Início Sociedade Autoridades não tugem nem mugem: Urbanização Vida Pacífica avacalhada, envolvida por casebres e muitos interesses obscuros

Autoridades não tugem nem mugem: Urbanização Vida Pacífica avacalhada, envolvida por casebres e muitos interesses obscuros

por Redação

A Urbanização Vida Pacífica, que deveria ser um dos mais belos projectos habitacionais da província de Luanda, digno da capital de um país portentoso como Angola, infelizmente tem sido seriamente abandalhado pelas próprias autoridades administrativas, tanto a nível provincial, como municipal e da localidade do Zango, em particular, onde se encontra. A constrangedora situação daquela urbanização é só mais uma prova de desleixo e incompetência dos governantes angolanos

Santos Pereira

A sociedade luandense, e não só, está estupefacta com o que está a acontecer na Urbanização Vida Pacífica, não só pelo abandono e sonegação a que estão votadas a maioria das torres ali existentes, mas sobretudo pela aberração que as autoridades governamentais e/ou administrativas estão a permitir que se implante à volta do perímetro circundante da mesma.

Não há, não pode haver, desculpas ou justificações, sejam de que natureza forem, para a sujeira que está a crescer à vista de todos, com as dezenas de casebres e todo tipo de construções precárias que surgem naquele local qual cogumelos da noite para o dia, num claro desrespeito às mais elementares regras de urbanização, de embelezamento, de bem-querer e de bem-estar dos cidadãos, tanto para os que habitam na urbanização, como para os que habitam nos casebres improvisados, com todas implicâncias, sobretudo em termos de salubridade, que acarreta tal estado de coisas.

Quem autoriza esses desmandos? Diante e à volta de uma urbanização daquelas, que tem tudo para ser verdadeiramente imponente e vistosa, um cartão – postal de Luanda e do país, como se pode aceitar que seja envolvida por lataria e todo tipo de sujeira?

O Zango foi construído para albergar cidadãos que viviamem zonas de risco como nas encostas da Boavista, entre outros, e cidadãos que não tinham residência própria. Hoje o Zango cresceu grandemente e tornou-se ao longo da sua expansão em mais uma das fontes de enriquecimento ilícito de muitos membros das elites no poder, desde governamentais a militares, em detrimento da população alvo.

Há referências de dirigentes que se apoderaram, sem gastar um tostão, de 50 a 100 residências e muito mais, que posteriormente foram vendendo. Mesmo assim, do Zango Zero ao Zango 4 e 5, ainda há centenas de residências inabitadas, outras inacabadas e que estão votadas ao apodrecimento, enquanto ainda há, igualmente, dezenas de familias, que vivem em “bolsas” de casebres improvisados, em vários pontos da localidade, sobretudo ao longo da estrada principal, que continuam, eternamente, a espera das prometidas residências.

Reconhece-se que no meio dessas famílias há indivíduos aproveitacionistas, que já beneficiaram de casa, venderam-nas, voltaram aos locais de onde foram retirados ou infiltraram-se no meio daqueles a quem foram prometidas residências e que passado mais de uma ou duas décadas nunca foram tidos ou achados.

Há nesse estranho movimento, a conivência de funcionários administrativos e da própria fiscalização. O caso dos casebres que estão a “sufocar” a Vida Pacífica é um exemplo claro do aproveitamento ilícito que determinados indíviduos bem situados tiram destas situações, propositadamente criadas, para gerar caos, e tirarem benefício.

Porém, pergunta-se o que fazem os membros do Executivo central, quando os da província, do município, etc, só fazem asneira? O próprio Chefe de Estado não conhece os problemas da capital? Se não, então como conhecer os problemas da Angola profunda?

Os cidadãos exigem às autoridades que se ponha termo imediato à baderna que está a ser criada à volta do perímetro da Vida Pacífica, onde até, por estranho que pareça, existe uma esquadra policial. Para que serve? Para acobertar atropelos à lei? Para salvaguardar interesses obscuros de mafiosos que se dizem dirigentes? Afinal, que tipo de pessoas são os governantes angolanos? Gente que só sabe fazer mal ao seu país e aos seus concidadãos? 

Os luandenses pedem, encarecidamente, à Sra. Governadora, Ana Paula de Carvalho, que zele com a maior urgência por esta trágica situação, ponha termo às incongruências, identifique os prevaricadores e sejam severamente punidos, sejam eles governates ou cidadãos comuns.

Enquanto isso, muitas famílias em Angola, com destaque para Luanda, continuam sem ter casa própria, apesar de o Estado ter mandado edificar centralidades e bairros em algumas cidades do país, sobretudo em Luanda, gastando astronómicas somas, mas que não têm beneficiado muitos cidadãos verdadeiramente necessitados.

Grande parte dos apartamentos e residências beneficiaram sim os que têm posses, ficando um elevado número desocupadas até ao momento, por diversas razões que nunca foram devidamente explicadas por quem de direito.

Por exemplo, na Urbanização “Vida Pacífica”, dezenas de torres continuam ao “Deus dará” e estão a ser vandalizadas. Os apartamentos têm sido arrombados, muitos já não têm a louça sanitária, torneiras, instalações elétricas, portas e janelas.

O mesmo acontece em todos os locais onde as construções, que deviam beneficiar os cidadãos, continuam desabitadas, tal como aconteceu na centralidade do Capari, originando invasão dos mesmos. Muitos dos apartamentos que foram ocupados, já tinham sido vandalizados, estavam sem portas e janelas, entre outros. Muitos dos ocupantes ilegais, até fizeram obras para poderem viver neles. Por isso, em vez de escorraçar as pessoas como cães, como aconteceu, dever-se-ia fazer um levantamento, cadastrá-los e fazer com que paguem a renda resolúvel, ou outra modalidade de pagamento que possam honrar.

Neste momento, em que a popularidade do MPLA e do próprio Presidente João Lourenço está na “corda bamba”, um pouco mais de visão, humanidade e abertura, só faria muito bem em termos políticos e quiçá, eleitorais. Os cidadãos agradecem todo esforço e empenho que a Sra.Governadora, Ana Paula de Carvalho, na solução de tão pungente problema que a todos afecta. Voltaremos!

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