Início Política Sob a batuta de Job Capapinha: “Governo do Cuanza Sul envolvido em escândalos grossos”

Sob a batuta de Job Capapinha: “Governo do Cuanza Sul envolvido em escândalos grossos”

por Redação

O nome de Job Castelo Capapinha, enquanto governador de uma província, está novamente envolvido em escândalos e, desta feita, bastante “grossos”. Depois de ter saído pela “porta pequena” do Governo Provincial de Luanda, agora, nas vestes de governador da província do Cuanza Sul, está a ser acusado de “engenharias” mafiosas 

Por: Licínio Adriano

Quando o Presidente da República, João Lourenço, o nomeou para governador da província do Cuanza Sul, o espanto foi enorme para muita gente. Não fazia sentido, o Presidente, que levantou bem alto a bandeira da luta contra a corrupção, o peculato, o nepotismo, a impunidade, entre outros, nomear para governar o Cuanza Sul, alguém com uma folha de serviços maculada.

Não foi preciso esperar muito tempo e logo começaram a ouvir-se diversas queixas de cidadãos que se diziam injustiçados por razões várias, alegando prepotência do governador Job Capapinha, sobre situações que sempre existiram e que entendeu sem apelo nem agravo mudar.

De fricção em fricção, logo veio ao de cima o caso do aluguer milionário das viaturas e casas para os vice-governadores. De imediato, atentos analistas do cenário político nacional perceberam que as coisas não andam nada bem por aquelas bandas.

Angola está a viver um período de contenção econômico-financeira, há cidadãos a morrer de fome, incluindo em comunidades do Cuanza Sul, a província atravessa momentos de muita carência, não se pode admitir que o Sr. governador Job Capapinha autorize o aluguer de carros para os seus vice-governadores pelas “módicas” quantias de 24 milhões de Kwanzas por ano cada uma, a que se acresce o chorudo arrendamento das casas.

Toda esta estranha situação já é da alçada da Procuradoria Geral da República (PGR), cujo sub-procurador local pronunciou-se à Comunicação Social sobre o assunto e tranquilizou a opinião pública dizendo que o processo corria os seus devidos trâmites e que, brevemente, voltaria a informar sobre o andamento das coisas.

Entretanto, na sequência destes acontecimentos, nova notícia abalou a sociedade. Foi assassinado, em Luanda, o jovem inspector provincial das Finanças, Eduardo Rodrigues, quando se deslocou a Luanda para resolver questões de trabalho e visitar a família.

De imediato, diversas opiniões alegaram que o inspector foi assassinado porque sabia demais, em relação às “engenharias” corruptas que estão a ser praticadas no governo do Cuanza Sul. Com este acontecimento, um grupo de funcionários do governo “há muitos anos” e que se dizem militantes do MPLA “de coração”, entre responsáveis, trabalhadores de base, seguranças, pessoal da limpeza e fornecedores de serviços, num documento a que o “24 Horas” teve acesso, dizem conhecer profundamente e em detalhes a realidade e as acções da “má governação” de Job Capapinha, baseada na má gestão, desvio de dinheiros do Estado e apropriação indevida de bens do Estado, “tudo dentro de uma promiscuidade que até envergonha” quem trabalha  na instituição. 

Os referidos funcionários acrescentam que Job Capapinha transformou o governo do Cuanza Sul numa instituição vergonhosa que em nada ajuda o desenvolvimento de Angola.

Continuando, o documento afirma que Capapinha está a fazer do palácio provincial um bordel e está envolvido num “triângulo amoroso” que envolve uma vice-governadora e uma outra senhora (cujos nomes salvaguarda-se por razões óbvias), tudo à revelia de sua esposa. Contudo, refere o documento, o envolvimento do governador com a vice tem tido episódios públicos que raiam o descaramento e a pouca-vergonha.

Os denunciantes afirmam possuírem provas de todas as denúncias que fazem, alegando que têm documentos dos desvios, entre outros. Entretanto os mesmos acusam o sub – procurador provincial, Joaquim Macedo da Fonseca de ser cúmplice do governador e “recebe bens, como meios de transporte, fazendas, dinheiro desviado que chega à casa do sub – procurador pela porta dos fundos e recentemente até foi alistado para receber cabeças de gado bovino, cuja divisão tem sido feita nos bastidores em Luanda.

Sobre este assunto do gado bovino, recorde-se que Angola recebeu recentemente milhares de cabeças de gado provenientes do Tchad em pagamento de uma dívida daquele país. Porém, diversos criadores de gado queixam-se de terem sido “esquecidos” na distribuição, afirmando que o gado está a ser partilhado entre governantes e seus compinchas. 

Sendo assim, os funcionários afirmam que todas as queixas contra Job Capapinha vão dar em nada, porque o sub – procurador Macedo é dos mais corruptos e todos os dirigentes das estruturas judiciais, de defesa e segurança, incluindo a Polícia e o SIC, estão mancomunados com o governador para usufruírem de benesses.

Há ainda o escândalo dos cartões do Supermercado Maxi, “onde o governo gasta mais de oito milhões de Kwanzas por mês só em compras para Job Capapinha e sua staff”. Segundo o documento, tudo é coordenado pelo secretário do Governo, Carlos Henriques, que recentemente foi ouvido pelas autoridades de investigação criminal.

Ainda de acordo com o documento, que descreve em detalhes os escândalos e revela diversos nomes envolvidos com Capapinha, os funcionários denunciantes temem pelas suas vidas e dizem que “depois da morte do inspector das Finanças em Luanda, evitamos reunir para produzirmos os nossos documentos e fazê-los chegar a quem de direito, porque um dos seguranças já ouviu dizer que do jeito que as coisas estão vão silenciar. O plano de silenciar (denunciantes ou quem não esteja de acordo com a situação) existe dentro do governo de Job Capapinha”.

Os funcionários apelam ao Presidente da República, à PGR, ao SIC, Polícia Nacional e às demais autoridades, especialmente ao general Fernando Garcia Miala, para que intervenham e ponham cobro imediato aos desmandos que estão a acontecer no Governo do Cuanza Sul, para que mais gente inocente não pague com a vida.

Contactado pelo “24 Horas” em sede do contraditório, o governador Job Capapinha minimizou a situação e garantiu que as autoridades estão a investigar o caso. Entretanto, referiu que tudo que está a ser propalado não passa de uma cabala urdida pela oposição, nomeadamente por elementos da UNITA.

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