Início Política Profissionais temem pelas suas vidas: Instalado em Angola clima de terror e perseguição a jornalistas

Profissionais temem pelas suas vidas: Instalado em Angola clima de terror e perseguição a jornalistas

por Redação

Voltou a instalar-se em Angola um novo clima de “terror e de perseguição” contra os jornalistas. A situação, no velho estilo nazista, é bastante tenebrosa, pondo em causa não só o estado psico-emocional dos profissionais e a sua vida, mas também põe em perigo a estabilidade e a existência das suas famílias, entre outras pessoas.

De acordo com informações fidedignas, o jornalista Ramiro Aleixo, em entrevista à Rádio Ecclésia, disse «existirem dois laboratórios em Luanda, criados especialmente para controlar matérias publicadas pela imprensa pública e privada». Aleixo começou por repudiar a ausência da imprensa pública, na conferência de imprensa convocada pelos partidos da oposição, UNITA, Bloco Democrático e o projecto PRA-JA.

O profissional da comunicação social, apontou Norberto Garcia e a “Secreta” angolana de serem os “cabeçários” dos referidos segmentos.

«Basta acompanhar as redes sociais, para perceber que até nomes fictícios de supostos jornalistas, atacam todos aqueles que usam o seu direito constitucional de emitirem a sua opinião… Mas não atacam só aquilo que as pessoas escrevem, atacam até o íntimo, a família das pessoas. Uma forma de destruir», lamentou.

O ex-director do jornal Agora, deu exemplos de casos como o do director do “Novo Jornal”, Armindo Laureano, que logo a seguir à comunicação, na página online do “Novo Jornal”, que havia descontentamento à nível da embaixada, de seguida foi produzido um texto em que tocaram até em questões de fórum pessoal do jornalista.

De acordo com Ramiro Aleixo, este caso aconteceu consigo, «com o Graça Campos e vai acontecer com todas as pessoas que emitirem questões críticas no quadro do seu exercício constitucional, contra o sistema e contra o funcionamento da governação».

Enquanto isso, o jornalista e director do jornal “O Crime”, Mariano Brás, denunciou recentemente o que chama de perseguição, depois de, no passado dia 12 de Fevereiro, ter sido, uma vez mais, notificado para comparecer ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), concretamente na Direcção de Combate ao Crime Organizado, para ser ouvido em mais um processo-crime, desta feita o nº 01/020/-05, pelo crime de “ofensa à autoridade”, depois de publicar um artigo no jornal, apontando o Chefe de Estado, João Lourenço, como a pior figura de 2020, tendo como chamada de capa “Demagogo e hipócrita”.

A Direcção de Combate ao Crime Organizado, do Serviço de Investigação Criminal de Angola (SIC), está a investigar o jornalista Mariano Brás por ter escrito no seu jornal “O Crime” um texto no qual elege o Presidente da República, João Lourenço, a pior figura de 2020.

Recorde-se que, em 2016, o também proprietário daquele semanário angolano tinha sido constituído arguido por ter divulgado um artigo publicado no site “Maka Angola”, do activista e jornalista Rafael Marques, que era acusado de injúria ao então Procurador-Geral da República (PGR), por denunciar os negócios do general João Maria de Sousa.

Desde então, o jornalista diz que todos os anos é notificado e que se sente ameaçado com os inúmeros processos contra si. Agora, com este artigo, ele responde por injúria ao Presidente da República.

«Disseram-me que é um caso semipúblico e qualquer instituição pode investigar, mas o que me consta é que é mesmo por ordem do Presidente da Republica», afirma Brás, que diz temer pela sua vida, acrescentando: «Sinto que há aqui uma perseguição, olhe que desta vez foi com o tom bastante agressivo ao ponto mesmo de me perguntarem pela casa onde estou a viver, etc», revela.

Refira-se que tanto Rafael Marques como Mariano Brás foram absolvidos no processo movido pelo então PGR. *(Com agências)

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