O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, actualmente Presidente em exercício da União Africana, defendeu, a 15 do corrente mês de fevereiro, em Adis Abeba, a necessidade da criação de uma “estratégia bem definida” para que se alcançam benefícios significativos do facto de a UA integrar o G20.
Falando na 38.ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da organização continental, o Presidente João Lourenço declarou que Angola vai prestar especial atenção ao desenvolvimento de África, colocando ao dispor o excedente energético que tem, para a mitigação das necessidades de vários países neste domínio.
Enquanto isso, foi defendida pelos líderes africanos uma estratégia visando a construção de mais linhas de transporte de energias limpas e sustentáveis, com o objectivo de moldar o futuro de África.
A União Africana avançou que o plano em causa, inicialmente aprovado pelos ministros dos Transportes e Energia e Águas, em Dezembro de 2024, estava centrado em combustíveis, hidrogénio verde, eficiência energética e infra-estruturas climáticas inteligentes.
A organização continental, actualmente dirigida pelo Presidente angolano, João Lourenço, refere que a Estratégia Continental para Combustíveis de Aviação Sustentáveis (SAF) e Combustíveis de Aviação de Baixo Carbono (LCAF), adoptadas na Conferência, apoiam os objectivos de África de reduzir as emissões de carbono no sector de Aviação, ao mesmo tempo em que apoia o crescimento do sector de Aviação africano.
A UA destaca que o continente africano está projectado para experimentar um crescimento anual de 4 por cento no tráfego aéreo de 2018 a 2050, tendo reforçado que a estratégia SAF facilitará a criação de uma indústria ligada a este sector, para oferecer benefícios económicos significativos e criação de empregos. De acordo com estimativas de melhorias pela organização continental, que cita estudos feitos neste sentido, a Indústria de Combustíveis de Aviação Sustentável poderá gerar entre 11 e 20 milhões de empregos e ter um potencial de produção de 70 a 261 milhões de toneladas de SAF.
Na visão da União Africana, a Estratégia Africana de Hidrogénio Verde, também foi adoptada, marcando, assim, um passo crítico para alavancar o hidrogénio verde como uma fonte de energia limpa em todo o continente.
A União Africana refere que a estratégia visa posicionar o continente como líder na economia global de hidrogénio verde, reduzindo a dependência de fontes de energia tradicionais, assim como promover a segurança energética.
A Estratégia e Plano de Acção para Eficiência Energética Africana (AfEES) é outro documento que também foi adoptado na Conferência, no quadro da agenda energética da União Africana, para definir uma meta de alto nível de aumento da produtividade energética da África em 50 por cento até 2050 e 70 por cento até 2063, visando aumentar a eficiência energética em sectores como Energia, Transporte, Indústria, Edifícios e Agricultura.
Neste sentido, os líderes africanos defenderam uma estratégia, considerada inovadora, projectada com o avanço da integração, transformação económica e resiliência climática do continente.
Foi igualmente adoptada uma Política Continental, na linha do desenvolvimento sustentável de África, sobre Infra-estruturas Inteligentes e Resilientes ao Clima, incentivando o uso de soluções baseadas na natureza, tecnologias de baixo carbono e planeiamento inteligente, com vista ao aumento da resiliência e redução das emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com a União Africana, esta iniciativa vai fazer com que os países africanos adoptem esses princípios para atender às suas necessidades nacionais únicas, ao mesmo tempo em que beneficia a promoção do desenvolvimento de infra-estruturas inclusivas e inteligentes em termos de clima.
A Conferência adoptou também as Metas de Segurança de Abuja, revistas para melhorar a segurança da aviação em todo o continente africano. Essas metas actualizadas, que visam melhorar a navegação aérea e a segurança da aviação, alinham-se com as práticas globais e garantem que as melhores nações africanas atendam aos padrões em evolução da Organização da Aviação Civil Internacional.
João Lourenço assumiu a presidência da União Africana no dia 15 deste mês, em Adis Abeba, Etiópia, durante a 38.ª Conferência Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da organização , tendo eleito, como uma das bandeiras do seu mandato, a aposta na atracção de investimentos e de captação de recursos financeiros junto dos grandes parceiros internacionais, para que a organização estabeleça as bases e defina os projectos de infra-estruturas a serem executados.
No primeiro discurso de aceitação como líder da União Africana, João Lourenço referiu-se, igualmente, à necessidade da criação de uma estratégia “bem definida” para que se alcancem benefícios significativos do facto de a UA integrar o G20.
Este passo constitui uma conquista essencial para garantir que o continente africano seja parte activa nas decisões económicas globais. (J24 Horas)

