Início Sociedade Sérgio Santos justifica mau estado das estradas com ‘bodes expiatórios’ que já ‘morreram’

Sérgio Santos justifica mau estado das estradas com ‘bodes expiatórios’ que já ‘morreram’

por Redação

O recente pronunciamento do ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, num encontro com empresários, de certa forma deu razão a determinadas críticas que visam os governantes angolanos, uns mais que outros, que os caracterizam como indivíduos desonestos, manipuladores, prepotentes e que se aproveitam dos cargos apenas para satisfazer as suas próprias vontades, em de trabalhar de facto pelo desenvolvimento do país em prol do bem-estar dos cidadãos.

Santos Pereira

Ministro da Economia foi muito infeliz em justificar a incapacidade e/ou inoperância do Executivo de que faz parte, ao referir que «não devemos comparar as estradas de Angola com as da Namíbia, porque quem construiu as estradas da Namíbia, foram os sul-africanos que destruíram as de Angola».

Como analistas do cenário político nacional têm dito amiúde, muitos dos ministros, entre outros governates angolanos, não conhecem o país, a sua trajectória desde a independência e muito menos a sua história. Parece ser o caso de Sérgio Santos.

Quando o ministro fala da destruição de estradas pelos sul-africanos, está a referir-se a que data? A que estradas? Quais são as estradas que existiam há mais de 30 anos e que foram destruídas pelos sul-africanos?

Saltou à vista que o Sr ministro queria ‘tapar o sol com uma peneira’ e, para justificar a incapacidade governamental, que infelizmente para os angolanos, é uma constante, foi buscar ‘bodes expiatórios’ que até ‘já morreram’. Por isso, a sua tirada não colhe!

Em resposta ao empresário Félix Mateus que levantou o problema do mau estado das estradas no país, criando os maiores transtornos às actividades empresarias, entre outras, durante um encontro de auscultação à comunidade empresarial no Cunene, Sérgio Santos disse que as estradas do país «não ficaram assim por acaso» e que «foram anos de destruição». «Não podemos pretender que acordamos e as nossas estradas já estão iguais às da Namíbia e da África do Sul».

O ministro ter-se-á ‘esquecido’ que essas mesmas estradas já tinham sido reabilitadas ou reconstruídas depois do alcance da paz em 2002, quando se propagou aos ‘quatro ventos’ que Angola era um ‘canteiro de obras’.

Infelizmente, por causa da ganância dos próprios governantes, foram ‘obras de esferovite’ que não tiveram a duração que se espera dessas infrastruturas, quando feitas com o rigor que devem merecer. Em pouco tempo, todas as estradas reabilitadas pelo país todo, incuindo pontes e pontecos, se esfarinharam, tanto as estradas de longo curso inter-provincias, como as do interior das cidades, incluindo ruas secundárias, terciárias e outras, basta ver o exemplo da do caos em que está a própria capital do país.

Em vez de buscar justificações irrisórias, Sérgio Santos deveria ter sido honesto e dizer que a situação chegou ao ponto em que está, porque os governantes que oantecederam, e também vários dos actuais, preferiram roubar as verbas cabimentadas aos diversos projectos, executando obras de ‘faz de contas’, em vez de trabalhar com seriedade, espírito de missão e patriotismo. 

Afirmar que o Governo «tem sido herói por causa dos anos de destruição das estradas de Angola fruto das invasões dos que saíram do sul», lembrando que quem fez as estradas da vizinha Namíbia «foram os mesmos que andaram a partir as estradas do Cunene», numa acusação implícita aos sul-africanos que invadiram Angola nas décadas de1970 e 1980, é de uma ingenuidade confrangedora para um ministro que integra o Executivo que governa Angola.

Quantas estaradas tinha e tem o Cunene? E se foram destruídas naquela época, um governo que é ‘herói’, com a riqueza que é explorada neste país, já as devia ter reconstruído. Mas, como já se disse, a estrada principal que parte da fronteira de Santa Clara, atravessa Ondjiva e liga com as províncias da Huíla e do Namibe, entre outras no interior do Cunene, já tinham sido reabilitadas, só que o fizeram com ‘material descartável’ que apenas durou alguns meses.

Para Sérgio Santos, nos últimos dez anos as coisas «correram um bocado mal» e o Presidente da República «está a corrigir», destacando que, no inicio deste Governo, foram destinados recursos para brigadas de estradas, mas, face ao mau estado das vias no Cunene e as dificuldades dos empresários, admitiu que «o Governo tem de pôr mais dinheiro nas estradas».

É caso para questionar: então o que foi feito das verbas já disponibilizadas para as ditas ‘brigadas de estradas’, se nada tem sido feito, ao menos para minimizar algumas situações pontuais? Acredita-se que a sociedade angolana está a ver o mesmo ‘filme’ anterior. Deixem de brincar com a inteligência dos angolanos!

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