Início Sociedade Covid-19 em Angola – Autoridades sanitárias do país não dizem a verdade

Covid-19 em Angola – Autoridades sanitárias do país não dizem a verdade

por Redação

Os casos de Covid-19 em Angola já ultrapassou o milhar e continua a alastrar-se vertiginosamente, atirando por água as “teorias” da Comissão Multisetorial e das autoridades sanitárias do país. Como de hábito, os governantes angolanos “falam muito e fazem pouco ou nada”.

Márcia Elizabeth

Desde que começou a pandemia e foi decretado o primeiro período do Estado de Emergência que, diversos especialistas de saúde no paísem têm posto em causa as estatísticas do Ministério da Saúde sobre a Covid-19, que, atualmente, está a registar o maior número de infeções e de mortes.
Depois de Luanda, considerada o epicentro da doença, seguiu-se a província do Cuanza Norte, Cunene, Cuanza Sul e também a do Bengo. Contudo, persistem muitas dúvidas quanto aos dados que são apresentados, considerando que os testes são muito reduzidos, pelo que a percentagem que tem sido apresentada “pode não ser real”.
“Os casos graves da doença irão aumentar e o nosso sistema de saúde não está preparado, contrariamente ao que se propala”, apontam os especialistas, que acusam ainda as autoridades sanitárias do país de serem maus conselheiros do Governo, por estarem a dar informações erradas sobre as causas do aumento do número de mortes pela doença.

A pandemia é culpa dos homens

Enquanto em Angola a situação piora a cada dia, pelo mundo, tenta-se compreender melhor a fonte da pandemia para se encontrar soluções. É assim que cientistas descobriram que dois a quatro novos vírus são criados a cada ano como resultado da intromissão humana no mundo natural. Qualquer um deles poderia tornar-se uma nova pandemia.
A destruição da biodiversidade é um erro com muitas faces. Pos isso a questão é: seria a nossa destruição da natureza a culpada pelo coronavírus?
A tal “intrusão humana” na natureza refere-se a inúmeras coisas, incluindo a nossa destruição de habitats naturais (o que muitas vezes faz com que animais selvagens tenham que sair dos seus locais nativos e aproximar-se de centros urbanos).
Para um dos biólogos mais proeminentes dos Estados Unidos,Thomas Lovejoy, o vasto comércio ilegal de vida selvagem e a nossa intrusão excessiva na natureza são os principais culpados pela pandemia atual de coronavírus.
A menção de Lovejoy aos mercados silvestres se tornou a mais notável por conta de uma polémica em andamento acerca deste tema. “Esta não é uma vingança da natureza, nós fizemos isso a nós mesmos. A solução é ter uma abordagem muito mais respeitosa da natureza, que inclui lidar com as mudanças climáticas e tudo o mais”, afirmou Lovejoy, que cunhou o termo “diversidade biológica” em 1980 e é considerado um dos pais da biodiversidade.
Um outro estudo publicado recentemente na revista científica “Proceedings of the Royal Society B”, sugeriu que a causa subjacente do surto de Covid-19 é provavelmente o contacto cada vez maior dos humanos com a vida selvagem.
“Essa pandemia é a consequência de nossa persistente e excessiva intrusão na natureza e do vasto comércio ilegal de animais silvestres e, em particular, os mercados de animais silvestres do sul da Ásia e os mercados de carne de animais silvestres de África”, concluiu Lovejoy, pesquisador da Fundação das Nações Unidas e professor de Ciências Ambientais da Universidade George Mason.
Os comentários de Lovejoy acompanharam o lançamento de um relatório do “Center for American Progress” (organização de pesquisa e defesa de políticas públicas americana com um ponto de vista liberal sobre questões econômicas e sociais) argumentando que os EUA deveriam intensificar os esforços para combater o comércio de animais silvestres e ajudar a enfrentar pandemias.
Mercados que vendem animais vivos, tanto domésticos quanto silvestres, são encontrados por toda a Ásia e África e muitas vezes mantidos em condições pouco higiênicas. Suspeita-se que o mercado de Wuhan, na China, tenha sido a fonte do Covid-19.
Lovejoy defendeu que separar animais selvagens de animais de criação em mercados diminuiria significativamente o risco de transmissão de doenças, porque haveria menos espécies para o vírus se transferir e infectar.
“Animais domesticados podem adquirir esses vírus, mas se só houvesse isso no mercado, realmente reduziria a probabilidade de uma transmissão de animal selvagem para um doméstico”, argumentou. “A chave é reduzir a quantidade de certas atividades, então a probabilidade desse tipo de salto se torna pequena o suficiente para ser irrelevante. A grande dificuldade é que, se você simplesmente proibi-los – o que de muitas maneiras seria a coisa ideal – eles seriam seguidos por mercados negros, e isso é ainda mais difícil de lidar porque é clandestino”.
Essa é uma preocupação séria – a proibição de tais mercados levanta vários cenários nos quais a situação pode ficar ainda pior, ao invés de melhor, uma vez que eles são o sustento de centenas de milhões de pessoas.

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