Início Sociedade A “Gente à Gente Lda”, os “WC’s milionários” e o embuste que lesou o Estado

A “Gente à Gente Lda”, os “WC’s milionários” e o embuste que lesou o Estado

por Redação

Tal como prometido, e na sequência do artigo publicado por este portal de notícias intitulado “A verdadeira história dos milionários balneários públicos de Luanda”, várias têm sido as reacções de meios da sociedade que, em face do esquema ardiloso engendrado pelos proprietários da empresa “Gente à Gente Lda” e seus comparsas, conclui que tudo não passou de uma manobra “mafiosa” que visou apenas roubar o Estado angolano

Japer Kanambwa

O burburinho que se levantou à volta do que ficou conhecido como caso dos “balneários públicos milionários”, considerado um projecto da então Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), presidida pelo general José Tavares Ferreira, que consumiu dos cofres do Estado a quantia de dez milhões de dólares por apenas 34 unidades, das quais só foram montadas 12, que entraram em funcionamento depois de inaugurados com pompa e circunstância pelo então governador da Província de Luanda, Bento Joaquim Francisco Bento “Bento Bento”, acompanhado pelo general José Tavares, de um projecto, apresentado ao antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que descrevia a montagem de 107 balneários.
Porém, mesmo com todo o barulho causado pelo assunto e face às evidências de ter acontecido um crime lesivo ao erário público, nunca as autoridades policiais e/ou judiciais se pronunciaram sobre o mesmo. Agora, em virtude das revelações sobre os meandros do esquema, rotulado como “confidencial”, com a vazão de documentos para a comunicação social, a sociedade exige que as autoridades competentes, nomeadamente a Procuradoria Geral da República (PGR), investigue e instaure o competente processo-crime contra os criminosos.
O crime cometido contra o Estado angolano é também da alçada do combate à corrupção e conexos, situação que não pode ser descurada e deve merecer urgente atenção das autoridades, até porque há cidadãos a serem acusados por um crime que não cometeram.
Do estudo da situação à proposta, aquisição, montagem e manutenção dos meios montados, entre diversa troca de correspondência, devidamente supervisionada pelos Órgãos Auxiliares da Casa de Segurança da Presidência da República, na pessoa do então ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança, Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, pode-se perceber uma série de falcatruas que terão ludibriado o ex-chefe de Estado e, quiçá, o presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, general José Tavares Ferreira.
Toda tramóia foi engendrada pela citada empresa “Gente à Gente Lda”, porque todos os documentos são assinados por Nzaji Feijó Correia Neto, sócio e director-geral, marido de Neide Neto, também sócia e, alegadamente, sobrinha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.
Segundo os documentos a que se teve acesso, a dita empresa “Gente à Gente Lda”, real ou “fantasma”, como muitas que foram constituidas para roubar o país e o Povo Angolano, tem a sua sede em Luanda, na rua Comandante Kwenha, nº 30/RC, no Maculusso, município da Ingombota, com Alvará nº 1307/EOP/2012, Conicle (8ª classe) e nº de identificação fiscal 5417069680.
Pelo que consta, a empresa terá sido criada no ano de 2012 e o alvará é do mesmo ano. Ora foi nesse mesmo ano, 2012, que a Comissão Administrativa da Cidade de Luanda “solicitou um estudo de fornecimento e instalação de WC’s públicos em todo perímetro da Cidade de Luanda à empresa ‘Gente à Gente Lda’, tendo o referido estudo determinado o número de 107 unidades”, lê-se nos documentos em causa.
Para o efeito, em Outubro do mesmo ano a CACL celebrou um contrato de fornecimento e instalação “chave na mão” de 34 unidades de WC’s públicas com a referida empresa, na perspectiva de após a sua instalação e no âmbito do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate a Pobreza (PMIDRCP) empregar deficientes físicos que fariam a sua gestão.
Daí em diante, o dito projecto tomou contornos de uma novela melodramática, cujos episódios continuarão a ser contados aqui. As autoridades têm matéria mais que suficiente para investigar e chegar à verdade dos factos. Voltaremos!

Poderá também achar interessante