Um Superintendente-chefe, identificado por Valdemiro Bengui, vulgo “Barbosa”, afecto ao Comando provincial de Malanje da Polícia Nacional, fazendo uso de uma arma de fogo (pistola), disparou à queima-roupa, por puro capricho, contra o cidadão André Augusto Miguel “Toy”, seu amigo.
Era um dia de festa, 14 de Setembro de 2025, comemorava-se o aniversário da Comandante municipal do Rangel da Polícia Nacional, Clélia Quissanga, no espaço do Clube de Ténis, à Cidadela Desportiva.
Entre os diversos convivas estavam os dois amigos: o Superintendente-chefe Valdemiro Bengui “Barboosa” e André Augusto Miguel “Toy”, chefe de Departamento de Marketing do Clube Desportivo 1° de Agosto.
Valdemiro estava acompanhado por “uma das suas mulheres”, identificada por Beatriz. Em meio à animação, um indivíduo tocou no cabelo dela, o que não agradou a Valdemiro, que pediu a André Miguel “Toy” que chamasse a atenção do mesmo.
Toy assim o fez, tendo o outro reconhecido o erro, dizendo que confundira Beatriz com outra pessoa e pediu desculpas, que foram imediatamente transmitidas a Valdemiro. Este, porém, insurgiu-se contra a companheira, desconfiado de que haveria alguma ligação entre os dois e ameaçou-a de morte empunhando a pistola.
Ante a aflição da mulher, que pedia a sua intercessão, Toy tentou acalmar o amigo que respondeu: “Se não mato ela, então mato-te a ti” e disparou friamente. A bala atingiu o pescoço de Toy que caiu no chão.
Valdemiro foi detido e André Augusto Miguel “Toy” foi transportado para o hospital Josina Machel e, posteriormente, transferido para o hospital Militar.
Passados cerca de seis meses, o estado de Toy é bastante crítico. O tiro no pescoço afetou a medula espinal e perdeu todos os movimentos e apenas se mantém deitado, inerte, o que está a causar feridas nas costas devido a posição estática em que permanece. A equipa médica afirma que o seu estado é irreversível.
Entretanto, o causador dessa tragédia apenas ficou detido dois dias e foi posto em liberdade sob Termo de Identidade e Residência (TIR) pelo juiz de Garantia Sadrack José Kiteke.
A família, preocupada com a situação, teme que a “culpa morra solteira”, porquanto o Procurador municipal do Rangel limitou-se a encaminhar o processo ao juiz de Garantia e terá “pecado por defeito”, ou seja, considerou o caso como “ofensa à integridade física”, quando na realidade tratou-se de “tentativa de homicídio qualificado”, embora frustrado, mas que inutilizou a vida de um homem, um pai de família, para sempre.
Além das diversas testemunhas, entre as quais a própria Comandante Clélia Quissanga, o autor do disparo é confesso.

Nestas circunstâncias, o indivíduo devia estar em prisão preventiva. Contudo, explica a família, ao longo de cerca de seis meses o processo estagnou sob alegações de averiguação que não colhe.
Enquanto isso, o indivíduo vai ligando para a esposa do lesado fazendo ameaças e a família teme que ele possa atentar contra algum deles, pelo que alertam as instâncias superiores para esta perigosa situação.
Diante dos factos, levaram o caso à Procuradoria Militar junto do Comando provincial de Luanda da Polícia Nacional, onde o caso corre os seus trâmites.
A família reitera os seus apelos pedindo por maior celeridade no tratamento do caso, assim como pedem a intervenção do Ministro do Interior e do Comandante Geral da Polícia Nacional, para que se faça de facto justiça e o culpado pague pelo crime cometido.
Este jornal soube também que o referido Superintendente-chefe Valdemiro Bengui “Barbosa”, foi suspenso de exercer funções pelo Comando provincial de Malanje, por ter desviado para parte incerta algumas viaturas da corporação, enquanto responsável pelos transportes daquele comando.
Voltaremos com mais desenvolvimentos em próximas edições! (J24 Horas)

