Germano Simedina Tchetchembe, o jovem que ficou conhecido como o “Activista do Povo” na sequência da detenção do grupo de defensores/as de direitos humanos em Angola, um caso que ficou conhecido como 15+2, actualmente a residir no Brasil, continua atento à situação no país e tem desenvolvido uma intensa actividade, em conexão com jovens activistas e defensores dos Direitos Humanos de diversos países, em prol da melhoria dos direitos dos cidadãos em Angola.
O jovem Germano Simedina Tchetchembe, ao contrário das acusações de que foi alvo, nunca foi apologista de processos violentos para defender as suas ideias, causas e/ou situações que queria ver melhoradas.
No auge do movimento revolucionário no país, ou seja, do activismo pelos direitos humanos, participou em diversas manifestações na capital, Luanda, primando sempre por uma postura ética, evitando turbulências e aconselhando os companheiros para não entrar em confronto directo com as forças de defesa e segurança, para evitar situações piores e que não levariam a atingir os objectivos das suas reivindicações.
Calmo e conciliador, foi sempre defensor de estratégias cautelosas para contrapor a violência dos órgãos de defesa e segurança que, na opinião dos activistas e não só, “tem violado sistematicamente o direito de reunião e manifestação, consagrado na Constituição da República de Angola”.
Depois da prisão dos activistas do caso “15+2”, um processo que a opinião pública em geral considerou “uma farsa judicial”, Germano passou a andar de bairro em bairro, falando com os cidadãos, principalmente com os jovens, no sentido de apelarem para maior abertura de espaço cívico e consolidação do processo democrático, em prol da defesa dos seus direitos, mas de forma pacífica, cívica, sem arruaças, sem a destruição de bens públicos, para que não dessem motivos às autoridades de arranjar pretextos para usarem a violência que, além de levar para a cadeia pessoas inocentes, também já matou vários jovens.
A sua mensagem, simples, clara, apela à firmeza, mas também à prudência, porque o objectivo é incentivar as pessoas e organizações da sociedade civil a participarem no sistema democrático.
Segundo o activista, a democracia não se pode fazer apenas com uma voz, “faz-se com várias vozes e num clima de tolerância, onde aprendemos a ouvir opiniões diferentes e a conviver com essas diferenças filosóficas, independentemente dos nossos princípios ou da nossa cor partidária, assim é que se faz a democracia”.
Foi nessa intensa actividade de sensibilizar, mobilizar e esclarecer as pessoas pelos bairros da periferia de Luanda que ganhou o apelido “Activista do Povo”, passando a ser muito estimado pelos populares.
Pelo reconhecimento popular ao seu trabalho nos últimos tempos, o seu nome foi marcado pelas autoridades que em vez de entenderem a sua missão de paz, de cidadania, passaram a considerá-lo como “criminoso”, acusado de caluniar e difamar o Governo e de constituir “associação criminosa” para incentivar a violência contra as instituições do Estado.
Há cerca de um ano, em Junho de 2023, Germano Simedina Tchetchembe, o “Activista do Povo”, ausentou-se do país via República Democrática do Congo (RDC), onde se juntou a activistas locais.
Porém, mesmo em território congolês não teve paz, a perseguição continuou e viu-se obrigado a procurar outras paragens e enfrentou duras adversidades até chegar ao Brasil.
Naquele país membro da CPLP e com uma vasta comunidade angolana, o “Activista do Povo” não esmoreceu e continua a espalhar a sua mensagem, afirmando que “o estado democrático de direito e os direitos humanos em Angola atravessa um momento, infelizmente, muito débil”.
Em seu entender, a sociedade angolana está a regredir em termos democráticos, “a liberdade de imprensa e de expressão está pior, os jovens estão limitados e sem esperança, o desemprego, a miséria, o aumento da delinquência e da prostituição, o tráfico de drogas, de órgãos e de seres humanos, tudo isso são atropelos à democracia e aos direitos humanos, infelizmente estamos a regredir”, referiu Germano Simedina Tchetchembe.
Germano chama a atenção do Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço para que se inverta o quadro actual o mais rapido possível e que se dê mais espaço à sociedade civil. “Isso é importante e é possível, não é apenas trabalho do Executivo, mas de cada um de nós”, frisou.

