Angola assinalou no dia 1 de Dezembro o Dia Mundial de Luta contra a SIDA com uma cerimónia central realizada em Luanda, sob o lema “Vencer Desafios para Fortalecer a Resposta ao VIH”. O acto, promovido pelo Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), do Ministério da Saúde, destacou o compromisso contínuo do Governo angolano com a protecção dos direitos humanos, a inclusão social e o combate ao estigma e à discriminação dirigidos às pessoas que vivem com VIH.
Na ocasião, a directora do INLS, Dra. Lúcia Furtado, que representou a ministra da Saúde, salientou que a data é um momento de “reflexão, solidariedade e esperança”, sublinhando os avanços registados por Angola nos últimos 35 anos em matéria de prevenção, diagnóstico e tratamento, alinhados às recomendações internacionais. O país apresenta actualmente uma prevalência estimada de 1,6% (IIMS 2024–2025), uma das mais baixas da África Subsaariana, num contexto em que cerca de 370 mil pessoas vivem com VIH.
Apesar do progresso, a responsável alertou que a conquista da meta global 95-95-95 até 2030 requer a superação de desafios como o limitado financiamento, barreiras culturais e legais, estigma, discriminação e lacunas no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.Destacou
também a evolução na prevenção da transmissão de mãe para filho, cuja cobertura já atinge 79%, superando a média global de 76%.
Durante o evento, a directora da ONUSIDA em Angola, Hege Wagan, chamou a atenção para a crise mundial de financiamento prevista para 2025, advertindo que os cortes internacionais podem colocar em risco décadas de conquistas no combate ao VIH. Ainda assim, reconheceu a resiliência de Angola, enalteceu o empenho do Executivo e das comunidades, e sublinhou iniciativas como a campanha “Uma Geração Livre de Sida até 2030”, liderada pela Primeira-Dama da República, Dra. Ana Dias Lourenço. Wagan apelou ainda ao reforço do financiamento interno e à adopção de tecnologias inovadoras, incluindo tratamentos de longa duração como a Lenacapavir.
No quadro das comemorações, o INLS garantiu que não existe qualquer ruptura de stock de preservativos no país, assegurando que os produtos continuam a ser distribuídos regularmente em todas as províncias através das unidades sanitárias, programas comunitários e parceiros de saúde pública. O Instituto reiterou que os preservativos são disponibilizados gratuitamente em centros de saúde, hospitais e pontos comunitários autorizados, esclarecendo que não há qualquer evidência técnica ou institucional que sustente os recentes boatos sobre escassez.
As autoridades de saúde reforçaram o apelo à população para a adopção de comportamentos seguros, destacando a importância do uso correcto e consistente do preservativo, da realização regular do teste ao VIH e da procura atempada dos serviços de saúde como pilares fundamentais para a prevenção e controlo da epidemia.
As celebrações deste ano ganham um simbolismo especial por coincidirem com os 20 anos de existência do INLS e com o 50.º aniversário da independência nacional, reafirmando o compromisso de Angola com uma resposta mais robusta, inclusiva, sustentável e baseada em evidências científicas.
O INLS informa que, para mais esclarecimentos, os cidadãos podem contactar as linhas oficiais do Ministério da Saúde.

