Início Desporto  “Sanguessugas” da Pátria que não apoiaram a Selecção Nacional agora querem ser heróis

 “Sanguessugas” da Pátria que não apoiaram a Selecção Nacional agora querem ser heróis

por Redação

A Selecção Nacional de Angola de Futebol (Palancas Negras), que participa na Copa (Taça)  Africana das Nações (CAN) está a ser alvo de diversos aproveitamentos políticos, a maioria dos quais, senão todos, “bastante sujos”.

Os Plancas Negras chegaram aos oitavos de final e defrontam este sábado (27) a congênere da Namíbia, visando os quartos de final.

A trajectória da Selecção Nacional nesta campanha não foi nada fácil. O conjunto nacional viveu momentos dramáticos, a pontos de passar humilhações por alegada falta de verbas.

A dado momento aventou-se mesmo a hipótese de desistência. Gente houve que disse que os Palancas iriam ao CAN para “não fazer nada” e, sendo assim, para não se “gastar dinheiro em vão”, melhor seria que não fossem. 

As peripécias vividas pela Selecção, atletas e equipa técnica, mesmo depois de apurados para disputar a fase final na Côte D’Ivoire, ante a indiferença dos governantes, incluindo da própria ministra da Juventude e Desportos, que não teve argumentos para pôr “pontos nos is e traços nos tés”, foi simplesmente vergonhoso, sobretudo para um país que alardeia ser um exemplo de organização e que já esteve presente em um Mundial de Futebol.

Graças a empenhados aficcionados do desporto angolano, em especial do futebol, graças à determinação do presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur de Almeida e Silva e sua equipa, foi possível, através de empréstimos, fazer com que a Selecção fizesse um curto estágio no exterior do país, que poderia ter sido melhor se o Estado tivesse disponibizado verbas a tempo e horas.

Infelizmente, há sempre dinheiro para coisas sem prioridade e que depois acaba nos cofres dos “marimbondos”, do que para um assunto de interesse nacional.

A Selecção, bem liderada por Pedro Gonçalves, que está a demonstrar porque é que escolheu os elementos com que compôs  a equipa nacional, que a princípio não terá agradado determinados críticos, chegou à Costa do Marfim e começou a brilhar.

A partir daí, já passou a ser  a “selecção de todos nós”; um “factor de unidade nacional”, motivo de “correntes positivas” de apoio, etc, etc, etc.

Quem tem acompanhado a transmissão dos jogos pela TPA, é testemunha do alto índice de aproveitamento que os governantes passaram logo a fazer, a que os apresentadores dos jogos, numa bajulação sem vergonha, têm feito eco. “Está em linha o ministro fulano.., está a assistir o jogo dos Palancas o Governador do… a Primeira-Dama está com a Selecção… o deputado fulano parabeniza a Selecção… é preciso passar uma forte corrente positiva para apoiar os bravos rapazes…”.

É tanta bazófia, que té parece que cada governante quer dar mais show, repetindo as mensagens, com os locutores a tecerem floreados ao seu nome!

Os governadores todos de Cabinda ao Cunene têm sido referenciados nessas mensagens, mas quando a Selecção apelava por apoios, não houve ninguém que mobilizasse recursos à nível das províncias que dirigem, ou ao menos, sensibilizassem o empresariado local para ajudar.

O mesmo se passa com o Sr. ministro dos Recursos Naturais, Petróleo e Gás, que não moveu um dedo sequer para que as empresas ou instituições do seu peloro dessem um apoio, mínimo que fosse, à FAF e à Selecção Nacional.

A Ediama, a Sonangol e outras, tais como as grandes superfícies comerciais ninguém tugiu ou mugiu!

Agora todos são patriotas puros, são mais empenhados que os outros e até já dão opiniões e, como sempre, aproveitam para colher os louros, passar a imagem de cidadãos  dignos.

Para os oitavos de final e, quiçá, os quartos, as mensagens estão já na forja, cada uma mais retumbante, mais efervescente que a outra e assim por diante!     

Felizmente, para os angolanos abnegados e sofredores, os Palancas Negras estão realmente a fazer uma boa campanha que orgulha o nosso futebol, o nosso desporto, o nosso povo e o País.

Os jogadores e a equipa técnica são os verdadeiros heróis.  Um bem haja a Artur Almeida e Silva e seus colaboradores, assim como aos verdadeiros patriotas angolanos que acreditam e sempre dão o litro em prol da nação.

Aos “sanguessugas” da Pátria fica a lição dada pelos Palancas. Que venham mais vitórias!

 (J24 Horas)

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