Início Sociedade Está prevista para as próximas horas uma greve na administração pública, com centenas de trabalhadores em protesto contra o que consideram ser insensibilidade das autoridades face a pedidos de actualização de categorias no regime geral.

Está prevista para as próximas horas uma greve na administração pública, com centenas de trabalhadores em protesto contra o que consideram ser insensibilidade das autoridades face a pedidos de actualização de categorias no regime geral.

por Redação

A greve, que deveria começar esta terça-feira, dia 4 de Maio, visa paralisar serviços nos Governos Provinciais, Administrações Municipais, Ministérios da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Saúde e outros sectores do regime geral da função pública.

Na sua declaração de greve, a Comissão Intersindical dos Sindicatos da Administração Pública, Saúde e Serviços indicou que a primeira fase teria a duração de três dias, até 7 de Maio, e a segunda decorrerá de 11 a 13 do mesmo mês.

Nos hospitais, técnicos de enfermagem, funcionários administrativos e de apoio hospitalar deverão manter os serviços mínimos, conforme o documento, elaborado a 23 de Março na província do Huambo.

O sindicalista Custódio Kupessala, membro da Comissão Intersindical, refere que uma das causas do fracasso das negociações é o permanente envio de representantes de ministros, entre directores nacionais e chefes de departamentos, sem poder de decisão.

«Os nossos ministros esquecem-se de que os cargos são uma dádiva de Deus. Eles devem, simplificando, trabalhar para os cidadãos, para os trabalhadores, neste caso», sublinha Kupessala.

A paralisação tem várias fases, mas o sindicalista diz estar certo de que o Governo, pensando nos milhares e milhares de kwanzas diários, vá tomar muito antes do final a medida que não tomou em quatro anos. «Existem funcionários numa categoria há trinta anos, sem actualização», resume.

Vários funcionários falam em greve por «razões óbvias», realçando que os ministros angolanos não estão preocupados com a dor do pessoal do regime geral.

«Já não queremos conversa sem resultado, queremos saber o que podem fazer dentro de seis meses», sublinham funcionários públicos.

Enquanto isso, numa mensagem em alusão ao 1 de Maio, o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), sem ter feito referência à greve, salienta a necessidade de valorização do trabalhador angolano, à semelhança do MPLA, partido no

poder, que diz defender o diálogo com associações profissionais em nome do bem-estar das famílias.

Na mesma esteira, ainda em pleno dia 1 de Maio, uma assembleia de trabalhadores decretou greve por tempo indeterminado no Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) a partir da próxima quinta-feira (06), fracassadas as negociações entre o Conselho de Administração e a Comissão Sindical.

Aumentos salariais, cesta básica e inserção de trabalhadores expulsos são exigências do caderno reivindicativo entregue por sindicalistas à administração da empresa.

Na hora da confirmação da greve, o líder sindical, Leonardo Saculembe, disse que o Conselho de Administração trocou o diálogo pela intimidação e humilhação, noticiou a VOA.

«Basta dizer que a nossa assembleia de trabalhadores foi realizada na rua, e com muitos agentes da Polícia mandados pelos responsáveis do CFB», resumiu Leonardo, que lamentou o encerramento das instalações da empresa. «Só não aconteceu o pior porque o comandante conhece as leis», frisou.

Entretanto, referiu que vai ser uma greve com serviços mínimos garantidos, com dois comboios semanais entre Benguela e Lobito e um entre o Bié e o Moxico.

O Caminho-de-Ferro de Benguela conta com mais de 1300 trabalhadores.

O Conselho de Administração do CFB, liderado por Luís Teixeira, visado nas críticas relativas à «arrogância e ameaças» nas negociações, ainda não reagiu a este anúncio de greve.

*(Com VOA)

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