Início Sociedade Sub-comissário da PN envolvido no roubo, adulteração e contrabando de combustível

Sub-comissário da PN envolvido no roubo, adulteração e contrabando de combustível

por Redação

O comandante da Polícia Nacional do município do Talatona, sub-comissario Joaquim do Rosário, está a ser apontado de envolvimento em desvio, adulteração e contrabando de combustível, em conjunto com sua esposa, apenas identificada por Candinha. Ambos foram flagrados, em companhia de comparsas, a desviar e adulterar  combustível destinado aos caminhos-de-ferro para a província de Malanje.

Francisco Manuel

Infelizmente, muita gente ainda insiste em transformar Angola num ‘monte de carniça’ em que ‘os abutres debicam o seu bocado’. Contrariamente ao que dizia o Presidente Agostinho Neto, que se referia aos ‘abutres’ como sendo agentes estrangeiros ávidos em sugar as riquezas de países mais fracos, hoje por hoje, os ‘abutres’ que sugam as riquezas do país e delapidam o erário público são cidadãos nacionais, principalmente ligados às elites no poder e/ou titulares de cargos públicos.

Enquanto se fala em combate à corrupção, altos responsáveis continuam com práticas ilícitas, sem se importar com os danos que causam ao Estado e, consequentemente, ao desenvolvimento do país e bem-estar do seu povo.

De acordo com informações a que se teve acesso, uma equipa de agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda, flagrou quinta-feira (11), na residência do sub-comissário e comandante municipal de Talatona, no município de Cacuaco, propriamente na nova urbanização de Cacuaco,  133 barris de combustível de 250 litros cada, que teriam como destino o mercado do Luvo.

O negócio tem sido, supostamente, protagonizado pelo casal e, a referida comercialização no mercado acima citado, é feito pela esposa, enquanto o sub-comissário Joaquim do Rosário procede à protecção e garante que o gasóleo furtado chegue ao destino da venda sem quaisquer constrangimentos.

Segundo o que foi apurado pelos agentes do SIC Luanda, o referido combustível, proveniente da Sonangol,  é subtraído das cisternas  de abastecimento dos caminhos-de-ferro com destino à província de Malanje.

As referidas cisternas, antes de seguirem o seu destino principal, escalam a residência de Joaquim do Rosário, sendo subtraído de cada uma a quantidade de 1500 a 2000 litros de gasóleo.

Para disfarçar e manter a quantidade inicial nas cisternas, os larápios adicionam petróleo iluminante (de uso doméstico) na mesma proporção do gasóleo que for retirado em cada uma. Só depois  os camiões seguem em direcção ao seu destino, ou seja, a província de Malanje, carregados com um combustível de má qualidade, porque adulterado, o que causa avarias às máquinas, bem como enormes prejuízos ao estado angolano.

De acordo com uma nota do SIC, a rede foi desmantelada quinta-feira, através de um trabalho investigativo que envolveu a direção central de combate ao crime organizado, tendo os implicados sido flagrados a proceder à mistura de gasóleo e petróleo.

Assim sendo, foram detidos dois motoristas de camiões-cisterna de uma empresa de prestação de serviços, que depois de abastecidos a partir da Sonangol,  desviavam da rota para procederem ao transbordo do gasóleo para ser misturado com o petróleo na residência do sub-comissário Joaquim do Rosário, conforme já foi referido.

As investigações revelaram que o combustível depois adulterado era novamente carregado e já embalado em reservatórios de 20 mil litros, visando o seu transporte para a estação dos caminhos-de-ferro de Luanda, de onde seguia para a província de Malanje.

Refira-se que «a outra parte do combustível retirada e misturada era colocada em bidões de 250, 150 e 25 litros, para serem comercializados de forma informal no mercado do Luvo, província do Zaire e também em Luanda», salienta a nota.

Os envolvidos na operação de mistura de gasóleo e petróleo já se dedicam a esta acção criminosa há algum tempo a troco de 100 mil kwanzas por cada operação.

O SIC apreendeu também na mesma operação quatro camiões-cisterna, atestados com combustível, uma viatura, 133 bidões de 250 litros com combustível, duas cisternas cheias de petróleo, sendo uma de 20 mil e outra de 60 mil litros, duas eletrobombas, dois cofres, entre outros meios.

Os cidadãos detidos serão presentes ao Ministério Público, enquanto diligências prosseguiram neste sábado (13) para determinar e deter outros envolvidos.

O tráfico de combustível em Angola é um problema que as autoridades do país enfrentam há várias décadas, com apreensões regulares de elevadas quantidades de combustíveis que têm como destino maioritariamente a vizinha República Democrática do Congo e tem contado com a participação de governantes e altas patentes da Polícia e das Forças Armadas. Infelizmente, apenas a ‘arraia miúda’ tem sido detida.

 Nesta senda, fontes ligada ao SIC  Luanda, falando em off, garantem que os agentes que fizeram parte desta operação, receberam orientações superiores, propriamente da direcção provincial da referida instituição, para manterem em segrego o nome dos mentores da quadrilha de malfeitores, principalmente o do sub-comissário e comandante municipal de Talatona, Joaquim do Rosário, no sentido de salvaguardar a sua imagem, posição e ‘bom nome’ que, infelizmente, o mesmo não tem.

O país não pode continuar refém destes malfeitores de ‘colarinho branco’ que usam e abusam dos poderes que detêm para continuar a desgraçar o país. Medidas severas têm que ser tomadas, porque se assim não fôr, vai-se assistir sempre a este tipo de desmandos e abusos por parte de quem devia zelar pela lei, pelo correcto funcionamento das instituições e pelo bom nome do país.

Este sub-comissário, entre outros da sua igualha, tem que ser expulso imediatamente da corporação, julgado e condenado pelos seus crimes, também como forma de desencorajar outros.

Apela-se por isso, ao Chefe de Estado, o Presidente João Lourenço, também na sua qualidade de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, ao ministro do Interior, Eugénio Laborinho, ao Comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, ao Comandante provicial de Luanda, Eduardo Cerqueira, à Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE), e aos demais órgãos competentes, a tomarem uma posição concreta relativamente ao assunto, que lesa sobremaneira a imagem do sistema judicial em Angola, já tido como corrupto, da própria Polícia Nacional e de outros órgãos de soberania, sob pena da sociedade, em caso de impunidade, os considerar coniventes.

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