Início Sociedade Embusteiro Tomasz Dowbor detido por agredir uma cidadã e desacatar as autoridades

Embusteiro Tomasz Dowbor detido por agredir uma cidadã e desacatar as autoridades

por Redação

O presidente do Conselho de Administração do Grupo Boa Vida, Tomasz Dowbor, foi detido quarta-feira, em Luanda, pela Polícia Nacional por desacato, após ter agredido um dos seus clientes

Segundo informação avançada durante um encontro organizado pela direcção de Comunicação e Imagem do Comando Geral da Polícia Nacional, em que participaram, como convidados, jornalistas de distintos órgãos de comunicação, Tomasz Dowbor terá agredido fisicamente uma senhora, cliente de um dos seus condomínios, em Luanda, quando a expulsava da residência onde mora sem uma ordem judicial.

O motivo que levou o PCA do Grupo Boa Vida a chegar a tal extremo prende-se com a falta de pagamento dos valores em falta na compra da residência. Como se não bastasse, sentindo-se “todo – poderoso”, por ser protegido por altas figuras das elites do poder e, ainda por cima, ser primeiro secretário do Comité de Acção do MPLA (CAP) da Urbanização Boa Vida, Tomasz Dowbor desrespeitou as autoridades e acabou por ser detido numa das celas do Comando Provincial de Luanda.

Enquanto isso, Tomasz Dowbor e o Grupo Boa Vida, têm sido acusados por cidadãos angolanos seriamente agastados, de enganarem a sociedade com a realização de fictícias feiras do emprego que apenas visam “fins inconfessos” a favor de interesses obscuros de indivíduos das elites do poder e seus comparsas.

O grupo empresarial Boa Vida (GBV), ao longo dos tempos, tem sido visado em diversas ilegalidades e, para “camuflar” os ilícitos tem efectuado diversas actividades de filantropia, doando, principalmente, bens alimentares, a pessoas necessitadas em bairros de Luanda.

Para aumentar a cotação a seu favor como “benfeitor dos angolanos”, o GBV entendeu promover e realizar ditas “feiras do emprego” para “minimizar a situação de desemprego” que afecta maioritariamente os jovens.

Por exemplo, há um ano, precisamente no dia 08 de Dezembro de 2020, realizou em Luanda uma feira para recrutar 500 candidatos para trabalharem no ramo da construção civil, em projectos imobiliários da companhia, que se encontravam alegadamente em execução, como confirmou pessoalmente na altura o presidente do Conselho de Administração (PCA) Tomasz Dowbor.

O PCA prometeu então que depois daquela feira, a qual afluiram milhares de cidadãos de ambos sexos e de todas as idades, em busca de uma oportunidade em apenas 500 vagas anunciadas, a empresa iria continuar a proporcionar possibilidades de emprego criando novas vagas, em diversos projectos, incluindo fora de Luanda, numa primeira fase na província do Bengo e na do Cuanza Sul.

Das inscrições efectuadas, salientou que seriam “seleccionados engenheiros civis, técnicos de estrutura, produção, pintores, pedreiros, ajudantes de obra e operadores de máquinas, assim como serão também recrutados técnicos de fiscalização, de obras, electricistas, pintores, estucadores e várias outras especialidades do ramo da construção civil”.

Tomasz Dowbor prometeu que “os seleccionados vão trabalhar na construção de mil casas de tipologia T3 de alto padrão, um projecto que vai ser executado no próximo ano (2021), em que as casas terão o custo avaliado de 40 milhões de kwanzas”.

“A iniciativa do Grupo Boa Vida será um processo contínuo que visa estabelecer uma parceria público-privada em alinhamento com o Estado, para a massificação de obras nos domínios da construção e da construção dirigida e prevê a construção de casas de baixo padrão, sociais e autoconstrução dirigida, podendo empregar mais de 50 mil pessoas”, referiu.

Porém, de lá para cá, diversos jovens que se inscreveram naquela “feira”, bastante agastados, afirmam que “tudo não passou de uma aldrabice”, porque depois das inscrições , o Grupo Boa Vida não voltou a “tugir nem mugir” e, se de facto alguém beneficiou de emprego, ninguém soube de nada. “Para uma feira que foi tão mediatizada, que arrastou milhares de pessoas, mesmo com as restrições da pandemia, com a polícia a bater, deveria ter havido mais clareza em relação aos resultados, mas não foi o que se viu. Até hoje não sabemos a quantas ficou a nossa candidatura, tudo não passou de uma aldrabice”, argumentam os jovens.

Passados cerca de oito meses dessa referida feira, o GBV anunciou que realizou no corrente ano, sem especificar a data concreta, mais uma feira “que vai facilitar 50 mil postos de trabalho em diversos ramos, num prazo de 12 meses, tendo sido recolhidas 12.000 (doze mil) inscrições físicas e cerca de 8.000 (oito mil) online”.

O PCA do Grupo Boa Vida, Tomasz Dowbor, avançou então que “é um projecto ambicioso que visa, além de dar emprego a pessoas desempregadas, proporcionar o primeiro emprego para jovens, bem como formação e capacitação em diversas áreas, no âmbito da realização da estratégia traçada pelo Executivo para dar o primeiro emprego aos jovens e não só”.

Em meios da sociedade, esta notícia foi recebida com estranheza e muita desconfiança quanto à idoneidade do GBV, que tem sido associado à “propagandas enganosas” e de estar a fazer o jogo de embusteiros ligados ao Governo e que lesam o Estado angolano e, para enganar o povo, prometem “mundos e fundos”, nomeadamente, empregos, mas as promessas acabam sempre em “saco roto”.

Como abalizados analistas da situação nacional têm referido, “Angola é um país que, ao longo de vários anos, foi impiedosamente saqueado, tanto por cidadãos ligados aos círculos do poder, como por inúmeros estrangeiros que se aliaram a esses mesmos angolanos e/ou receberam todas as facilidades para, a coberto de pseudos investimentos, projectos e negócios obscuros, enganarem o povo angolano, delapidarem o erário público e roubarem as riquezas do país”.

Actualmente, o país atravessa uma situação de penúria extrema que, segundo dados oficiais e internacionais, continua a agravar-se. Enquanto isso, muita gente enriqueceu e muitos continuam a enriquecer, em detrimento da maioria esmagadora de angolanos.

São diversas as artimanhas que têm sido usadas para ludibriar e roubar  Angola, resultando disso catastróficas consequências para o seu povo.

Grande parte do dinheiro, entre outras riquezas roubadas em Angola, vai para outros países, fortalece outras economias e depois ainda volta em forma de “investimento estrangeiro”.

Muitos projectos, empreendimentos e obras realizadas no país com os supostos “investimentos estrangeiros”, nada mais são que estratagemas que usam os valores subtraídos ao próprio país para ditos projectos que apenas visam continuar a tirar mais e mais capital.

Para tal, quando por trás estão os vigaristas angolanos, os “investimentos” são feitos por cidadãos estrangeiros, supostamente “grandes empresários”, em diversas áreas, mas que, na realidade, não passam de “testas de ferro” ou “sócios” dos mesmos.

Os sectores das obras públicas e o do imobiliário, têm sido dos mais visados por esses embusteiros. Havendo grande carência de habitação no país, a construção de prédios, condomínios e mesmo de bairros sociais, serviram de pretexto para muitos “ladrões”, nacionais e estrangeiros, aproveitarem-se das necessidades e fraquezas do mercado angolano, sendo-lhes, ainda por cima, concedidas as maiores facilidades, que em nenhuma outra parte do mundo conseguiriam.

Nesse sentido, inúmeras são as obras, um pouco por todo o país, mas com grande incidência em Luanda, que depois de anos consecutivos não acabaram, outras que tanto prometeram não passam de umas “kibuaxias” (casebres), e um grande número, mesmo diante de tanta carência que os cidadãos têm de casa própria estão abandonadas, servindo de depósitos de lixo, de esconderijos de meliantes, etc, etc, etc.

Tudo isso, porque o dinheiro investido “não lhes dói, não é de sacrifício” e nunca houve um real interesse em contribuir pelo desenvolvimento do país e bem-estar social das populações. O interesse maior é e sempre foi o de enganar e roubar.

Por tais razões, entre outras, o dito sector imobiliário e de construção de habitação para os cidadãos em Angola tem sido campo fértil para roubar, não só o Estado, mas também os cidadãos angolanos necessitados e sacrificados.

Tal é o caso que anda na boca do povo, ou seja, a chamada “urbanização Boa Vida”, um “investimento” que tem muito que se lhe diga, alegadamente efectuado por dois irmãos de nacionalidade polaca, que propalam ter investido capital próprio, mais de 100.000.000 (Cem milhões) de dólares americanos, para a implementação de projectos de construção de habitações.

Hoje por hoje, em forma de justificação, num documento posto a circular, o Grupo afirma que “sempre esteve alinhado com as estratégias do Executivo no sentido da diversificação da economia e geração de maior número de postos de trabalho que ao longo desses anos resultou em mais de 4 mil postos de trabalho directos e 2 mil indirectos”!!! 

Porém, as acusações apontam para um envoivimento do Grupo com capital desviado do erário público por elementos ligados às elites do poder e também do extinto Banco Angolano de Negócios e Comércio – BANC, cujo accionista maioritário foi o falecido general Kundi Payhama.

Tal capital, como se justifica, “foi destinado a aceleração e suporte das despesas adicionais para operacionalização da construção de habitações, em função de um elevado número de solicitações por parte dos clientes do BANC para aquisição de casas na Urbanização Boa Vida, por via de crédito bancário”.

 Contudo, para quem investiu 100 milhões de dólares (!!!), o que têm beneficiado os angolanos? Eis a questão.

É caso para se dizer que está-se diante de um imbróglio sem tamanho. No âmbito do combate à corrupção e conexos, as autoridades judicias, nomeadamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) e/ou os seus órgãos ligados ao assunto não deviam deixar esta questão em branco.

Agora, como se vê, depois de tanto enganar os angolanos e beneficiar do da protecção e apoio das elites no poder e até do próprio MPLA, já que o aceitaram como militante e primeiro secretário de um dos seus Cap’s, Tomasz Dowbor já agride uma cidadã angolana e desacata as autoridades policiais.

Aguardemos para ver o que vai dar este caso. Voltaremos!

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