Início Política Segundo analistas: “Em quatro anos de governação de João Lourenço o país recuou mais de quarenta”

Segundo analistas: “Em quatro anos de governação de João Lourenço o país recuou mais de quarenta”

por Redação

Em jeito de balanço aos quatro anos de governo de João Lourenço completados no domingo, 26 de Setembro, a esmagadoria maioria das opiniões consideram-no extremamente negativo, tendo nesse período afundado mais o país nas trevas da miséria

Além, do incumprimento de várias promessas eleitorais, como a dos 500 mil empregos, muito criticada pelos cidadãos, nos seus quatro anos no poder, o país efectuou um drástico retrocesso a todos os níveis, atingindo um nível de degradação geral tão grande que será muito difícil recuperar a curto ou médio prazo, caso se acabe com tal estado de coisas.

A Covid-19 tem sido usada como justificação para muitos dos desaires cometidos pelo Executivo, mas não colhe, porque a pandemia não afectou só Angola, é um mal mundial que está a dificultar sim os países, incluindo os mais desenvolvidos, mas que não serve para ser culpado das insuficiências de uma governação mal gizada e tendenciosa. A Covid-19 só surgiu quando João Lourenço já estava no poder mais de dois anos.    

Durante a governação actual o país “desaprendeu” o que já sabia, perdeu valores a todos níveis que estão a reflectir-se negativamente nos diferentes sectores da vida, tanto económica, como social, com destaque para a saúde e educação, como na cultura e desporto.

“Em quatro anos houve um recuo de mais de quarenta anos”, afirmam conceituados analistas, que consideram que “o cenário de penúria é cada vez maior em Angola e as populações mais desfavorecidas cada vez mais vão-se afundando na miséria, atroz e impiedosa.  O desemprego continua a  aumentar em diversas áreas, porque o Governo mostra-se incapaz de estimular e apoiar o sector privado, situação que está a preocupar toda a sociedade angolana em geral”.

Para os analistas, entre outras vozes da sociedade em geral, nos quatro anos do Presidente João Lourenço no poder houve mais recuos que avanços. As promessas de emprego para a juventude nunca foram concretizadas, nem se vislumbram soluções nesse sentido, com a agravante de a maior parte das empresas terem fechado, situação que aumentou sobremaneira o nível de desemprego no país, para angústia dos cidadãos.

Para os angolanos, as “reformas” implementadas por João Lourenço pioraram a situação social das famílias, que agora se defrontam com mais um dilema diante da constante subida dos preços da cesta básica. Actualmente já se fala em baixar os preços e a importação de centenas de toneladas de produtos alimentares, porém, segundo as análises, tudo obedece à uma estrátegia de propaganda eleitoral, com o aproximar das eleições em 2022.

“Durante o mandato que está a cessar, o Governo liderado por João Lourenço não conseguiu resolver até situações básicas, antes pelo contrário, tudo se agravou; agora, já no âmbito da caça ao voto para continuarem no poder, vão utilizar os recursos do Estado para importar os produtos da cesta básica e baixar os preços, mesmo que isso signifique mais um rombo na economia, tudo para dominar o incauto cidadão, fazendo crer que ‘são os salvadores da Pátria’”, elucidam os analistas.  

Hoje por hoje, estudar em Angola também está mais caro, igualmente pela subida constante dos preços das propinas nas instituições de ensino público e privado. Segundo o Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) “a reforma educativa de João Lourenço deixou mais de quatro milhões de angolanos fora do sistema de ensino”.

Enquanto o povo sofre, os dirigentes angolanos minimizam a situação evidenciando sentimentos de confiança, dando a entender que está tudo bem, que existe um clima salutar de estabilidade política e social no país, alegando, como sempre, que “a situação está sob controlo”, uma velha tirada para disfarçar a realidade e abafar possíveis ameaças de revoltas, derivadas da crise económico-financeira e da crescente repulsa do povo pela actual governação.

O Executivo tem-se refugiado em discursos, teorias e, como é apanágio do partido no poder, em muita “propaganda enganosa”. Em vez de procurar soluções práticas para aliviar o sofrimento e a preocupação crescente dos cidadãos, os governantes perdem tempo a elaborar uma série de temas publictários, usando os órgãos de Comunicação Social públicos, pagando “bocas de aluguer” (bajuladores), para passar mensagens como: “João Lourenço é o Moisés que veio libertar o povo angolano”, assim como incutir nas populações a  ideia de que a diversificação da economia é um facto e que o país está a produzir de tudo, a pontos de as unidades produtivas, nas áreas da indústria, da agro-pecuária, das pescas, do comércio, etc, etc, terem toneladas e toneladas de excedentes em armazém.

Para os analistas, tais teorias do governo “não passam de mentiras, publicidade enganosa, intoxicação, que demonstra bem a mesquinhez do regime”, cujos dirigentes, pelo se desempenho, “não têm capacidade e muito menos vontade própria para governar de facto”.

“Se o país tivesse tanta produção como alardeiam, a pontos de haver excedentes em grandes quantidades, não deveria haver tanta carência, tanto desemprego e miséria, nem a cesta básica, que pode ser produzida no país, estaria tão cara”, destacam os analistas.

O elenco governativo actual, tal como os anteriores, referem ainda, “é ilusionista, gasta enormes somas monetárias com o que não é necessário, ou em proveito próprio, para satisfazer as suas próprias vaidades e justifica-se junto do eleitorado com mentiras esfarrapadas, engana o seu próprio povo e a opinião pública nacional e internacional”.

Porém, a realidade é muito diferente. O país continua mergulhado num atraso constrangedor, em vez de progredir, retrocede a cada dia, deixou inclusive de fazer coisas que já eram feitas pelos nossos antepassados, como produzir óleo de palma, que hoje é um dos produtos que mais se importa;  a vida está caríssima e os preços aumentam todos dias para desespero das populações.

Enquanto isso, o Executivo, em vez de acção, de prática, apenas “produz discursos e teorias”,como se bastasse falar para tudo de materializar num “toque de mágica”. Contudo, as coisas não acontecem assim e o país não sai do buraco em que está atolado, endividado “até ao tutano”, como soe dizer-se, e o regime não explica ao povo angolano a verdadeira situação no presente e as perspectivas para o futuro.

Que país terão as novas e futuras gerações? Eis a questão para a qual o Executivo não tem resposta, porque não sabe a quantas anda no presente. A vaidade e arrogância de cada membro do Governo sobrepõe-se a tudo e todos.

“Mesmo os deputados, incluindo os da oposição, são todos ‘farinha do mesmo saco’. Os direitos dos angolanos, o cumprimento do dever, a honra pelo juramento prestado, o patriotismo, são válidos para ‘embelezar’ os discursos de circunstância. Mas, na realidade, o que conta para todos eles é a sua barriga e a dos seus familiares; o seu próprio bem-estar, a sua vaidade pessoal e o resto não tem pressa”, criticam.

O Ministério das Finanças, tem justificado as carências e a falta de pagamentos com a falta crescente de liquidez, situação que, para os analistas, é um contra – senso, considerando que, tem-se gasto muito dinheiro em veleidades, em detrimento do que deveria ser prioritário.

As dívidas internas do Governo são enormes e não têm sido justificadas, como por exemplo, os pagamentos à empreesas que prestaram serviços diversos ao país.

“Apesar de o Presidente João Lourenço ter mostrado interesse em fazer uma profunda reforma no sistema governativo angolano, começando com o combate à corrupção e todos os males conexos a esse fenómeno que impede e perturba o crescimento económico nacional e que bloqueia o correcto funcionamento das instituições, em prejuízo do desenvolvimento e do bem-estar do povo angolano, ao longo do seu mandato a situação foi tomando rumo inverso e actualmente ‘assiste-se ao mesmo filme’, um tanto retocado, com novos personagens, e alguns antigos, mas é o mesmo filme, rodado no mesmo cenário”, referem os especialistas.

Infelizmente, têm sido os dirigentes os primeiros a praticar a corrupção, imbuídos do espirito do “cabritismo” que imperou durante décadas, através das mais altas instituições do país, como os acontecimentos recentemente revelados na Casa de Segurança do Presidente da República. Por esse motivo, muitos são ainda os dirigentes e governantes que continuam com a saga, aproveitando-se dos cargos que exercem para usurpar os bens do Estado, roubar o dinheiro do erário público, em vez de trabalhar em prol da nação.

De acordo com o advogado Zola Bambi, falando à DW África, há “democracia camuflada” no mandato de João Lourenço, já que durante o seu consulado “nenhum partido foi legalizado” e “isto é alarmante”.

“Os direitos humanos são violados de uma forma maquilhada, pior que no consulado passado, porque se assumia o comportamento das forças de segurança como tal. Vive-se uma pseudodemocracia. As promessas apontavam que se faria o melhor, mas as prisões arbitrárias continuam”, afirma o advogado. (Com agências)

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