Início Política Ricardo de Abreu vai gerir alta quantia para equipar sistema de transporte e logística

Ricardo de Abreu vai gerir alta quantia para equipar sistema de transporte e logística

por Redação

O Conselho Nacional de Carregadores (CNC), que foi substituido depois do julgamento do ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, pela Agência de Regulação e Certificação de Carga e Logística de Angola, instituição criada no final de 2020, revelou que vai aplicar 3,7 milhões de euros, por ajuste directo, para aquisição de serviços de «consultoria estratégica, organizacional, operacional e tecnológica».

De acordo com o que foi declarado, o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu, será o responsável pelo procedimento, cuja despesa é justificada com a necessidade de aquisição de uma plataforma informática para gestão do sistema de transporte e logística, sendo porém o valor desproporcionado em relação ao custo de serviços para os referidos fins.
Para especialistas do sector económico e empresarial, os interesses instalados nos serviços de fronteiras e alfândegas, entre outros, ligados à logística e transporte, são dos que practicam, de forma contínua, os maiores actos de corrupção no país.
Como exemplo, apontam que o extinto CNC, foi durante o regime do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, um viveiro de alta corrupção. Por esse motivo, o ex-Presidente da República, durante o julgamento de Augusto Tomás, foi citado em tribunal por, alegadamente, ter autorizado algumas das operações suspeitas.
O ex-ministro dos Transportes, condenado por corrupção e gestão danosa do CNC, órgão então tutelado pelo Ministério que dirigia, terá confidenciado, em meios da sua confiança, que a pesada pena a que foi condenado, deveu-se ao facto de não ter aceite comprometer elementos da alta esfera do MPLA, não divulgando dados sobre o destino dado a fundos do CNC.
Dos vários casos de corrupção a chegar a julgamento, apenas o de Augusto Tomás resultou numa pena pesada.
O ex-ministro dos Transportes foi condenado a 14 anos de prisão, mas por pressões partidárias a mesma foi reduzida a 8 anos pelo Tribunal Supremo (TS), alegadamente por irregularidades no processo.
Entretanto, a decisão do TS é considerada por analistas e críticos do panorama político nacional como tendo obedecido a «ordens superiores», considerando que, desde o início do julgamento de Augusto Tomás, foram identificadas influências políticas.
Posteriormente, foi permitido a Augusto Tomás sair da cadeia em que se encontrava a cumprir pena, porque, supostamente, foi infectado pela Covid-19, para ficar em quarentena na sua residência. Depois disso, nada mais se disse sobre o mesmo e cogita-se mesmo que tudo não passou de mais uma desculpa para o libertar. FM, (com agências)

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