossas economias; o papel do comércio;


Financiamento do desenvolvimento e o peso da dívida”

Sua Excelência Cyril Ramaphosa, Presidente da República da África do Sul e Presidente do G20;


Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo dos países membros do G20;


Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo dos países Convidados do G20;


Excelentíssimos Chefes de Delegação; Minhas Senhoras, Meus Senhores.


Excelências,

Permitam-me expressar a minha mais profunda gratidão ao nosso anfitrião, Cyril Ramaphosa, Presidente da República da África do Sul, pela calorosa hospitalidade brindada a mim e aos membros da minha delegação.

A Presidência rotativa do G20 que Vossa Excelência assume a partir de hoje, sob o lema Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade, que ecoa a filosofia africana do Ubuntu “Eu sou porque Tu és”, recorda-nos que a interdependência e a acção colectiva sob a égide das instituições multilaterais constituem o único caminho viável para enfrentarmos os múltiplos desafios do nosso tempo.

A Presidência sul-africana do G20 é a que vai trazer ao de cima as prioridades africanas e sendo a primeira realizada no nosso continente, quero saudar a sua liderança e o seu compromisso.

Excelências,

Hoje, África encontra-se no centro dos esforços geopolíticos, económicos e sociais e a sua integração no G20 colocou o continente numa posição de destaque no âmbito do multilateralismo.

As actuais dinâmicas económicas e sociais globais, bem como a necessidade da implementação tanto da Agenda 2063 da União Africana como da Agenda 2030 das Nações Unidas, impõem o fortalecimento do diálogo sobre o Crescimento Económico Inclusivo e Sustentável no âmbito dos quadros globais existentes.

Actualmente, África está a implementar uma estratégia macroeconómica pró-activa no continente.

É importante haver uma sensibilização coordenada para a mobilização de recursos internos. Isto constitui o alicerce da nossa resiliência, sendo crucial para a reconstrução do espaço orçamental e reduzir as dependências externas, sobretudo num contexto marcado por um acentuado declínio da Ajuda Pública ao
Desenvolvimento.

Devemos envidar esforços para financiar o nosso próprio destino. Neste capítulo, temos vindo a dar passos decisivos para a criação das Instituições Financeiras da União Africana.

Estamos a acelerar a transformação e a diversificação económicas, protegendo, assim, as nossas rotas de desenvolvimento perante os choques externos.
Simultaneamente, estamos a concretizar a Zona de Comércio Livre Continental Africana, uma contribuição de África para a economia global, o que permitirá gerar um crescimento resiliente e inclusivo, criando um mercado de $3,4 triliões e proporcionando a diversificação vital necessária para a estabilização das cadeias de abastecimento globais.

Exortamos o G20 a encarar esta iniciativa não apenas como um projecto africano, mas como uma contribuição essencial para a estabilidade do comércio mundial.

Excelências,

Enquanto a África implementa estas estratégias continentais, mantemo-nos firmemente comprometidos com o multilateralismo e reiteramos o nosso veemente apelo à implementação das reformas da Arquitectura Financeira Internacional, reafirmando o nosso pleno apoio ao reforço do sistema global de comércio baseado em regras, nomeadamente através dos processos de reforma em curso na
Organização Mundial do Comércio.

O maior constrangimento à ambição africana é o défice de financiamento acessível. O G20 registou avanços louváveis por meio do Roteiro dos Bancos Multilaterais de
Desenvolvimento, reformas que apoiamos plenamente.

Contudo, é imperativo que se acelere a implementação destas estratégias e, neste sentido, apelamos a um aumento significativo e célere do montante de capital
acessível.

É fundamental que o acesso seja reforçado, priorizando o financiamento em moeda local, para mitigar riscos nos investimentos e salvaguardar as nossas economias perante a volatilidade.

Além disso, acolhemos com grande apreço o Quadro de Engajamento G20-África proposto, enquanto mecanismo de médio prazo indispensável para assegurar que o apoio do G20 seja coordenado e direccionado de forma eficaz para projectos continentais de elevado impacto.

Isto coloca-nos perante o maior obstáculo sistémico que a África enfrenta para alcançar o crescimento inclusivo e o desenvolvimento sustentável, pois a questão da dívida, que está associada a juros elevados e a custos insustentáveis do seu serviço, estão a comprometer investimentos essenciais na saúde, na educação e na adaptação às alterações climáticas.

Perante esta constatação, é fundamental que se tenha em conta que devemos avançar para acções decisivas no que concerne à reestruturação da dívida.

Importa dizer aqui que, ao nível continental, aprovámos no início do mês passado a
Posição Comum Africana sobre a Dívida, assente na Declaração de Lomé.
Reiteramos o nosso apelo para que o Quadro Comum do G20 seja implementado com maior urgência e transparência, assegurando um alívio profundo aos países com dívida insustentável.

Exortamos o G20 a apoiar a modernização das práticas das Agências de Notação de Crédito, de modo a corrigir eventuais enviesamentos e a assegurar que as avaliações considerem métricas de desenvolvimento mais abrangentes.

Por fim, a União Africana endossa plenamente as recomendações constantes dos Relatórios do Painel de Peritos Africanos e da Comissão Extraordinária de Peritos Independentes sobre a Desigualdade de Riqueza Global, apelando ao G20 que transforme os compromissos assumidos em acções que conduzam à sua implementação resoluta e coordenada.

Muito Obrigado pela Vossa Atenção.

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