A República de Angola propõe cessar-fogo entre o Governo da República Democrática do Congo e o movimento rebelde M23 a partir das 12 horas do próximo dia 18 de fevereiro
A proposta surge na sequência do encontro realizado na segunda-feira (9), em Luanda, que reuniu o Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, o Presidente da República do Togo, Faure Essozimna Gnassingbé, o Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, e o ex-Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo.
De acordo com um comunicado da Presidência angolana, a proposta está pendente de um pronunciamento público das partes sobre a aceitação da data.
Entretanto, o anúncio relativo ao início da fase preparatória do diálogo inter-congolês, a decorrer na capital angolana, será feito “oportunamente”.
Na segunda-feira, Angola foi mandatada para dar início a consultas com todas as partes congolesas interessadas, para a criação de condições e realização do diálogo intercongolês.
Angola tem assumido um papel ativo na mediação do conflito no leste da RDCongo, a par de outros parceiros internacionais, procurando promover uma solução política e o regresso à estabilidade na região, palco de confrontos recorrentes entre as forças governamentais e o grupo armado M23.
A actividade armada do M23 – um grupo constituído principalmente por tutsis vítimas do genocídio ruandês de 1994, que, segundo o Governo congolês, tem o apoio do Ruanda, recomeçou em novembro de 2021 com ataques contra o exército governamental no Kivu do Norte, tendo avançado em várias frentes e ameaçando escalar para uma guerra regional.
Angola assumiu inicialmente um papel de liderança central na mediação do conflito no leste da RDCongo, sobretudo a partir de 2022, quando o Presidente João Lourenço foi designado mediador da União Africana para o dossier RDCongo-Ruanda, tornando Luanda no principal palco das negociações regionais.
Com o agravamento da crise e a persistência do conflito, outros parceiros internacionais ganharam protagonismo, em particular os Estados Unidos e o Qatar, que acabaram por formalizar entendimentos específicos – nomeadamente o Acordo de Washington e o Acordo-Quadro de Doha – para promover um cessar-fogo efectivo e criar condições para uma solução política duradoura, assente no respeito pela integridade territorial da RDCongo. (J24 Horas)
