Início Política Segundo analistas, PR está a ser enganado e induzido em erro

Segundo analistas, PR está a ser enganado e induzido em erro

por Redação

Analistas do cenário político angolano consideram que o Presidente João Lourenço tem sido enganado e induzido em erro, levando-o a afirmar factos que são totalmente diferentes na realidade, tal como a referência feita recentemente sobre «forças internas e externas, ligadas aos que delapidaram o erário público» que estão a organizar «uma campanha» que visa denegrir e desacreditar a justiça e o Estado angolano.

Santos Pereira

O discurso do Presidente João Lourenço na cerimónia solene de abertura do ano judicial em Angola, na terça-feira (30.03), continua a ser motivo de diversas apreciações por parte, sobretudo, de analistas do cenário político nacional e, desta feita, em relação à sua exortaçãoaos órgãos judiciais para continuarem o seu trabalho no combate à corrupção e impunidade, questionam quem mandou soltar o antigo ministro dos Transportes, Augusto Tomás, condenado a 14 anos de prisão, mas tendo a pena sido comutada para 8 anos, por supostamente ter sido infectado pela Covid-19, e tambémo caso do ex-governador da província da Lunda Sul, Ernesto Kiteculo, que ficou em prisão preventiva por três meses na Cadeia de Viana, mas foi posto em liberdade, alegadamente por encontrar-se doente.

Sobre os dois casos nunca mais se disse nada. «Será que o Presidente tem conhec imento real destes casos? O que lhe terão dito os seus assessores? Como pode um indíviduo como Augusto Tomás, que é um dos maiores trapaceiros que desgraçou o país, ser solto alguns dias depois de ter sido condenado a uma pena superior de prisão? Gostaríamos de ouvir as explicações do Chefe de Estado sobre este assunto», referem os analistas.

O Presidente referiu que o país «vem dando passos corajosos desde finais de 2017, investigando, julgando e condenando servidores ou ex-servidores públicos de todos os escalões, desde os níveis do município, província e do próprio executivo central, da Assembleia Nacional e de empresas públicas, com imparcialidade necessária para o sucesso desta causa», mas, «pelo que se vê, o Presidente fala com base naquilo que a sua ‘entourage’ o convence a dizer como sendo a verdade dos factos, mas que na realidade não passam de manipulações que o induzem em erro», alertam.

Para os analistas, o mau hábito de aproveitamento dos cargos governamentais e/ou político – administrativos para enganar e roubar o Estado, mesmo na actual vigência governativa, continua a ser o objectivo de muitos dirigentes, sejam eles resquícios do antigo regime, portanto useiros e vezeiros nessas práticas, ou mesmo os do novo ciclo, promovidos pelo Presidente João Lourenço.

«Todos estão imbuídos do espírito de aproveitarem-se dos cargos para enriquecerem ilicitamente.Para tal, inovam nas ‘técnicas’ para enganar o Chefe, fazendo-o de ‘parvo’ para lhe ‘passarem a perna’, pintam cenários inexistentes e levam-no a crer em situações totalmente distorcidas», sublinham.

Por exemplo, o ex-ministro dos Transportes, condenado por corrupção e gestão danosa do CNC, órgão então tutelado pelo Ministério que dirigia, «terá confidenciado, em meios da sua confiança, que a pesada pena a que foi condenado, deveu-se ao facto de não ter aceite comprometer elementos da alta esfera do MPLA, não divulgando dados sobre o destino dado a fundos do CNC», lembram.

Dos vários casos de corrupção a chegar a julgamento, apenas o de Augusto Tomás resultou numa pena pesada. O ex-ministro dos Transportes foi condenado a 14 anos de prisão, mas por pressões partidárias a mesma foi reduzida a 8 anos pelo Tribunal Supremo (TS), alegadamente por irregularidades no processo.

Entretanto, a decisão do TS é considerada pelos referidos analistas como tendo obedecido a «ordens superiores», considerando que, desde o início do julgamento de Augusto Tomás, foram identificadas influências políticas.

Posteriormente, foi permitido a Augusto Tomás sair da cadeia em que se encontrava a cumprir pena, porque, supostamente, foi infectado pela Covid-19, para ficar em quarentena na sua residência. Depois disso, o homem disse adeus à cadeia e nada mais se falou sobre o assunto. Cogita-se mesmo que tudo não passou de mais uma desculpa para o libertar. «É bem possível que já nem esteja no país, como tem acontecido com muitos outros da mesma estirpe», aludem.

Poderá também achar interessante