Início Sociedade Médicos marcham em protesto e solicitam diálogo ao Presidente

Médicos marcham em protesto e solicitam diálogo ao Presidente

por Redação

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola agendou para sábado (19), uma marcha em solidariedade com o presidente do órgão, alvo de um processo disciplinar. Pede, entretanto, ao Presidente da República, um diálogo como o que tem mantido com os jovens.

Adriano Manuel, presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), é alvo de um processo disciplinar por alegada violação de sigilo profissional, há já quatro meses, que culminou com uma multa da sexta parte do seu vencimento mensal.
Segundo Pedro da Rosa, secretário-geral do SINMEA, o processo disciplinar foi instaurado na sequência de uma entrevista a um jornal, este ano, em que o sindicalista abordou a situação vivida nos bancos de urgência do Hospital Pediátrico David Bernardino (HPDB), dando conta da morte, em poucos dias, de 19 crianças naquela unidade hospitalar.
«Também se verifica a falta de ventiladores, nesse hospital chegavam muitas crianças em estado crítico, fruto de mau funcionamento do nosso sistema nacional de saúde, em que a periferia não funciona e chegavam a congestionar o HPDB», referiu.
Para o director do HPDB, «existem provas irrefutáveis» que o funcionário faltou com o sigilo profissional, ao passar as informações ao jornal. «Mas nós, o sindicato, discordamos plenamente, porque o doutor Adriano apenas falou como sindicalista», disse Pedro da Rosa.
De acordo com o secretário-geral, o sindicato considera o processo «um flagrante atropelo à lei», realçando que a Adriano Manuel não lhe foi dada a possibilidade de se defender.
Em função de «todos os atropelos verificados», prosseguiu Pedro da Rosa, todos os filiados do sindicato solidarizam-se com o seu líder e manifestam repúdio face ao que consideram ser injustiças, de que está a ser alvo o presidente do SINMEA.
«Pensamos sair à rua no próximo sábado, a partir das 12:30, concentrarmo-nos no Largo da Mutamba, e marcharmos para despertar a classe médica do país, a comunidade nacional e internacional, para que se juntem a esta causa em defesa não só dos direitos dos médicos, mas também de uma boa prestação de serviço aos nossos pacientes», salientou.
O responsável provincial de Luanda do SINMEA, Miguel Sebastião, disse que foi solicitada uma audiência com o director do HPDB, para pedir que o processo não fosse levado avante, mas não surtiu efeito. Passados cinco meses, o presidente do sindicato apenas aufere o salário base e está em casa, por não ter ainda nova colocação.
Para Adriano Manuel, os dados estatísticos são públicos, logo, não atropelou «nada, que não fosse para o bem da colectividade». O sindicalista considera que o objectivo do Ministério da Saúde foi provocar-lhe uma «asfixia financeira», porque quando foi suspenso ainda tinha subsídios para receber, resumindo tudo a um «excessivo abuso de poder».
«O grande objectivo é asfixiar a liderança do sindicato dos médicos de Angola para fazer com que todos os outros líderes sindicais a nível das províncias não façam manifestações, não reivindiquem e se nós classe médica permitirmos que isso aconteça, o sindicato morre», disse.
«Nós não podemos, enquanto médicos, ficar impávidos e serenos a observar a quantidade de mortes que acontece nos hospitais, a falta de materiais de biossegurança nos nossos hospitais, não podemos ficar calados quanto à exiguidade salarial dos médicos», frisou.
Segundo Adriano Manuel, o sindicato vai aguardar por um pronunciamento da ministra da Saúde, caso não haja em cerca de 15 dias, vão partir para uma greve. «A intenção era partirmos para uma greve logo a seguir (à manifestação), mas o sindicato, depois de reunir, decidiu que vamos dar oportunidade ao Ministério da Saúde de se pronunciar e depois disso, eventualmente, vamos encontrar um outro dia para se fazer a greve, caso o Ministério não se pronuncie», indicou.
Entretanto, o Sindicato dos Médicos de Angola pediu ao Presidente João Lourenço, um diálogo com os sindicalistas, essencialmente os do sector social, à semelhança dos encontros que tem mantido com outras classes da sociedade, nomeadamente os jovens.
O objectivo deste encontro, segundo Miguel Sebastião, é expor ao Presidente da República a visão dos trabalhadores, sobre «aquilo que passam», para que as preocupações cheguem directamente a João Lourenço.
«No âmbito da abertura que está a ter de diálogos, fez um diálogo paciente, ameno, com a juventude, uma semana ou duas depois, fez o mesmo procedimento com os líderes de confissões religiosas do país, o nosso apelo vai no sentido de fazer o mesmo com os diversos sindicatos de Angola», disse Miguel Sebastião.
O responsável proferiu que já foram endereçadas quatro cartas ao Presidente da República, uma delas solicitando uma audiência, mas não tiveram ainda resposta. «Não sei se recebe ou não as nossas cartas, os nossos manifestos, as nossas notas de repúdio, inclusive um abaixo-assinado dos médicos angolanos, mas até agora não recebemos um ‘feedback’, então sugerimos ao Presidente da República fazer também um diálogo com os sindicatos do sector social para ouvir o lado do trabalhador, o que é importantíssimo», sublinhou. (In DW África)

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