Início Política Sociedade questiona: Sem imunidades, o que espera a PGR para prender Rabelais?

Sociedade questiona: Sem imunidades, o que espera a PGR para prender Rabelais?

por Redação

A Assembleia Nacional aprovou a revogação da imunidade judicial de Manuel Rabelais, tendo aprovado também um novo código penal que vai aumentar as penas para crimes de corrupção, abrindo assim caminho para a investigação de mais membros da rede de alta corrupção que minou o Governo angolano durante décadas.

Licínio Adriano

Como se sabe, as ditas imunidades, de que Rabelais gozava, sempre impediram os órgãos de Justiça de fazerem o seu trabalho, favorecendo os embusteiros e gatunos do erário público que, apesar dos seus crimes, consideram-se intocáveis, e ainda avacalham a sociedade em geral ao ostentar luxos e esbanjamentos milionários.
Com a retirada das imunidades, tanto esperada e demandada pela sociedade, a um dos maiores bajuladores e trapaceiros que o governo de Angola teve desde que o país se tornou independente, que é sem dúvidas Manuel Rabelais, a expectativa dos cidadãos é grande, porque querem que ver o mafioso julgado e condenado.
A Procuradoria-Geral da República tem que pronunciar-se sobre o caso para acalmar os ânimos populares, pois as pessoas temem que, enquanto o processo se arrasta, o bandido pode fugir para parte incerta, como já tem acontecido com vários do mesmo círculo corrupto que, mesmo sob Termo de Identidade e Residência (TIR), fugiram do país, alegadamente ajudados por elementos dos próprios órgãos de Justiça, que terão sido subornados.
Recorde-se que, em Janeiro de 2019, Manuel Rabelais foi detido no Aeroporto Internacional quando fugia para Portugal para não ser ouvido na PGR.
De facto, o deputado e antigo ministro da Comunicação Social, Manuel António Rabelais, foi impedido, na altura, pelas autoridades migratórias, de deixar o país, quando se preparava para embarcar no voo DT 652 com destino a Lisboa, Portugal.
Manuel Rabelais não tinha autorização do presidente da Assembleia Nacional para se ausentar do país e tinha sido notificado pela Procuradoria-Geral da República para prestar declarações àquele órgão de Justiça no dia 29 de Janeiro daquele ano, 2019.
Os cidadãos há muito esperam que Rabelais seja levado às barras do tribunal para ser julgado e condenado.
Entre as muitas falcatruas de Rabelais, consta, por exemplo, a do refeitório dos trabalhadores da RNA, que foi transformado por ele num restaurante, explorado pelo “Moment” de sua propriedade. Constava que existia um pseudo-contrato para a exploração do espaço por 20 anos, mas o mesmo era fictício, já que a RNA não lucrava nada com o negócio, porque tudo ficava com Rabelais que fazia negócio consigo próprio.
Na mesma esteira, a antiga Creche Piô da RNA que passou a “instituição privada” cobrando preços altíssimos, não beneficiava os filhos dos trabalhadores e fora alugada à Endiama por Rabelais e só ele conhecia os trâmites do contrato.
Como se não bastasse, Manuel Rabelais mandou desviar as condutas de água que abasteciam tanto as instalações da RNA e as vizinhas da TPA, passando as empresas a ser abastecidas pelos seus camiões-cisterna de venda de água.
Estas situações penalizavam seriamente as respectivas administrações, pelo que os seus Conselhos recoreram aos tribunais para se pôr termo a todas malandrices do deputado Rabelais.
Apesar dos pesares, a situação não é nova e rios de tinta já foram gastos no tempo do anterior regime para demonstrar quão mau gestor e cidadão é Manuel Rabelais. Contudo, os alertas da comunicação social e de pessoas singulares ainda eram tidos como “bandidos”, que difamavam e agitavam a sociedade contra “bons servidores” do país.
Quem acabava por ir a tribunal e pagar as contas eram os inocentes que apenas queriam o bem da nação.
Manuel Rabelais, enquanto ministro da Comunicação Social e depois como director do Grecima, uma instituição criada por ele próprio e, por bajulação, imposta ao ex-Presidente da República que a aceitou, fez do dito gabinete um super-ministério que até suplantava o próprio e o seu titular.
Fazendo jus aos seus poderes, Rabelais montou por todo o país e em todos os órgãos públicos de comunicação social uma rede de indivíduos, seus apaniguados, que se transformaram numa “troupe” de terror contra os verdadeiros e honestos trabalhadores e de quem discordasse dos seus métodos e roubalheira.
Na ânsia de também tirarem dividendos, esses indivíduos envenenaram a essência da verdadeira comunicação social que já se fazia em Angola, mesmo em tempos duros, como os do socialismo e do partido-estado.
Manipularam de tal forma a coisa que, tanto José Eduardo dos Santos, como os muitos “sabichões” que o bajulavam, entre outros, foram devidamente enganados pelos relatórios, imagens e propaganda enganosa urdida por essa cambada que devia, neste momento, estar toda na cadeia.
Rabelais e seus apaniguados nunca se preocuparam em melhorar as condições de trabalho das empresas, nunca se preocuparam em melhorar os seus salários e o seu nível de vida, enquanto eles tinham regalias financeiras e materiais de todo o tipo do próprio Estado, para além de apoios da Presidência da República e de alguns governantes com “rabo de palha”, chantagiados por Rabelais.
De acordo com os indicadores, a gestão de Rabelais foi sempre marcada por nepotismo, humilhação aos profissionais, entre outros cidadãos, e criação de funcionários “fantasmas” em todos os órgãos e em todo o país.
Muitas pessoas que foram lesadas pedem à Procuradoria-Geral da República para que investigue com profundidade Manuel Rabelais e sua riqueza, bem como a de outros colaboradores seus que ostentam riquezas que os mesmos não conseguem justificar, dado o nível económico das suas famílias, a sua idade e o tempo de trabalho que têm.

Poderá também achar interessante