Início Sociedade SIC/Luanda não tem pistas dos «matadores» de seguranças escolares

SIC/Luanda não tem pistas dos «matadores» de seguranças escolares

por Redação

O mês de Agosto foi desastroso para os trabalhadores filiados no Sindicato dos Trabalhadores da Auto – Protecção na Educação (Sintape) em Luanda, pela morte de dois seguranças no município de Talatona sem que a polícia ou o Serviço de Investigação Criminal apareçam a público a esclarecer os reais motivos. Um morreu apedrejado e com golpes de faca e o outro foi encontrado estatelado no chão sem vida; mas não há qualquer pronunciamento das autoridades

Domingos Kinguari

Na escola 9020, na zona do Calemba-2, junto à loja da Pepy, um dos seguranças foi morto a tiro por meliantes que até hoje estão em parte incerta. O móbil do crime tem a ver com a pretensão de roubo de alguns haveres naquela instituição, mas perante a resistência do segurança os meliantes mataram-no a queima – roupa sem levarem os bens e a arma de fogo da vítima. 

O segurança morto trabalhava sozinho na escola e controlava vinte salas de aula e um quintal extenso. O protector, com idade de reforma, não conseguiu neutralizar os “amigos do alheio” que estão em parte incerta e continuam a semear o terror e dor a outras famílias.

O secretário-geral do Sintape, Abreu Cahanda, refere que as mortes têm acontecido no interior das escolas devido ao reduzido número de efectivos para dar resposta às invasões nocturnas. E as autoridades competentes não dizem nada, é como se a vida de um segurança não tivesse qualquer valor.

O mesmo esclarece que os agentes da auto – protecção escolar continuam a sofrer baixas no confronto com os ladrões, «porque trabalhamos em reduzido número numa escola de grandes dimensões. O mais grave, sem alimentação, com uma carga horaria de três a quatro dias no serviço; então, quando os meliantes chegam eles não têm tido muita reacção para dar resposta», enfatiza.

Continuando, afirma que «é urgente que os trabalhadores da Auto – Protecção na Educação tenham um estatuto sobre o seu funcionamento nas escolas públicas em Luanda. Este documento está em posse do Governo provincial há muitos anos e não aprovam o tal estatuto por capricho dos responsáveis da Direcção provincial de Educação e do Governo de Luanda», lamenta. 

«Até agora não é aprovado o estatuto, não sabemos  porquê; negociamos no dia 26 de Maio último, mesmo assim continuamos a registar mortes de agentes da auto- protecão. Os assaltantes levam as armas dos seguranças mortos e a polícia nunca esclarece o desaparecimento destes meios e nem tão pouco os recupera. Isso está a acontecer porque não estamos a cumprir com as orientações do estatuto em posse do Governo provincial e a falta de um concurso público nesta área. Este ano o Ministério da Educação vai enquadrar novos professores e esquecem sempre em contratar pessoal para as escolas, quer novas e antigas. Os meios à disposição destas instituições estão em risco», alerta.

Segurança escolar pode “cruzar os braços”

Abreu Cahanda  afirma que «temos seguranças com setenta e sete anos de idade nos postos de trabalho, permanecem três dias sem comida e estão totalmente debilitados. Estes estão nos municípios de Icolo e Bengo, Quissama, Belas, Talatona, Kilamba – Kiaxi, Cacuaco e Luanda. Estamos preocupados, mas a direcção provincial de Educação de Luanda não quer saber da nossa classe. Nos próximos dias, provavelmente em Novembro, vamos ameaçar com mais uma paralização, devido o déficit de efectivos nas escolas da capital, porque mais de trezentos filiados, todos ex – militares já atingiram a idade de reforma». 

O sindicalista garante que, nas primeiras semanas do mês de Novembro, os filiados no Sintape podem paralisar as suas actividades «porque das nossas reivindicações o Governo não quer satisfazer os dois pontos principais. O Governo provincial, a direcção de Educação e o medianeiro que é o Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social, em concreto a Inspecção- Geral do Trabalho, não aceitam reunir com o sindicato para se ultrapassar com a reivindicação dos trabalhadores do sector. Acham que nós não temos nenhuma força. Caso paralisarmos já não vamos interpolar a greve, será feita uma paralisação total», assegura.   

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