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Vera Daves, peneirenta e bajuladora

por Redação

Cresce a insatisfacção, sobretudo no sector empresarial e em círculos sociais em relação ao desempenho da ministra das Finanças, Vera Daves. Quando foi nomeada, em substituição de Archer Mangueira, foi aplaudida por alguns sectores que consideraram a sua ascensão uma «lufada de ar fresco» no Executvo e uma nova visão para a equipa económica. Actualmente, ante alguns posicionamentos da ministra e da sua afirmação arrogante que «o poder é para ser exercido», as opiniões estão a divergir e já não são tão favoráveis. Algumas são mesmo muito críticas.

Fernando Manuel

Vera Daves é considerada uma técnica competente, com passagens anteriores pela banca privada e a Comissão do Mercado de Capitais, mas inexperiente enquanto governante e com pouco poder político.
Com cerca de um ano na direcção do Ministério das Finanças (Minfin), a postura de Vera, nos últimos dias, é considerada arrogante e o seu discurso, a justificar o agravar negativo constante da economia, o empobrecimento da população e o endividamento do país, é tido como um monte de teorias que não vão trazer as esperadas soluções para o país.
As debilidades económicas persistem e, em face da actual conjuntura internacional desfavorável, devido à pandemia de Covid-19, tendo em conta as necessidades do país, estão a dificultar, senão mesmo a impedir, investimentos que poderiam ajudar a desafogar a situação.
De acordo com fontes, as fragilidades do sector bancário angolano só aumentam e, as políticas do Minfin e do Banco Nacional de Angola (BNA), orientadas com base numa economia centralizada e planificada ao nível do Estado e uma carga fiscal elevada, obriga a um desempenho muito acima das capacidades actuais dos bancos comerciais, o que piora a situação do sector e reduz a disponibilidade de crédito à economia.
Esta situação concreta, que parece ignorada pela ministra Vera Daves, têm gerado dificuldades a possíveis investimentos estrangeiros.
No contexto de crise económica e financeira, os alegados esforços de reanimação da economia continuam a «marcar passo» e a situação degrada-se vertiginosamente, sobretudo porque o orçamento do Governo angolano, num país altamente rico em diversos recursos naturais e não só, depende grandemente, senão totalmente, do petróleo, cujo preço actual, pelo efeito do Coronavírus, está muito abaixo do que se perspectivou.
Assim sendo, as teorias de Vera Daves, para tentar resgatar a imagem do país no exterior e captar investimentos estrangeiros, que são considerados por especialistas como a melhor, ou a única, possibilidade de promover o desenvolvimento de sectores da economia produtiva como a agricultura e a indústria, para compensar os efeitos negatvos do baixo preço do petróleo, face às referidas políticas do Estado, atulhado de dívidas, com o empresariado nacional descapitalizado, com um elevadíssimo nível de desemprego no país, não trarão as soluções prometidas e que a sociedade tanto almeja.
Para a fonte a que já se fez referência, o programa de financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) é ineficaz porque não vai ajudar a criar condições para proteger as camadas mais vulneráveis da população, nem dá para estimular o crescimento económico, considerando que o Executivo usa-o para outros fins, nomeadamente para minimizar a dívida pública.
A moeda nacional, Kwanza, continua a desvalorizar, aumentando drasticamente a inflação, que neste ano já ultrapassou os 20% e encarece os produtos, principalmente os alimentares, situação que, aliada ao desemprego e os salários em atraso, têm causado maior impacto a nível da estabilidade social e política
Tal situação, mesmo a nível do MPLA, tem levado a críticas ao Presidente João Lourenço e a contestar as políticas económicas, sobretudo pelas recentes abordagens de Vera Daves em relação à situação dramática que a crise está a criar no país e à forma arrogante com que afirmou que «o poder é para ser exercido».
Algumas críticas contra Vera Daves apontam-na como «peneirenta» e «bajuladora», porque é por demais evidente que só quer agradar ao chefe e banaliza o agravamento da recessão em 2020 que vai estender-se até 2022, o que será bastante grave, pois é o ano das eleições gerais e João Lourenço vai disputar a sua reeleição.

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