Início Política Presidentes de Angola e Portugal afirmam que relações de amizade e cooperação entre os dois países  estão em “nível bastante alto”

Presidentes de Angola e Portugal afirmam que relações de amizade e cooperação entre os dois países  estão em “nível bastante alto”

por Redação

O Presidente angolano disse sexta-feira (22), num debate com o seu homólogo português, que as relações de amizade e cooperação entre os dois países estão num “nível bastante alto”, sublinhando que os relacionamentos pessoais ajudam a que isso aconteça

“Tive a felicidade de durante este meu primeiro mandato termos sabido manter a um nível bastante alto as relações de amizade e cooperação entre os nossos dois países, entre Angola e Portugal, a todos os níveis, incluindo a nível pessoal, não obstante, no caso de Portugal o chefe de Estado ser de uma família política e o primeiro-ministro ser de outra”, afirmou João Lourenço, num debate virtual com Marcelo Rebelo de Sousa, no âmbito do Fórum Euro-África.

“Isto não terá ofuscado de forma nenhuma as boas relações que Portugal está a conseguir manter com Angola e Angola com Portugal”, reforçou.

Para o chefe de Estado angolano, aliás, as relações pessoais das lideranças políticas ajudaram a que se construísse o bom nível das relações entre os dois países.

“As relações pessoais também ajudam. Portanto, nós soubemos construir ao longo dos anos essa mesma relação com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e com o primeiro-ministro António Costa”, salientou.

João Lourenço apontou como exemplo que, no seu entender, retrata as boas relações entre os dois países, a ajuda oferecida pelo Governo português para que Angola consiga alcançar o compromisso que assumiu com os angolanos de proceder à exumação dos corpos das vítimas do 27 de Maio de 1977, massacre levado a cabo na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado.

“Devo dizer que em Maio do corrente ano, nós anunciamos que iríamos dar início à exumação dos restos mortais das vítimas do 27 de Maio. E dois ou três dias depois o primeiro-ministro de Portugal ligou para mim a oferecer os seus préstimos, de técnicos especialistas que Portugal tem neste domínio, o que foi imediatamente aceite“, referiu Lourenço.

“Portanto, um pequeno episódio para reflectir o nível das relações entre os nossos países”, concluiu.

Por sua vez, o chefe de Estado português considera que Portugal e Angola vivem um “relacionamento excepcional, em todos os domínios”, e internacionalmente formam “um eixo muito forte” na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e fora dela.

Na conversa com o Presidente de Angola, João Lourenço, por videoconferência, transmitida sexta-feira na quarta edição do Fórum Euro-África, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou “as relações excelentes entre Estados”, que na sua opinião “só melhoraram ao longo dos últimos anos”.

“Temos a mesma compreensão quanto à urgência na ultrapassagem da pandemia e temos a mesma compreensão quanto à urgência na recuperação económica e social. Angola está virada para isso, aceleradamente. Portugal também espera um crescimento apreciável este ano, virando uma página e apontando para anos próximos que são ocasião única de dar saltos qualitativos. Se podermos dar os saltos qualitativos em conjunto, isso é formidável”, declarou.

No plano internacional, o Presidente português realçou o “papel liderante” de Angola no continente africano e da parte de Portugal “o entrosamento com países europeus” que também se relacionam com Angola — que actualmente preside à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Portanto, temos um puzzle total em que nós formamos um eixo muito forte, Angola e Portugal, mesmo na CPLP, com muito relevo na CPLP, mas fora da CPLP. E esse eixo tem outros eixos conjuntos, tudo ajudado pelo relacionamento pessoal, e sobretudo por aquilo que aproxima os nossos povos, que se entendem muito bem, se dão muito bem: os portugueses que vivem em Angola e os angolanos que vivem em Portugal”, considerou.

Por Angola estar a exercer a presidência rotativa da CPLP, Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se a João Lourenço como “o Presidente de todos os cidadãos da CPLP”, acrescentando: “É um prazer ter o meu Presidente João Lourenço nesta conversa”.

Em termos bilaterais, segundo o chefe de Estado português vive-se um “relacionamento excepcional, em todos os domínios”, com relações pessoais “excepcionais a todos os níveis”, pelas quais atribuiu ao seu homólogo angolano o “mérito fundamental”.

João Lourenço, em seguida, declarou: “Condenados a viver eternamente abraçados, nada pode abalar as relações que queremos sempre boas entre os nossos dois países. Portugal pode contar com Angola em todos os momentos, em todas das situações, da mesma forma que Angola conta com Portugal também em todos os momentos e em todas as situações”.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou a recente “cimeira ministerial entre Portugal e Angola”, que no seu entender decorreu “num clima excepcional” e “mostrou o bom momento” das relações bilaterais.

O Fórum Euro-África é organizado pelo Conselho da Diáspora Portuguesa, associação sem fins lucrativos constituída em Dezembro de 2012, com o alto patrocínio do anterior Presidente da República, Cavaco Silva, destinada a institucionalizar uma rede de contactos entre portugueses e luso – descendentes residentes no estrangeiro, com posições de destaque.

Esta associação tem como presidente honorário o Presidente da República e como vice-presidente honorário o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. O antigo primeiro-ministro português Durão Barroso preside à Mesa do Conselho da Diáspora.

O Conselho da Diáspora Portuguesa tem como principal objectivo a valorização da marca, imagem e reputação de Portugal. Actualmente conta com 90 conselheiros, que trabalham em diferentes campos, desde a cultura à economia, passando pela cidadania e ciência. Estes conselheiros estão espalhados por 27 países, 47 cidades e cinco continentes.

O debate entre os Presidentes da República português e angolano, em formato digital, foi o ponto alto da 4.ª edição do Fórum Euro-África, que começou na quarta-feira (20) e terminou sexta-feira (22).

O debate centrou-se na cooperação entre Europa e África, e nas relações económicas entre os dois continentes.

A agenda do fórum incluiu sete painéis: Perspectivas sobre Economia para a Europa e África após o Acordo de Comércio Livre, Trabalho Digital e Plataformas e Tecnologias Digitais, A Revolução da ID Digital, Abrir caminho para o Crescimento Verde e Transições Inclusivas, Cultura e Mercado, e Media e Digitalização.

Entre os oradores estiveram empresários, activistas, líderes, decisores públicos e privados, e outros agentes que deram o seu contributo para o diálogo entre a África e a Europa. (Lusa)

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