Início Sociedade Covid-19 em Angola: Estratégia do Executivo ou Providência Divina?

Covid-19 em Angola: Estratégia do Executivo ou Providência Divina?

por Redação

Angola é um dos poucos países no mundo em que a pandemia do Corona vírus (Covid=19} não tem causado grandes “estragos” em termos de contágio e de morte. É de louvar o esforço que o Executivo e todos os órgãos ligados ao combate da pandemia têm feito, mas, não se pode descurar que, em grande medida, a Providência Divina tem zelado para que a situação não se transforme numa catástrofe

Márcia Elizabeth

O mais alto mandatário do país, o Presidente João Lourenço, prontamente ouviu as opiniões de representantes da Sociedade Civil, constituiu uma equipa multisectorial para prevenção, controlo e tratamento da pandemia, baixou as pertinentes orientações, decretou o Estado de Emergência por três vezes consecutivas, ao que se seguiu o agora vigente Estado de Calamidade, já prorrogado, mas, algo mais forte tem impedido a doença de se propagar de forma drástica.

Embora os governantes, mesmo conhecendo a realidade do país, não admitam, a pobreza, a miséria, grassa entre as populações. O nível de desemprego é simplesmente assustador e, com a sempre badalada crise económica, a cada dia mais trabalhadores, chefes de família, vão ficando sem o seu ganha = pão.

Ora, assim sendo, no confinamento decretado por lei, que aliás continua, e assim deve ser apesar do abrandamento, a palavra de ordem é: “fiquem em casa”, “mantenham o distanciamento social”, “lavem as mãos com água e sabão”, “desinfectem com álcool gel”, etc, mas na maior parte das comunidades, tanto em Luanda, como nas demais províncias, poucas são as pessoas que realmente cumprem tais orientações, porque as necessidades são maiores e obrigam a correr riscos. 

Os cidadãos alegam geralmente: “se fico em casa, vou comer o quê?”; “se eu não sair à rua os meus filhos vão morrer de fome”, entre outras justificações similares. Não se pode descurar que, há décadas, que Luanda no geral sofre com o dilema da falta de água, agravando-se a situação nos bairros periféricos, onde a população obtém o precioso líquido por vias alternativas a preços chorudos, que muitos não têm como pagar, ou então caminham grandes distâncias para conseguirem alguns litros, com agravante de, em certos casos, não ser própria para consumo humano. Junta=se a isso o paupérrimo saneamento básico das comunidades, os enormes acumulados de lixo, as valas a céu aberto, cheias de águas putrefactas e lixo, são apenas algumas situações, que são potenciais atentados à saúde pública, que podem ajudar a Covid=19 a propagar=se pelas comunidades.

Imagens passam pela televisão, de gente, incluindo crianças, em pleno Estado de Emergência, a procura de alimento nas lixeiras, correndo atrás de camiões de lixo, acotovelando-se nos mercados informais, sem máscaras, sem higiene, sem qualquer proteção, etc.

Falou=se em abastecimento gratuito de água potável nos bairros que têm falta dela. Pouca gente viu essa água. Repentinamente surgiu a notícia de que vários motoristas dos camiões que deviam abastecer as pessoas carentes, desviavam a água para vende=la em outros locais. Depois, mais nada se disse e água nunca mais se viu. O mesmo acontece com as ditas cestas básicas. Algumas administrações municipais fizeram alarde de “bons samaritanos”, mandaram bocas na Comunicação Social, fizeram algumas distribuições e… mais nada!

Uma cidadã, que beneficiou de uma doação em Viana comentou: “não se sabe qual foi o critério que usaram para escolher as pessoas, preferiram pessoas mais idosas, mas, no meu caso, tenho oito bocas para sustentar e recebi dois quilos de arroz, dois quilos de fuba de milho, dois pacotes de massa, um litro de óleo, dois quilos de açúcar e um pouco de sal, e nunca mais deram nada. Será que essa doação é que vai aguentar todo o tempo que durar a quarentena? Por isso tenho mesmo que sair para desenrascar alguma coisa para a família”.

Tal como esta cidadã, muita gente está a passar mal. Incluindo, há notícia de uma criança de três anos de idade que morreu de fome, porque a mãe não conseguiu arranjar comida, apesar de tudo o que tentou, para alimentar a filha.

Angola é, para todos efeitos, um país rico, apesar da crise económica, apesar da baixa do preço do petróleo e, agora, com os constrangimentos causados pela pandemia. Mas, acredita=se que o país tem sido e está a ser governado por pessoas competentes e com uma visão estratégica de Estado, pelo que, também se acredita que, o aparecimento repentino de situações inusitadas como esta da Covid-19 devem estar devidamente acauteladas. A experiência dos longos anos de guerra devem servir para alguma coisa. Então, que é feito das reservas do Estado, o Fundo Soberano, etc?

Tem=se ouvido nos órgãos de Comunicação Social alguns membros do Executivo, quando apresentam o ponto da situação no país da Covid=19, a vangloriarem=se sobre os reduzidos números relativos ao Covid-19 em Angola, considerando que é tudo por graça e obra do Governo que se antecipou à pandemia.

Este tipo de pronunciamentos denotam pura hipocrisia, falta de honestidade e coerência. Até hoje, os resultados dos testes que se vão fazendo um tanto ou quanto atabalhoadamente, demoram vários dias. Os materiais de biossegurança ainda não chegam a todo o país. Mais de 90 por cento dos cidadãos não têm meios como máscaras (que são de uso obrigatório), não têm sabão, lixívia e muito menos álcool gel, algumas condições de tratamento só agora estão a ser preparadas e a real situação das províncias ainda são duvidosas. Então qual o motivo para tanta vaidade? 

Se a situação ainda é de alguma calma, deve-se aproveitar, para realmente estar-se preparados para algo maior. Nos últimos dias, a mesma tende em piorar e os números aumentam. Por isso, todo cuidado é pouco. Haja humildade, que é apanágio dos verdadeiros heróis! 

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