Início Sociedade Rei do Bailundo ameaça “fechar as torneiras do céu” e privar a província do Huambo de chuvas durante dois anos

Rei do Bailundo ameaça “fechar as torneiras do céu” e privar a província do Huambo de chuvas durante dois anos

por Redação

O Rei do Bailundo, Armindo Francisco Kalupeteca “Ekuikui V”, ameaça privar a província do Huambo de chuva durante dois anos como forma de protesto à sua condenação pela juíza do Tribunal Provincial por crime de homicídio na sequência de um ritual tradicional.

Mwanza Mukondolo*

“Ekuikui V” continua a declarar-se inocente, após a sua condenação no dia 03 do corrente mês, pelo Tribunal Provincial do Huambo, na pena de seis anos de prisão efectiva, por ter orientado no dia 14 de Março de 2017, num ritual tradicional, agressão física que causou a morte do cidadão Kamutali Epalanga, de 54 anos.

Segundo notícias postas a circular, “Ekuikui V” terá dito que, durante o julgamento e a consequente leitura da sentença, a família do malogrado colocou-se a seu favor por não encontrar nenhum crime no acto tradicional  praticado.

«A justiça do nosso país é falsa e isso só consegui notar desta vez, porque quando mandam chamar, eles preparam uma folha branca como se fosse a assinar a presença, depois perguntam o que aconteceu na realidade e você vai detalhando o que aconteceu no terreno», disse.

Armindo Francisco Kalupeteca “Ekuikui V” lembrou que, mesmo a família do malogrado «não me tendo culpado porque viram que o Rei não estava envolvido», ainda assim, alegou o Rei, «o tribunal quando viu mesmo que eu não tinha culpa, foi a busca de factos falsos com o objectivo de encontrar um caso, inclusive pediu à TPA imagens, mesmo assim viram que o Rei não é culpado».

“Ekuikui V”, profundamente indignado, denunciou que as autoridades judiciais fizeram várias manobras com o objectivo de sustentar a sua condenação.

Para a juíza da causa, Maria Imaculada Lucinda, na altura da leitura da sentença, foi provado o envolvimento de Armindo Francisco Kalupeteka na morte de Kamutali Epalanga, acusado da prática de feitiçaria, que terá resultado na morte da neta de nome Adélia.

Armindo Francisco Kalupeteca “Ekuikui V”, explicou que, devido a sua condição de soberano tradicional, não pode ser julgado nem condenado por um tribunal civil, cabendo a tarefa às outras entidades tradicionais. «O que devia ser feito era chamar os outros Reis para que fosse julgado e não num tribunal civil, agora por falta de respeito de julgar um Rei, vai provocar essas coisas, os reis terão que vir e mandar chamar a juíza para mostrar o artigo onde ela encontrou que deve julgar um Rei e depois disso limpar a minha imagem», afirmou.

Altamente agastado, “Ekuikui V” exige um pedido de desculpas públicas pela juíza que o condenou, ao mesmo tem que ameaça afirmando que, se o mesmo não for cumprido, a província do Huambo poderá ficar dois anos sem ter chuva, o que poderá, como disse, «resultar em fome e desgraça no seio da população».

Continuando, referir que «são os reis que vão estipular a multa a ser paga, isto depois de terem feito a cerimónia; se isso não for feito, a chuva não vai cair nem este ano nem no próximo», praguejou “Ekuikui V”, ironizando que «com a Covid-19 podemos tapar a boca, mas não vai se conseguir impedir a fome».

Recorde-se que o crime ‘preterintencional’ aconteceu na Ombala do Bailundo, no dia 14 de Março de 2017, numa sessão de julgamento tradicional conduzida por Armindo Francisco Kalupeteka, durante o qual foi usada uma bengala, denominada “Ginga”, supostamente movida por forças ocultas para encontrar o culpado.

Na sequência, tendo a bengala ‘encontrado’ o dito ‘culpado’, o cidadão Kamutali Epalanga, acusado pela morte da sua neta,  o mesmo foi espancado até à morte.

Para além de Armindo Francisco Kalupeteka “Ekuikui V”, que deve pagar 150 mil kwanzas de taxa de Justiça, foi  condenado, à revelia, a uma pena de oito anos de prisão e ao pagamento de taxa de Justiça de 120 mil kwanzas, o prófugo David Salvador Mwangala, o curandeiro da Ombala.

Os dois co-réus pagarão ainda à família de Kamutali Epalanga a quantia de dois milhões de kwanzas. O co-réu Fernando Hossi, secretário da Ombala, identificado nos autos, foi absolvido, por não haver provas do seu envolvimento no crime. *(Com agências)

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