Início Sociedade Covid-19 piorou situação – Desemprego aumenta e mata angolanos

Covid-19 piorou situação – Desemprego aumenta e mata angolanos

por Redação

Em Angola, atualmente, mais de 70% dos angolanos, com destaque para os jovens não têm emprego. A pandemia do Coronavírus – Covid-19, por um lado veio agravar a situação, pelo grande número de empresas que estão a falir e de outras que estão a despedir trabalhadores para reduzir despesas, mas por outro, está a servir de pretexto ao Executivo para justificar a sua incapacidade de criar condições para proporcionar aos angolanos os seus direitos.

Márcia Elizabeth

De acordo com informações fidedignas, só no ensino superior privado foram suspensos cerca de 15 mil postos de trabalho.
Segundo a Associação de Instituições de Ensino Superior Privado de Angola (AIESPA) por falta de recursos financeiros, após o decreto governamental que proíbe a cobrança de propinas, decidiu-se pela suspensão para evitar que se acumulem mais dívidas, tendo em conta que não se vislumbram soluções, a curto prazo, para o reinício das atividades letivas e académicas no país.
Porém, foram mantidos, enquanto for possível, alguns funcionários para questões administrativas, uma vez que, sem as receitas das propinas será impossível remunerá-los por tempo indeterminado.
Assim, reina no setor, uma enorme preocupação e sentimento de impotência que, por força do decreto 201/20, um total de 57 instituições privadas e público-privadas de ensino superior, estejam incapazes de assegurar o trabalho de 8.883 professores e 4.677 trabalhadores não docentes.
Os filiados da AIESPA estão qualquer resposta concreta por parte dos organismos do Estado para as propostas avançadas e, enquanto isso, o desespero alastra-se no seio das famílias que começam a ficar sem espaço de manobra para sobreviver.
O Governo angolano reconhece que o nível de desemprego é preocupante no país. Mais de 50% da população em idade ativa está desempregada, segundo dados tornados público, os jovens são os mais afetados .
Para sobreviver, alguns, dependiam de familiares; outros dedicavam-se a negócios informais ou faziam biscates, mas agora, com a pandemia tudo se complicou.
O desemprego piorou com a crise económica e financeira em Angola, desde 2015. O preço do crude caiu no mercado internacional, e, como o país está dependente das exportações de petróleo, entraram menos divisas. Muitas empresas foram obrigadas a fechar as portas e milhares de cidadãos ficaram desempregados.
Além da crise, uma questão que preocupa os jovens estudantes é o fato de, depois da formação, ser difícil arranjar emprego por causa da corrupção e de compadrios: “Há a questão do favoritismo, o ‘primismo’; temos de pagar alguma coisa para estarmos empregados. As pessoas sem ‘padrinho na cozinha’ não conseguem ter o primeiro emprego”, lamentam os estudantes.
Durante a campanha eleitoral, o Presidente João Lourenço prometeu criar 500 mil empregos até 2021. Mas o Governo não está a cumprir a promessa e, agora, com a Covid-19, as justificações vão todas para esse fato.

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