Início Política Processo arquivado – Corrpto Calabeto beneficia de graças da PGR

Processo arquivado – Corrpto Calabeto beneficia de graças da PGR

por Redação

Calabeto é uma figura vista pela sociedade como um dos maiores malabaristas que Angola já teve. Durante anos aproveitou-se da confiança que tinha com José Eduardo dos Santos para enganar tudo e todos. No governo de João Lourenço, Calabeto Jaime foi nomeado Secretário de Estado para a Agricultura, cargo de que já foi exonerado.

Licínio Adriano

Vem isto a propósito das recentes revelações de que a empresa OMATAPALO, propriedade do Governador da Huíla, Luis Nunes, envolvida em escândalos de corrupção, pagou chorudas comissões ilegais ao então presidente da Federação Angolana de Patinagem e ex-Secretário de Estado para a Agricultura, Carlos Alberto Jaime “Calabeto”.
Num passado recente, Calabeto sempre foi conhecido como um desportista ferrenho, ligado ao Hóquei em Patins, através da equipa do ENAMA de Viana. Recorde-se que a ENAMA foi a Empresa Nacional de Mecanização Agrícola, dependente do Ministério da Agricultura, mas que, Calabeto, na qualidade de PCA, geria em proveito próprio, como sua propriedade particular. A ENAMA foi extinta pelo Presidente da República, João Lourenço, na sequência de diversos litígios e dívidas, sobretudo aos trabalhadores.
Sendo uma empresa essencialmente técnica, ao longo dos tempos, Calabeto é acusado de ter desviado todos os meios técnicos importados pelo Estado angolano, como tractores, charruas, camiões e até aviões de irrigação, vendendo-os a terceiros em prejuízo do Estado.
Foi assim que criou a “Gesterra” que, entre diverosos assuntos, se confundia com a ENAMA, uma empresa angolana de gestão de terrenos agrícolas conotada ao “braço” empresarial do MPLA, a Gefi. O GEPE, por sua vez é o departamento do Ministério da Agricultura que aprova todos os projetos de âmbito nacional deste organismo governamental.
O seu então diretor, foi Joaquim Duarte, engenheiro agrônomo, que dentro do ministério dirigiu o “Programa Executivo do Sector Agrário” aprovado em 2009, que, integrava também outras ações orientadas para o desenvolvimento do Sector da Investigação Agrária em Angola, bem como medidas dirigidas, em concertação com outros setores, para a melhoria da comercialização no meio rural.
Calabeto teve diversos choques com Joaquim Duarte que não via com bons olhos os procedimentos do PCA da ENAMA e/ou da GESTERRA.
Carlos Alberto Jaime “Calabeto” que é engenheiro de maquinação agrícola, formado em Cuba, é uma figura próxima a José Eduardo dos Santos que, igualmente, o apresentou como seu sobrinho. É a ele, a quem JES, a dado momento, propôs para ser o ministro da Agricultura, mas o mesmo terá rejeitado.
Porém, segundo fontes bem posicionadass, na prática, era ele que opera como um “Ministro sombra da Agricultura” em Angola. Em Abril de 2010, o ex-Presidente da República criara uma comissão para radiografar o estado da agricultura do país, e foi Carlos Alberto que chefiou a referida comissão (o então ministro Pedro Canga foi desencontrado).
José Eduardo dos Santos entregou- lhe a gestão de cerca de 19 projetos, dentre os quais o “Aldeia Nova”, e o contrato para a implantação da «Fazenda Pungo Andongo», com as sociedades Construtora Norberto Odebrecht S. A. e a FNP – Consultoria e Comércio Limitada.
Assim José Eduardo dos Santos, passou oficialmente a gestão do projeto agrícola, Aldeia Nova, para a empresa «GESTERRA – Gestão de Terras Aráveis, -Sociedade Anónima» cujo Presidente do Conselho de Administração foi Carlos Alberto Jaime “Calabeto”, figura que passou a ser da alta confiança do ex-Presidente. Contudo, o projeto, de que muito se esperava, acabou por falir.
Calabeto é acusado de ser um dos que se aproveitaram do erário público em benefício próprio e desgraçaram o país. Mesmo assim, o Presidente João Lourenço, depois de exonerá-lo do cargo de Secretário de Estado da Agricultura, acomodou-o no Palácio presidencial da Cidade Alta, Na sequência, a Procuradoria Geral da República (PGR) arquivou o processo de desmandos e má gestão contra Carlos Alberto Jaime Pinto, “Calabeto”.
Um fato que aumenta as especulações na opinião pública quanto à chamada “justiça seletiva” no combate contra a corrupção e demais vertentes. “Quo vadis PGR”? Eis a questão!

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