Início Sociedade Pela Covid-19 chineses da GHCB escravizam angolanos com a conivência de representante do MAPTSS

Pela Covid-19 chineses da GHCB escravizam angolanos com a conivência de representante do MAPTSS

por Redação

Os trabalhadores angolanos da empresa chinesa “Guangxi Hidroelectric Construction Bureau SA” (GHCB), estão confinados no interior daquela instituição há um ano e sete meses, violando os decretos presidenciais sobre a Covid-19, enquanto as autoridades mantêm-se num silêncio total, que está a ser entendido como um acto de cumplicidade com as atrocidades que aquela empresa efectua contra cidadãos nacionais. O confinamento data desde o Estado de calamidade decretado pelo governo angolano em 2020

Domingos Kinguari

A informação foi prestada ao Jornal 24 Horas online pelos trabalhadores confinados que estão desesperados pelo longo período de isolamento. Mas os confinados não sofrem de qualquer enfermidade para estarem isolados e separados das suas famílias.

Os mesmos acusam o antigo chefe de recursos humanos, identificado por Jorge, que em função de comportamentos desumanos que chegaram ao conhecimento da Embaixada da China e foi mandado de volta para o seu país.

Porém, o mesmo indicou a sua filha para o substituir no cargo e nas mesmas práticas. A sua filha é apenas identificado por Chasse, mas quem apadrinha a prática de “prisão ilegal” é um funcionário sénior do Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), colocado em Viana, identificado por Hélder Antunes.

Segundo os operários, Hélder Antunes é considerado o advogado da GHCB, que orienta os expatriados para não cumprirem com a lei. O confinamento de angolanos teve a sua iniciativa em conluio com o pai de Chasse, o antigo responsável dos recursos humanos, identificado pelo nome “angolanizado” de Jorge. 

Os trabalhadores não regressam às suas casas, porque têm a liberdade cortada sem qualquer justificação legal.  O referido Jorge, com ajuda de Hélder Antunes, alega(va)m para manter tais medidas descabidas, que a vacina que os angolanos estão apanhar tem apenas a duração de seis meses. «Em função deste confinamento nos sentimos prisioneiros dos chineses, não temos liberdade para sair e para comprar alguma coisa no mercado, nem para visitar nossos familiares e muito menos para ir resolver problemas domésticos», reclamam.

Os operários que falaram para a nossa reportagem através de uma ligação telefónica, esclarecem que «quando queremos ir a algum lugar, temos de nos fazer acompanhar de um ‘cipaio’ chinês que nos faz escolta e, se acontece ao contrário, somos obrigados a cumprir quarentena de quinze dias. Mas os chinês pode ir na rua ‘’kizombar’’ e nada lhe acontece. Quem não obedece sofre descontos  no salário, recebendo apenas o básico de vinte e cinco mil kwanzas», protestam.

Alguns dos trabalhadores que estavam a estudar, referem, viram-se obrigados a abandonar a escola porque não lhes foi permitido sair. No isolamento forçado estão mais de mil trabalhadores angolanos a viver em condições desumanas. A alimentação é feita pelos chineses, comem galinha com açúcar, e muitos estão a contrair diabetes, tuberculose e outras doenças. O óleo alimentar frito é usado várias vezes para confeccionar a alimentação dos angolanos.

Os trabalhadores acusam um chinês identificado por “Cristiano” de ser o principal ditador,  que obriga os angolanos a trabalhos forçados,  porque veem no cidadão nacional  força de trabalho barata; quem se recusa em cumprir as ordens sem qualquer fundamento “convincente” é expulso da empresa sem qualquer indemnização.

Representante do MAPTSS de Viana orienta chineses a não respeitar a LGT

Os trabalhadores da empresa GHCB, mesmo confinados, já apresentaram um caderno reivindicativo para ajuste salarial, mas o representante do MAPTSS em Viana, Hélder Antunes, orienta para que a empresa não cumpra com a exigência do sindicato.

O mais caricato é que o tal “advogado”, em vez de obrigar que se respeita a norma nacional, orienta a direcção daquela empresa para aplicar as leis chinesas, como se a GHCB estivesse fora de Angola. Para este tipo de prática desabonatória, Hélder Antunes recebe avenças calculadas em cinco milhões de Kwanzas para prejudicar os nacionais.

Os trabalhadores angolanos realçam que há oito anos que os salários não aumentam, porque o funcionário do MAPTSS alega que é uma orientação do seu Ministério para que não se pague condignamente o angolano, porque a escravatura ainda não terminou, sobretudo para os operários. «O chinês não deve olhar para horários no que toca a obras para os nacionais. Os nacionais não merecem assistências médica e social», acusam os trabalhadores.   

«Sofremos descontos inexplicáveis. A empresa não paga as férias que gozamos. Se paga, são poucas vezes, porque a maior parte das vezes pagam quando voltamos das férias, mas para alguns, não para todos e a empresa se recusa em entregar o recibo de salário», denunciam.

Voltando para a alimentação que os chineses dão aos operários angolanos revelam que « dão-nos alguns alimentos com datas vencidas e em mau estado de conservação, nomeadamente, a manteiga, salsichas em lata, feijão, fubá e peixe podre», acusam.

Os trabalhadores angolanos da GHCB estão confinados nas obras como se estivessem na época da escravatura. No escritório estão apenas os chineses que ocupam as áreas principais. Os nacionais estão restringidos às áreas da limpeza e, na recepção, tem uma tradutora que apenas é uma marionete. Os chineses chamam aos operários angolanos de “macacos” e nada lhes acontece.

A outra forma de neocolonialismo praticado pelos ‘’mafiosos’’ chineses em Angola, é que as folhas de salário e os comunicados são escritos em mandarim. Os salários são pagos a mão, nem pagam a segurança social. A Inspecção Geral do Trabalho quando aparece não contacta a comissão sindical da empresa, e quem sempre aparece é o “robot” dos chineses, o tal de Hélder Antunes, que não visita as instalações e fica no gabinete com ar condicionado. E depois saiem com os bolsos cheios de kwanzas e fazem um relatório bonito.

“Mafiosos” da GHCB amedrontam-se com a presença do jornalista

Na passada quinta-feira 04 do corrente mês, o Jornal 24 Horas online, deslocou-se às instalações dos “mafiosos” chineses que aprisionaram mais de mil angolanos com o consentimento de um funcionário sénior do MAPTSS.

Como primeiro obstáculo, não permitiram a nossa entrada na empresa e fomos recebidos pela chefe de recursos humanos da GHCB, Chasse, na porta, onde conversamos. Ela começou por dizer que as acusações não correspondem à verdade e o confinamento foi feito com o consentimento dos trabalhadores.

Apresentou-nos um documento escrito em mandarim, que verificamos ter apenas alguns dados em português. Mas apuramos que nenhum trabalhador que está em confinamento assinou tal documento.

A chefe de recursos humanos fazia-se acompanhar por uma tradutora identificada apenas por Tânia, que não fazia uma tradução fiel e escondia as nossas perguntas. A mesma cidadã, também chinesa, deixava de ouvir as nossas questões e fazia muitos telefonemas, que entendemos que alguns eram  para o suposto “advogado” e  “menino de recado” Hélder Antunes.

A chefe de recursos humanos não aceitou de forma nenhuma receber-nos no seu gabinete e a conversa foi mantida no portão da empresa GHCB.

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