Início Saúde DIA NACIONAL DA SAÚDE ,13 DE DEZEMBRO DE 2025MENSAGEM DE S. EXA. MINISTRA DA SAÚDEPOR OCASIÃO DO DIA NACIONAL DA SAÚDEE DOS 50 ANOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE (1975–2025)

DIA NACIONAL DA SAÚDE ,13 DE DEZEMBRO DE 2025MENSAGEM DE S. EXA. MINISTRA DA SAÚDEPOR OCASIÃO DO DIA NACIONAL DA SAÚDEE DOS 50 ANOS DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE (1975–2025)

por Editor

No dia 13 de Dezembro, data em que Angola assinala o Dia Nacional da Saúde, celebramos igualmente uma das mais nobres conquistas da nossa Independência Nacional: a criação do Sistema e do Serviço Nacional de Saúde. Esta efeméride assume um significado particularmente simbólico no ano em que o País comemora 50 anos de Independência, reafirmando a saúde como pilar essencial da soberania nacional, da justiça social e do desenvolvimento humano sustentável.

A história do Sistema Nacional de Saúde confunde-se com a própria história da Nação Angolana. É uma história marcada por enormes desafios, mas também por coragem, visão política e um compromisso inabalável com a vida, com o direito fundamental à saúde e com a dignidade de cada cidadã e de cada cidadão, sem exclusões e sem deixar ninguém para trás.

À data da Independência, em 1975, Angola herdou um sistema de saúde profundamente desigual, frágil e concentrado nos centros urbanos. O País dispunha de pouco mais de uma centena de unidades sanitárias e apenas 19 médicos nacionais. Os indicadores de saúde eram alarmantes: a mortalidade infantil atingia 134,5 por mil nados-vivos e a mortalidade em menores de cinco anos ultrapassava os 200 por mil. Era um contexto sanitário extremamente adverso, que exigia decisões políticas firmes, estruturantes e visionárias.

Foi neste cenário que, a 13 de Dezembro de 1975, Sua Excelência o Presidente da República, Dr. António Agostinho Neto, promulgou a Lei n.º 9/75, criando o Sistema Nacional de Saúde e consagrando a saúde como direito fundamental do ser humano, com acesso universal e gratuito, assente nos Cuidados Primários de Saúde como base do sistema. Este princípio estruturante foi reafirmado na Lei Constitucional de 1992 e consolidado na Constituição da República de Angola de 2010.

Durante os longos anos de conflito armado, o Sistema Nacional de Saúde enfrentou constrangimentos severos. No final da guerra, cerca de 80% da rede sanitária encontrava-se destruída ou inoperante, marcada pela escassez de recursos humanos, medicamentos e equipamentos. Ainda assim, graças à resiliência dos profissionais de saúde angolanos e ao apoio da cooperação internacional, o sistema manteve-se em funcionamento, garantindo assistência às populações mais vulneráveis, mesmo nas condições mais difíceis.

Com a conquista da Paz, a 4 de Abril de 2002, iniciou-se uma nova etapa da história nacional. O País lançou um vasto processo de reconstrução, normalização institucional e regresso das populações às suas áreas de origem. O Sector da Saúde assumiu um papel central na consolidação da paz, na reconstrução do tecido social e na recuperação da confiança das comunidades.

Ao longo das últimas duas décadas, Angola investiu de forma contínua na expansão e consolidação do Sistema Nacional de Saúde. Foram construídas, reabilitadas e ampliadas milhares de unidades sanitárias, aproximando os serviços das populações e reforçando os Cuidados Primários de Saúde como eixo estruturante. O número de unidades sanitárias passou de 2.612 em 2017 para 3.355 em funcionamento em 2025, com mais de metade concentradas na atenção primária.

O período entre 2017 e 2025 representa o maior ciclo de transformação estrutural, modernização e reforma do Sistema Nacional de Saúde. Sob a liderança firme e visionária de Sua Excelência o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, a saúde passou a ocupar um lugar central na agenda social do Executivo. Mesmo num contexto de crise económica e de sucessivas emergências sanitárias, como a pandemia da COVID-19, surtos de febre-amarela, malária e cólera, o sistema demonstrou resiliência, não colapsou, respondeu às crises e saiu mais forte e mais preparado.

Os resultados são concretos e traduzem-se em vidas salvas. A mortalidade infantil, a mortalidade em menores de cinco anos e a mortalidade materna registaram reduções significativas, enquanto a esperança média de vida passou de 41 anos, em 1992, para 64,6 anos em 2025. Estes números representam famílias protegidas e um futuro mais promissor para Angola.

Hoje, o Serviço Nacional de Saúde conta com mais de 44.000 camas hospitalares, incluindo mais de 1.600 camas de cuidados intensivos. O investimento em especialização médica, equipamentos de alta complexidade e inovação tecnológica permitiu reduzir em mais de 70% as evacuações médicas para o exterior, assegurando que mais de 80% dos casos complexos sejam tratados em território nacional.

Angola entrou decisivamente na era da inovação em saúde, com a introdução da cirurgia robótica, a expansão da telemedicina, a digitalização dos serviços e o reforço da Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública, fortalecendo a soberania sanitária e a qualidade dos cuidados prestados à população.

O capital humano tem sido o centro desta transformação. Entre 2017 e 2024, foram enquadrados 46.604 novos profissionais de saúde, aumentando a força de trabalho do sector em 43,6%. Até 2025, mais de 12.000 profissionais beneficiaram de formação pós-graduada no País e no exterior, 62% dos quais mulheres, reafirmando o compromisso com a equidade de género.

Neste contexto, colocamos hoje ao serviço das comunidades os primeiros 399 especialistas em Medicina Geral e Familiar, formados no âmbito do Programa Emergencial de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde, financiado pelo Banco Mundial e impulsionado estrategicamente por Sua Excelência o Presidente da República.

Este investimento prevê a formação de 38.000 profissionais até 2028, com especial enfoque nos cuidados intensivos e nas necessidades reais da população.A criação do Centro Nacional de Operações de Emergências em Saúde Pública (COESP) e dos centros provinciais, aliada ao fortalecimento da vigilância epidemiológica, elevou Angola a um novo patamar de preparação e resiliência sanitária. No combate à cólera, o País mobilizou 3,6 milhões de doses de vacina oral, alcançando coberturas superiores a 95% nas zonas mais vulneráveis, num exemplo claro de coordenação multissectorial eficaz e compromisso com a vida.

Neste Dia Nacional da Saúde, rendemos uma homenagem sentida a todos os profissionais de saúde que, desde 1975, nunca desistiram de servir o Povo Angolano. Com o seu trabalho, dedicação e espírito de missão, construíram e continuam a fortalecer o Sistema Nacional de Saúde.

Reafirmamos que investir na saúde é investir no futuro de Angola. Estamos a construir um sistema de saúde mais forte, mais justo, mais moderno e mais próximo das pessoas, orientado para a Cobertura Universal de Saúde, com dignidade, equidade e humanidadeEstamos

a construir um sistema de saúde que protege a população, inspira confiança e gera progresso para todas as gerações.Luanda, 13 de Dezembro de 2025Dr.ª Sílvia Paula Valentim LutucutaMinistra da Saúde da República de Angola.

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