Início Mundo PUTIN COLHE O QUE PLANTOU: ATAQUES UCRANIANOS PROVOCAM CRISE DE COMBUSTÍVEIS NA RÚSSIA

PUTIN COLHE O QUE PLANTOU: ATAQUES UCRANIANOS PROVOCAM CRISE DE COMBUSTÍVEIS NA RÚSSIA

por Editor

Vladimir Putin reconheceu, no domingo, 28 de junho, que a Rússia enfrenta uma escassez de combustíveis, depois de sucessivos ataques ucranianos contra refinarias, depósitos, instalações energéticas e rotas de abastecimento.

Foi uma admissão rara e politicamente significativa: durante meses, o Kremlin procurou minimizar as consequências da campanha ucraniana de longo alcance, apresentando-a como militarmente irrelevante e incapaz de afectar seriamente a economia russa.

Numa reunião dedicada ao abastecimento do mercado interno, Putin admitiu que os problemas continuam tanto para os automobilistas como para as empresas:

«Infelizmente, ainda há filas nas bombas de gasolina, e o tipo necessário de gasolina nem sempre está disponível.»

O presidente russo reconheceu igualmente as dificuldades enfrentadas pelo sector agrícola e anunciou que uma força de intervenção governamental está a trabalhar permanentemente para estabilizar o abastecimento. Moscovo já suspendeu as exportações de gasolina e de combustível para aviação e admite agora impor também uma proibição total às exportações de gasóleo.

A crise deixou de estar limitada a regiões periféricas. Há relatos de postos encerrados, vendas condicionadas, filas prolongadas e aumentos de preços em várias partes do território russo, incluindo zonas do sul, da Sibéria e até da região de Moscovo.

Na Crimeia — território ucraniano anexado ilegalmente pela Rússia em 2014 — as autoridades instaladas por Moscovo declararam uma situação de emergência económica. A venda de combustível a particulares chegou a ser suspensa, enquanto serviços públicos, transportes, comércio e atividades turísticas foram reduzidos devido à escassez de gasolina e às perturbações no fornecimento de eletricidade.

Na mesma noite, a Ucrânia anunciou ter atingido duas refinarias russas: uma em Slavyansk-na-Kubani, na região de Krasnodar, a cerca de 300 quilómetros da frente de combate, e outra na região de Yaroslavl, aproximadamente 700 quilómetros da fronteira ucraniana.

O ataque à refinaria de Slavyansk provocou um grande incêndio. Segundo as autoridades russas, uma pessoa morreu e outra ficou ferida numa localidade próxima. A dimensão total dos danos ainda não foi confirmada de forma independente.

Volodymyr Zelensky declarou:
«Cada ataque significa uma redução dos recursos que alimentam a máquina de guerra russa e mais um passo em direcção à paz.»

Kyiv, capital da Ucrânia, chama a estas operações «sanções de longo alcance»: ataques concebidos para reduzir a produção de combustíveis, limitar receitas, perturbar a logística militar e obrigar a Rússia a deslocar sistemas de defesa aérea para proteger refinarias e instalações industriais no interior do país.

Putin, porém, tentou manter duas narrativas simultâneas. Por um lado, afirmou que os ataques ucranianos à infraestrutura russa não têm «absolutamente nenhum efeito» na situação da frente de combate. Por outro, convocou reuniões sobre o abastecimento, reconheceu filas e escassez, criou uma força de intervenção, proibiu exportações de gasolina e admitiu restringir também as de gasóleo.

Quando um governante afirma que os ataques não produzem efeito algum, mas mobiliza de emergência o Estado para conter esses mesmos efeitos, já não estamos apenas perante propaganda de guerra: estamos perante uma contradição exposta pelos próprios factos.

A guerra que Putin levou à Ucrânia regressa agora ao interior da Rússia sob a forma de escassez, insegurança e desgaste económico. Quem transforma o território alheio num campo de ruínas não pode esperar que a sua própria sociedade permaneça eternamente protegida das consequências. (Fonte: Luís Carlos Matos)

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