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Expulsão de invasores da centralidade do Capari prejudica MPLA

por Redação

Dezenas de famílias que ocuparam, ilegalmente, apartamentos na centralidade do Capari, em Caxito, província do Bengo, estão a ser compulsivamente expulsas pelas autoridadesdes.

Márcia Elizabeth

Muitas famílias em Angola, com destaque para Luanda, não têm casa própria. O Estado, no regime anterior, resolveu construir “um milhão de fogos habitacionais” em todo o país, conforme prometera o então Presidente José Eduardo dos Santos.
Entretanto, algumas centralidades e bairros foram edificados, porém, não beneficiaram os cidadãos verdadeiramente necessitados. Grande parte dos apartamentos e residências beneficiaram sim os que têm posses, ficando um elevado número desocupadas até ao momento, por diversas razões que nunca foram devidamente explicadas por quem de direito.
Por exemplo, na chamada “Vila Pacífica”, ao Zango, dezenas de torres continuam ao “Deus dará” e estão a ser vandalizadas. Os apartamentos têm sido arrombados, muitos já não têm a louça sanitária, torneiras, instalações elétricas, portas e janelas.
O mesmo acontece em todos os locais onde as construções, que deviam beneficiar os cidadãos, continuam desabitadas, tal como aconteceu na centralidade do Capari. Muitos dos apartamentos que foram ocupados, já tinham sido vandalizados, estavam sem portas e janelas, entre outros. Muitos desses ocupantes ilegais, até fizeram obras para poderem viver neles.
A invasão é crime de usurpação de imóvel, punível no código penal, como disse a sub-procuradora local, Carla Correia, contudo, em vez de escorraçar as pessoas como cães, dever-se-ia fazer um levantamento, cadastrá-los e fazer com que paguem a renda resolúvel, ou outra modalidade de pagamento que possam honrar.
As residências estavam desocupadas há mais de sete anos, o que deu azo a que fossem invadidas, até porque a necessidade obriga. Para quê o Estado gastou tanto dinheiro nessas construções, muitas delas ainda não foram pagas e, em vez de beneficiar os cidadãos, os trabalhadores, os que deram o “litro” pela Pátria, ficam tanto tempo vazias,a apodrecer, por capricho de um dirigente qualquer?
Segundo notícias, a invasão surgiu na sequência de rumores de que o Fundo de Fomento Habitacional, em parceria com a Imogestin, efectuaria, o cadastramento dos ocupantes de tais casas para sua legalização.
Sabe-se também que, há aproveitadores que já beneficiaram das residências, mas querem mais, para fins obscuros, caso de alguns moradores dos blocos 6, 9 e 10. Esses sim, devem ser responsabilizados.
Neste momento, em que a popularidade do MPLA e do próprio Presidente João Lourenço está na “corda bamba”, um pouco mais de visão, humanidade e abertura, só faria muito bem em termos políticos e quiçá, eleitorais!

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