Hoje, quinta-feira, 3 de Setembro de 2026, vivi um daqueles momentos que o futebol nos proporciona e que ficam guardados para sempre na memória.Recebi no meu gabinete, em Luanda, um jovem adepto do Kabuscorp do Palanca que, há dias, surpreendeu o país ao invadir o campo não para criar confusão, não para provocar ninguém, mas movido por uma emoção que, para muitos, pode parecer difícil de explicar.Ele queria apenas uma coisa: abraçar-me.
E não era um abraço qualquer. Era o abraço de um jovem que decidiu tatuar no próprio peito o meu rosto, como demonstração da admiração que sente por mim e pelo Kabuscorp do Palanca.Quando o vi diante de mim, lembrei-me de que, por detrás de cada adepto, existe uma história. Existem sonhos, dificuldades, esperanças e, muitas vezes, uma enorme vontade de vencer na vida.Naquele momento, percebi que aquele jovem não tinha ido ao campo apenas para abraçar o presidente do seu clube.
Ele procurava também uma oportunidade para mudar a sua vida.Disse-me que gostaria de trabalhar como jardineiro na minha casa, confesso que aquela atitude me tocou profundamente.Por isso, Decidi ajudá-lo.Garanti-lhe uma oportunidade de emprego e igualmente, um apoio financeiro para que possa começar esta nova etapa da sua vida.Não fiz isto apenas porque ele tatuou o meu rosto no peito. Fiz porque acredito que, quando temos a possibilidade de estender a mão a alguém que precisa, devemos fazê-lo.A tatuagem ficará no peito dele. Mas o gesto que hoje fizemos juntos também ficará marcado no meu coração.
Quero que este jovem compreenda que há sempre uma porta que pode abrir-se, desde que exista vontade de trabalhar, respeito e determinação.E ao jovem que hoje recebi no meu gabinete, digo apenas:Meu filho, o abraço que me deste no campo foi recebido. Hoje, devolvo-te esse abraço em forma de oportunidade. Trabalha, honra a confiança que estamos a depositar em ti e nunca deixes de acreditar em ti próprio. E essa história, certamente, não termina hoje.
Bento Kangamba
